- O Atlético-MG aprovou um aporte de R$ 530 milhões na SAF para reduzir dívidas bancárias e aliviar despesas financeiras.
- A operação ampliou a participação acionária de Rubens Menin e Rafael Menin para 83,5% da SAF atleticana.
- O clube projeta reduzir praticamente pela metade os gastos anuais com juros após a injeção de capital.
O Conselho Deliberativo do Atlético Mineiro aprovou, em reunião realizada na Arena MRV, um novo aporte de R$ 530 milhões na SAF do clube. O movimento faz parte da estratégia da diretoria para aliviar o peso das dívidas bancárias e reorganizar a estrutura financeira da operação atleticana.
A operação também provocou mudanças relevantes no quadro societário da SAF. Com o novo aumento de capital, Rubens Menin e Rafael Menin passaram a concentrar 83,5% das ações, ampliando significativamente a participação que anteriormente era de 41,8%. Em contrapartida, os demais acionistas tiveram suas fatias diluídas.
O tema já vinha sendo tratado internamente desde abril, quando Rubens Menin antecipou publicamente a intenção de realizar um novo investimento no futebol do clube. Parte do plano está diretamente ligada ao crescimento das despesas financeiras nos últimos anos, impulsionado pela alta dos juros no país.
“Quando a gente entrou nesse processo em 2019, os juros no Brasil eram muito baixos, e eles cresceram muito. Está pesando no bolso de todo mundo. Para vocês terem noção, no ano passado, nós pagamos R$ 250 milhões de juros. Isso compromete toda a estrutura do Atlético. E o que a gente quer fazer é atacar esse mal pela raiz”, afirmou o empresário.
Do total aprovado, cerca de R$ 436,9 milhões foram convertidos em aumento de capital da SAF. Outra parte do montante foi direcionada via Fundo de Investimentos do Galo (Figa), antecipando obrigações que venceriam apenas no fim do ano.
A reconfiguração acionária também reduz a participação da associação civil do Atlético, que passa a deter 10% da SAF. Já os grupos ligados a Daniel Vorcaro, Ricardo Guimarães e ao próprio Figa ficaram com participações menores após a operação financeira.
Além do aporte, o Conselho Deliberativo também aprovou as demonstrações financeiras do exercício de 2025, incluindo balanço patrimonial, fluxo de caixa e relatório administrativo.
A discussão sobre diluição acionária já vinha sendo preparada desde o ano passado. Em setembro de 2025, os conselheiros haviam autorizado alterações na cláusula antidiluição, abrindo espaço para novos investimentos privados na SAF atleticana.
Após a reunião, o CEO do clube, Pedro Daniel, reforçou que o objetivo principal da medida é diminuir o impacto dos juros sobre o caixa do Atlético.
“Um dia bem importante. A aprovação do aporte de R$ 530 milhões é basicamente para pagar dívidas bancárias. Quase 90% do valor. Uma pequena parte para os investimentos que já fizemos, seja nas últimas janelas, mas principalmente para o ecossistema do futebol”, afirmou Pedro Daniel.
“Em 2025, pagamos de juros quase R$ 300 milhões. Pensando em uma empresa que fatura R$ 700 milhões, ter R$ 300 milhões de juros machuca muito. Agora, com esse aporte para esse ano, estamos projetando mais ou menos metade disso. Deve ficar em R$ 150 milhões de juros”, completou.





