Indústria

CBF registra queda de receita e fecha 2025 com déficit de R$ 182 milhões

Entidade teve retração de 8,4% no faturamento anual, aumento de 110,5% nos custos operacionais e impacto direto da nova estrutura de comercialização da Série A e Série B

Foto: Rafael Ribeiro/ CBF

04 de maio de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A CBF registrou queda de 8,4% na receita bruta e encerrou 2025 com déficit de R$ 182,48 milhões após mudanças na comercialização dos direitos do Brasileirão.
  • Os custos operacionais e administrativos da entidade cresceram 110,5%, enquanto as receitas com direitos de transmissão recuaram 12% no período.
  • Mesmo com resultado negativo, a confederação manteve R$ 1,99 bilhão em caixa e ampliou os investimentos no futebol para R$ 1,18 bilhão em 2025.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encerrou 2025 com retração em suas principais receitas e resultado financeiro negativo, em um cenário diretamente impactado pela reformulação do modelo de comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. A receita bruta da entidade caiu de R$ 1,302 bilhão em 2024 para R$ 1,193 bilhão em 2025, redução de 8,4% em relação ao exercício anterior.

O movimento acompanha a implementação do novo ciclo de mídia do futebol brasileiro, no qual Libra e Futebol Forte União (FFU) passaram a negociar de forma independente os direitos das Séries A e B do Brasileirão. Com isso, receitas historicamente administradas pela CBF passaram a ser negociadas diretamente pelos blocos de clubes, deixando de integrar a estrutura comercial da entidade.

O relatório financeiro da confederação evidencia essa transição ao não incluir Série A e Série B entre os ativos relacionados à arrecadação de direitos de transmissão. Os contratos passaram a ser negociados diretamente pelos blocos de clubes com empresas como Globo, Prime Video, Record e CazéTV.

A própria entidade reconhece o impacto da mudança no documento de apresentação das demonstrações financeiras. Segundo a CBF, a variação nas receitas das competições nacionais está ligada à migração dos clubes para a gestão direta de seus ativos comerciais e audiovisuais.

Mesmo com a retração nas receitas, os investimentos da entidade no futebol seguiram em expansão. O aporte total atingiu R$ 1,18 bilhão em 2025, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Apenas as seleções brasileiras consumiram R$ 420 milhões, sendo R$ 281 milhões destinados à equipe principal masculina. O futebol feminino recebeu R$ 94,251 milhões, enquanto as categorias de base tiveram investimento de R$ 44,709 milhões.

Os repasses às 27 federações estaduais cresceram 32%, totalizando R$ 80 milhões voltados ao desenvolvimento regional, modernização de infraestrutura e organização de competições locais. Já os custos com torneios nacionais somaram R$ 477,2 milhões, abrangendo despesas operacionais como logística, arbitragem e controle antidoping.

O resultado financeiro consolidado do exercício foi deficitário em R$ 182,48 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,657 milhões registrado em 2024. Além da queda nas receitas, o cenário foi pressionado pelo forte crescimento das despesas operacionais e administrativas, que saltaram de R$ 208,291 milhões para R$ 438,354 milhões, avanço de 110,5%.

A principal linha de arrecadação da entidade, ligada a direitos de transmissão e propriedades comerciais, totalizou R$ 637,903 milhões em 2025, queda de 12% em comparação aos R$ 723,900 milhões registrados no exercício anterior. O montante engloba ativos como Copa do Brasil, Séries C e D do Campeonato Brasileiro, competições femininas e torneios de base.

As receitas de patrocínio também apresentaram leve retração. O total arrecadado foi de R$ 437,931 milhões, redução de 3% em relação a 2024.

Apesar do déficit, a entidade encerrou o período com ampla disponibilidade financeira. O ativo circulante da CBF soma R$ 2,41 bilhões, enquanto a reserva financeira da confederação encerrou o período em R$ 1,99 bilhão, com recursos majoritariamente alocados em fundos conservadores.

O balanço patrimonial ainda aponta passivo total de R$ 2,131 bilhões, impulsionado principalmente por provisões para contingências tributárias, cíveis e trabalhistas, além de receitas antecipadas. Apenas a provisão para contingências encerrou o ano em R$ 671,6 milhões, concentrada principalmente em disputas fiscais ligadas à cobrança de Cofins.

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