Licenciamento

Copa do Mundo aquece o mercado, mas exige estratégia precisa das marcas

Especialista aponta que planejamento, timing e operação são decisivos para transformar a paixão do torcedor em vendas

Foto: Divulgação/ Adidas

29 de maio de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A contagem regressiva para a Copa do Mundo movimenta não apenas torcedores, mas toda uma cadeia da indústria de licenciamento, varejo e consumo
  • Especialista aponta que o sucesso comercial dos produtos ligados ao torneio depende menos do improviso e mais de planejamento estratégico
  • Questões envolvendo licenciamento e logística acabam sendo determinantes para o sucesso ou fracasso das iniciativas ligadas ao evento

A contagem regressiva para a Copa do Mundo movimenta não apenas torcedores, mas toda uma cadeia da indústria de licenciamento, varejo e consumo.

Em um mercado impulsionado pelo senso de pertencimento, a indústria mostra que o sucesso comercial dos produtos ligados ao torneio depende menos do improviso e mais de planejamento estratégico, leitura do comportamento do consumidor e timing preciso de lançamento.

Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Bruno Koerich, CEO da Destra e especialista no mercado de licenciamento, destaca que o alinhamento entre distribuição e comunicação é determinante para transformar a paixão do torcedor em resultado positivo para as empresas.

“Eu costumo dizer que, para a Copa do Mundo, o ideal é que os produtos cheguem ao varejo entre 60 e 45 dias antes do evento. Esse é o timing mais estratégico. Com esse prazo, as lojas conseguem estar abastecidas justamente no momento em que o consumidor começa a virar a chave emocional para a Copa. A conversa muda, e a atenção do torcedor passa a ficar totalmente voltada para a Seleção e para o Mundial”, declarou Bruno.

Em meio à expectativa crescente para a Copa do Mundo, marcas intensificam parcerias, campanhas e ações, enquanto redes sociais e influenciadores aceleram o desejo de compra.

Nesse cenário, questões envolvendo licenciamento e estratégia comercial acabam sendo determinantes para o sucesso ou fracasso das iniciativas ligadas ao torneio.

“O ponto aqui é separar quem constrói uma estratégia de marca de quem apenas tenta surfar o momento sem preparação e, muitas vezes, até sem licença. Existe uma diferença muito grande entre dialogar com o clima da Copa e utilizar propriedades intelectuais protegidas. Quem trabalha corretamente com licenciamento entende a importância dos direitos, das licenças e do planejamento”, afirmou.

Além de obter de forma legal os direitos, as empresa precisam se atentar à sua capacidade operacional. O comportamento do consumidor durante a Copa costuma ser intenso, mas também extremamente passageiro, o que exige precisão no planejamento de vendas e distribuição.

Segundo Koerich, o maior risco não está necessariamente no excesso de concorrência, mas na dificuldade de equilibrar demanda, estoque e velocidade de mercado durante um período tão curto de consumo aquecido.

“O grande desafio é acertar o timing e a operação. Porque, quando a Copa termina, o desejo pelo produto cai muito rápido. Claro que itens históricos, colecionáveis ou comemorativos podem continuar tendo valor depois, mas a maioria dos produtos precisa performar durante a competição. Então, o desafio das indústrias e do varejo passa muito mais por previsão de demanda, estoque, logística e abastecimento. Quanto produzir? Quanto distribuir? Como evitar excesso de estoque depois? Essa conta é extremamente difícil”, finalizou.

Assim, em um cenário onde emoção e consumo caminham lado a lado, a Copa do Mundo se consolida como uma das maiores vitrines comerciais do planeta.

Para as marcas, porém, o sucesso no torneio depende menos do impulso e mais da capacidade de unir estratégia e eficiência operacional em um case tão intenso quanto passageiro.

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