- Faltando menos de um mês para a Copa do Mundo FIFA 2026, a Seleção Brasileira chega pressionada para encerrar o jejum de 24 anos sem conquistar o Mundial.
- Em entrevista exclusiva ao MKT Esportivo, Thiago Uberreich, um dos maiores especialistas em história das Copas, relembrou bastidores marcantes dos Mundiais, analisou o momento atual da Seleção Brasileira e comentou os desafios do Brasil na busca pelo hexacampeonato.
- Autor de livros sobre os cinco títulos mundiais da Seleção, o jornalista também falou sobre Neymar, Carlo Ancelotti, o novo formato da Copa com 48 seleções e os favoritos para o Mundial de 2026.
Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo FIFA 2026, a expectativa dos torcedores brasileiros aumenta em torno do sonho do hexacampeonato. A Seleção Brasileira chega ao Mundial pressionada para encerrar um jejum que já dura 24 anos sem conquistar o principal torneio do futebol mundial. Caso não levante a taça, o Brasil atingirá a maior seca de títulos mundiais de sua história, chegando a 28 anos sem vencer uma Copa do Mundo.
O último título da Seleção aconteceu em 2002. Desde então, o Brasil acumulou eliminações marcantes em cinco edições consecutivas do torneio, todas diante de seleções europeias. O cenário aumenta a pressão sobre a equipe comandada por Carlo Ancelotti e reforça o peso histórico da campanha de 2026.
Em clima de Copa do Mundo, o MKT Esportivo entrevistou, com exclusividade, o jornalista Thiago Uberreich, da Jovem Pan, considerado um dos grandes especialistas em história dos Mundiais. Autor de obras como Biografia das Copas, Brasil 1958: O Brasil é Campeão, 1962: O Brasil é Bi, 1970: O Brasil é Tri e 1994: O Brasil é Tetra, o jornalista agora lançará o livro 2002: O Brasil é Penta, completando a coleção dedicada aos cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira.

Durante a entrevista, Uberreich relembrou como surgiu sua paixão pelas Copas do Mundo. Segundo ele, tudo começou ainda na adolescência, durante a Copa de 1990 e nas comemorações dos 50 anos de Pelé. Sem internet ou redes sociais na época, o jornalista mergulhou em jornais, revistas, transmissões antigas e fitas VHS para estudar a história do futebol e da Seleção Brasileira. A admiração pela equipe de 1970 acabou se tornando uma das maiores inspirações para sua trajetória como escritor e pesquisador.
“Eu virei um fanático por Copa do Mundo. Era uma época sem internet, sem rede social. Eu gravava jogos em fita VHS, guardava jornais e pesquisava tudo sobre futebol e Seleção Brasileira”, relembrou.
O jornalista também revelou bastidores curiosos descobertos durante suas pesquisas. Um dos exemplos citados envolve a Copa de 1962. Segundo Uberreich, muitos livros e reportagens reproduzem de forma equivocada a ideia de que Aymoré Moreira só assumiu a Seleção porque Vicente Feola ficou doente. De acordo com suas pesquisas em jornais da época, o treinador já havia sido escolhido pela antiga CBD antes mesmo dos problemas de saúde de Feola.
Ao falar sobre os livros mais difíceis de produzir, Uberreich destacou dois projetos: Biografia das Copas, por conta do enorme volume de pesquisa e informações, e o livro sobre a Copa de 1970, que serviu de base para o modelo utilizado em toda a coleção. Já as obras sobre 1994 e 2002 apresentaram outro desafio: encontrar histórias pouco conhecidas de títulos ainda muito vivos na memória dos torcedores.
Questionado sobre qual Copa do Mundo mais o marcou, o jornalista separou a resposta em diferentes momentos. Como pesquisador, a Copa de 1970 ocupa um lugar especial pela qualidade daquela seleção e pelo impacto das transmissões ao vivo via satélite. Como torcedor, a Copa de 1994 aparece como a mais emocionante, por representar o fim do jejum de 24 anos sem títulos. Já o Mundial de 2002 marcou a transição definitiva entre o torcedor apaixonado e o jornalista profissional.
Thiago Uberreich também demonstrou preocupação com o novo formato da Copa do Mundo de 2026, que terá 48 seleções e 104 partidas. Para ele, o aumento no número de equipes pode diminuir o nível técnico da competição e favorecer classificações injustas de seleções que tenham campanhas ruins na primeira fase.
“A Copa com 32 seleções era o formato ideal. Com 48 equipes, você aumenta muito o número de jogos e pode diminuir o nível técnico da competição”, avaliou.
Sobre os favoritos ao título, Uberreich apontou França, Espanha e Argentina como as equipes que chegam mais fortes ao Mundial. Mesmo vivendo um momento de pressão, o Brasil segue entre os candidatos pela tradição e pelo peso da camisa. O jornalista também acredita que seleções africanas e equipes europeias menos tradicionais podem surpreender durante a competição.
Na avaliação sobre Neymar, Uberreich foi cauteloso. O jornalista afirmou que o atacante chega sem as melhores condições físicas e dificilmente terá o protagonismo das últimas três Copas. Para ele, o camisa 10 pode ser útil em momentos específicos, mas não deve carregar a Seleção como aconteceu em edições anteriores.
Sobre Carlo Ancelotti, o jornalista acredita que o treinador italiano pode trazer ao Brasil exatamente o que faltou nas últimas Copas: equilíbrio emocional e organização coletiva. Uberreich ressaltou que muitos jogadores da Seleção já trabalharam com Ancelotti na Europa, o que pode facilitar a adaptação ao estilo do treinador.
O escritor ainda revelou o desejo de lançar futuramente um livro sobre a Copa de 1950. Segundo ele, apesar de ser um tema amplamente explorado, ainda existem histórias esquecidas e detalhes históricos que merecem ser revisitados com mais profundidade.
Ao analisar a relação atual do brasileiro com a Seleção, Uberreich afirmou que o vínculo já não é o mesmo das décadas anteriores. O jornalista citou o fracasso de 2006, o trauma do 7 a 1 e a crescente distância entre jogadores e torcedores como fatores que enfraqueceram essa identificação. Ainda assim, destacou que a Copa do Mundo continua sendo um evento único para o país e faz parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
“Se o Brasil não ganhar essa Copa, será a maior fila da história da Seleção Brasileira”, afirmou.
Para Thiago Uberreich, o Mundial de 2026 representa não apenas a busca pelo hexacampeonato, mas também a tentativa de recuperar a conexão histórica entre a Seleção Brasileira e seu torcedor. O livro 2002: O Brasil é Penta será lançado neste sábado (23), às vésperas do início da Copa do Mundo FIFA 2026.





