Indústria

Copa do Mundo impulsiona estratégia de inovação da adidas no futebol global

No“O Business da Copa”, Lucas Barillari detalha como a empresa utiliza o torneio para desenvolver tecnologias, fortalecer posicionamento e ampliar a conexão com consumidores

Lucas Barillari, gerente sênior de futebol da Adidas Brasil

06 de maio de 2026

5 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A Adidas utiliza a Copa do Mundo como plataforma para desenvolver tecnologias que depois são aplicadas em produtos de todo o futebol global.
  • A relação histórica com a FIFA e o peso simbólico da bola oficial transformam cada lançamento em um forte ativo comercial e cultural.
  • A nova TRIONDA foi criada para acompanhar a evolução do jogo, com foco em velocidade, estabilidade e adaptação ao futebol moderno.

A relação entre Adidas e Copa do Mundo ultrapassa há décadas o conceito tradicional de fornecimento esportivo. Além de produzir a bola oficial do torneio, a companhia alemã transformou a competição em uma plataforma estratégica para inovação, posicionamento de marca e desenvolvimento de produtos que, posteriormente, impactam todo o ecossistema do futebol global.

A construção dessa presença histórica envolve tradição e um processo contínuo de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e interpretação das transformações do jogo.

Em entrevista ao especial “O Business da Copa”, do MKTEsportivo, Lucas Barillari, gerente sênior de futebol da Adidas Brasil, explicou como a empresa enxerga a relevância da competição dentro da estratégia global da marca e detalhou o peso simbólico que a bola oficial carrega para consumidores e para a própria história do futebol.

“O DNA da Adidas é o futebol. A gente é uma empresa que foi fundada no futebol e continua com isso muito vivo dentro de tudo o que faz. Somos parceiros da FIFA desde 1970, então a TRIONDA será a 15ª bola de Copa do Mundo. Sem a bola, não tem jogo, não tem futebol. Ela é realmente o principal elemento ali. E por isso chama tanta atenção”, disse Barillari.

A conexão emocional criada ao redor da bola oficial da Copa do Mundo é um dos principais ativos explorados pela Adidas ao longo das últimas décadas. Cada edição do torneio ajudou a consolidar imagens, gols, defesas e momentos históricos que ficaram eternizados no imaginário coletivo do futebol.

A empresa entende que o impacto cultural desses produtos amplia significativamente seu valor comercial. Não por acaso, os lançamentos das bolas oficiais costumam ser tratados como grandes eventos globais, acompanhados de campanhas específicas, ativações comerciais e forte presença digital. O objetivo é transformar o produto em objeto de desejo antes mesmo do início da competição.

“Acho que, por ser Copa do Mundo e esse momento icônico do futebol, ela carrega um peso histórico. Quantas lembranças a gente tem de momentos de Copa do Mundo? E todos eles ficam atrelados à bola. São lances históricos, momentos maravilhosos que o futebol vive, e todos eles estão ligados àquele item. Então, vira realmente um objeto de desejo, quase um item colecionável que todo consumidor quer ter”, comentou o executivo.

Diferenciação

Além da dimensão comercial e simbólica, a Copa do Mundo também ocupa um papel estratégico dentro do desenvolvimento tecnológico da Adidas. O intervalo entre uma edição e outra é utilizado pela companhia como um ciclo completo de pesquisa e inovação, no qual diferentes áreas trabalham na evolução de produtos, materiais e conceitos ligados ao desempenho esportivo.

Segundo a empresa, o futebol atual exige adaptações constantes da indústria. A aceleração do jogo, a intensidade física dos atletas e as novas demandas técnicas influenciam diretamente no desenvolvimento de equipamentos. Nesse contexto, cada Copa funciona como um ponto de chegada para tecnologias que passam anos sendo estudadas antes de chegarem ao mercado.

“Como a gente começa todo esse período de transição entre as Copas, usamos muito esse intervalo para criar novos produtos e trazer novas tecnologias. A própria TRIONDA é um exemplo disso. A gente veio de uma bola anterior, que tinha um formato específico porque era pensada para um determinado estilo de jogo. O futebol vem mudando, e o produto também precisa mudar e se adaptar ao que acontece dentro de campo. A TRIONDA foi desenvolvida pensando em ter mais velocidade e mais estabilidade”, explicou Barillari.

O desenvolvimento da bola envolve um processo longo de testes, prototipagem e validações técnicas. Desde o encerramento da Copa do Mundo do Catar, a Adidas já direcionava equipes para o desenvolvimento do novo modelo que será utilizado este ano.

Esse processo não impacta apenas a bola oficial. As soluções criadas durante os ciclos de Copa acabam sendo posteriormente incorporadas a diferentes linhas da companhia, incluindo bolas de outras competições e uniformes utilizados por clubes e seleções.

“Desde o momento em que termina a Copa do Catar, a gente começa a trabalhar na TRIONDA. São vários testes até chegar ao protótipo e, depois, ao modelo final, que é o que esperamos para que o jogo aconteça da melhor forma possível. E essa tecnologia passa a estar presente em vários outros produtos também”, disse.

Posteriormente, essas soluções são replicadas em produtos utilizados por clubes europeus, equipes locais e outras competições organizadas ao redor do mundo. A estratégia reforça a ideia da Copa como principal ambiente de experimentação da indústria esportiva.

“A bola da Champions League, por exemplo, a partir da Copa muda o formato dela para ficar mais parecida com a TRIONDA, usando os mesmos elementos. Então, é sempre uma construção de laboratório. As próprias camisas foram feitas e pensadas de uma maneira que atendesse às demandas do atleta. A gente lança esse modelo na Copa e, depois, ele continua nos clubes locais e nos clubes europeus. Todos passam a utilizar o mesmo conceito de camisa baseado em todo o estudo feito para a Copa do Mundo. Então, sim, é um grande laboratório, porque é o maior momento do futebol”, concluiu Barillari.

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