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CBF e Flamengo ampliam tensão política antes de reunião sobre liga única dos clubes

Debate sobre calendário e poder de decisão no futebol brasileiro aumenta pressão sobre encontro entre clubes e entidade

Foto: Reprodução

25 de maio de 2026

7 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Flamengo e CBF protagonizaram um novo embate político às vésperas da reunião sobre a criação de uma liga única de clubes no Brasil.
  • O clube carioca criticou a entidade após ter negado o pedido de adiamento da partida contra o Coritiba por conta das convocações para a Copa do Mundo.
  • O episódio amplia a disputa por poder nos bastidores do futebol brasileiro em meio às discussões sobre governança, calendário e autonomia dos clubes.

A tentativa de criação de uma liga única para organizar o futebol brasileiro ganhará um novo capítulo nesta segunda-feira (25). A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) convocou representantes dos 40 clubes das Séries A e B para mais uma rodada de discussões sobre a unificação das estruturas comerciais e organizacionais do Campeonato Brasileiro.

O encontro, porém, acontece em meio a um ambiente de desgaste político provocado por um novo embate público entre a entidade e o Flamengo.

A discussão teve início após o clube carioca solicitar o adiamento da partida contra o Coritiba, válida pela 18ª rodada do Brasileirão. O Flamengo queria que o confronto, inicialmente marcado para o próximo sábado (30), fosse transferido para 4 de agosto, alegando impacto direto das convocações para a Copa do Mundo. Com diversos atletas já liberados para suas seleções nacionais, incluindo quatro jogadores convocados pelo Brasil, o clube argumentou que entraria em campo significativamente desfalcado.

A CBF recusou o pedido. A resposta do Flamengo veio em tom duro, com críticas à condução do calendário nacional e questionamentos sobre o acúmulo de funções da entidade, responsável simultaneamente pela Seleção Brasileira e pela organização do Campeonato Brasileiro.

“É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a Uefa, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à Fifa, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo”, afirmou o clube, em nota oficial.

O comunicado também mencionou o Palmeiras, concorrente direto do Flamengo na disputa pelo título nacional, que igualmente sofrerá perdas por conta das convocações internacionais. Para o clube rubro-negro, o episódio expõe falhas estruturais no modelo de gestão do futebol brasileiro.

A resposta da CBF ocorreu poucas horas depois. Em nota oficial, a entidade rebateu as críticas do Flamengo e utilizou justamente o debate sobre a criação da liga como argumento para sustentar sua posição. A confederação defendeu o cumprimento das regras previamente aprovadas pelos próprios clubes antes do início da competição.

“Por fim, a CBF registra seu apoio irrestrito à construção de uma liga conduzida pelos clubes, fundada no tratamento isonômico entre os participantes das competições e no respeito às regras previamente acordadas. O sucesso do projeto da liga depende de que cada clube respeite ao longo da competição as decisões aprovadas por todos antes do início do campeonato, e não busquem soluções exclusivas que confiram tratamento privilegiado conforme as circunstâncias”.

O episódio amplia a tensão política que vem marcando os bastidores do futebol nacional nos últimos anos. A divisão entre os grupos comerciais formados por clubes, a Libra e a Futebol Forte União (FFU), já havia evidenciado divergências sobre distribuição de receitas, direitos de transmissão e modelo de governança. Paralelamente, a influência da CBF sobre temas centrais, como calendário, arbitragem e Fair Play Financeiro, segue alimentando discussões sobre autonomia dos clubes.

Desde a chegada de Luiz Eduardo Baptista à presidência do Flamengo, no início de 2025, o clube passou a adotar uma postura mais ativa em debates institucionais e comerciais do futebol brasileiro. O movimento ganhou força especialmente após a renegociação interna realizada dentro da Libra, que ampliou a participação do Flamengo nas receitas de mídia e provocou forte reação no mercado, culminando na saída do Palmeiras do bloco comercial.

Agora, o novo atrito com a CBF acontece justamente em um momento em que os clubes discutem um modelo definitivo para centralizar a gestão da liga nacional.

A nota oficial do Flamengo

Na esteira da mais recente encruzilhada em que se encontra o Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número significativo de jogadores convocados para a Copa do Mundo FIFA, é preciso refletir: onde estamos errando e como iremos solucionar esses problemas?

Neste caso, o erro está muito claro. Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil).

É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo.

Quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores em razão de convocações, quem perde, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto se desvaloriza, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas.

No passado, soluções paliativas da CBF buscaram amenizar esse problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipe atuar caso cinco de seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão realmente para durante Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aeronaves para trazer atletas que atuaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Essas medidas paliativas já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipes brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir cada vez mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão de suas competições precisa evoluir junto.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado em razão das convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as quedas precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando no dia 4/8/26, sem conflitar com Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará de tudo para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube.”

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