- O futebol brasileiro movimentou R$14,3 bilhões em 2025.
- Apesar do crescimento das receitas comerciais, que alcançaram R$3 bilhões e já representam 21% do total, o setor ainda enfrenta desafios estruturais importantes.
- R$3,9 bilhões das receitas totais vieram de negociações de atletas, uma alta de 63% se comparado a 2024, enquanto as premiações somaram R$1,6 bilhão.
O futebol brasileiro movimentou R$14,3 bilhões em 2025, registrando crescimento real de 32% em relação ao ano anterior, mas parte relevante dessa expansão veio de receitas consideradas não recorrentes, como transferências de atletas e premiações internacionais.
Os dados fazem parte do novo Relatório Convocados 2026, estudo anual sobre a indústria do futebol produzido por Convocados e OutField, com patrocínio da Galapagos Capital, que traz pela primeira vez simulações de valuation dos clubes brasileiros, além de um panorama inédito sobre sustentabilidade financeira e o avanço das SAFs no país.
Segundo o levantamento, R$3,9 bilhões das receitas totais vieram de negociações de atletas, uma alta de 63% se comparado a 2024, enquanto as premiações somaram R$1,6 bilhão, impulsionadas principalmente pelos R$863 milhões distribuídos aos quatro clubes brasileiros participantes da Copa do Mundo de Clubes. Sem considerar esses efeitos extraordinários, a receita recorrente do setor chegou a R$9,5 bilhões, crescimento real de 13%.
“O futebol brasileiro vive um momento de expansão, mas ainda sustentado por receitas muito instáveis. Transferências de atletas e premiações elevaram os números de 2025, porém não são fontes que garantem previsibilidade no longo prazo. O desafio agora é transformar esse crescimento em uma operação estruturalmente saudável, com maior capacidade de geração de caixa recorrente e menos dependência de fatores extraordinários”, afirma Cesar Grafietti, economista responsável pelo estudo.
Do lado das despesas, os clubes também aceleraram. Os custos e gastos operacionais atingiram R$10,3 bilhões em 2025, alta de 22%, enquanto as dívidas consolidadas chegaram a R$17,3 bilhões, o que fez com que o EBITDA total chegasse a R$3,4 bilhões.
Grande parte desse avanço está relacionada aos investimentos em elenco: os clubes desembolsaram R$4,4 bilhões em direitos de atletas, cerca de R$600 milhões acima do registrado no ano anterior.
Apesar do crescimento das receitas comerciais, que alcançaram R$3 bilhões e já representam 21% do total, o setor ainda enfrenta desafios estruturais importantes. Aproximadamente um terço dessas receitas comerciais está ligado a empresas de apostas esportivas, ampliando o debate sobre a dependência de uma fonte concentrada de receita.
“O relatório mostra um mercado em transformação. O futebol brasileiro amadureceu como indústria, ganhou escala, atraiu investidores e passou a operar em uma lógica mais próxima dos grandes mercados internacionais. Mas o crescimento sustentável depende agora de governança, controle financeiro e visão de longo prazo. Os clubes precisam se tornar sustentáveis operacionalmente e reduzir alavancagem”, diz Luiz Juliano, sócio da OutField.
Outro destaque do estudo é a entrada em vigor, a partir de 2026, do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), considerado o fair play financeiro brasileiro. A análise indica que apenas sete clubes estariam plenamente enquadrados nas regras atuais, podendo chegar a onze, dependendo de ajustes contábeis – enquanto nove equipes seguem abaixo dos limites exigidos.
Além disso, somente cinco alcançaram classificação positiva no chamado “Rating Convocados”, indicador de qualidade de crédito desenvolvido pelo estudo. Outros 15 seguem operando abaixo da linha considerada segura.
“O futebol brasileiro entrou definitivamente no radar do mercado financeiro. O setor vive um momento de transformação, com crescente interesse por ativos esportivos, operações estruturadas e modelos mais sofisticados de financiamento. O cenário evidencia o potencial dos clubes como plataformas de negócios cada vez mais relevantes para investidores, assim como para o mercado de capitais”, afirma Andrea Di Sarno, sócio da Galapagos Capital.
O levantamento também mostra o avanço das SAFs no país. Em 2025, os clubes-empresa já representavam 18% do universo analisado, com 53 equipes estruturadas em modelo corporativo nas quatro divisões nacionais. Somente no último ano, foram criadas 28 novas SAFs.
Com dados financeiros, análises de mercado e projeções sobre o futuro da indústria, o Relatório Convocados 2026 busca consolidar-se como uma das principais referências para investidores, executivos e profissionais interessados no futebol fora das quatro linhas.





