- Futebol lidera interesses culturais no Brasil, mas confiança na Copa do Mundo 2026 diminui
- Estudo mostra pulverização das paixões nacionais e queda no otimismo com a Seleção
- Apenas 18% acreditam plenamente no título do Brasil no Mundial de seleções
O futebol segue como principal referência cultural entre os brasileiros quando o assunto é paixão nacional. Segundo o estudo “Mapa das Paixões Brasileiras”, produzido pela Ipsos Brasil, as expressões “Copa do Mundo”, “futebol” e “seleção brasileira” somam 21% das menções e aparecem na liderança entre os interesses mais associados à identidade cultural do País.
A pesquisa mostra, porém, que o cenário está mais dividido do que em décadas anteriores. Embora o futebol ainda mantenha protagonismo, o levantamento aponta uma pulverização maior das preferências culturais dos brasileiros, refletindo mudanças no comportamento de consumo, entretenimento e relacionamento com o esporte. O estudo analisa hábitos, sentimentos e percepções ligados à Copa do Mundo de 2026 e ao papel do futebol dentro do cotidiano da população.
Os dados indicam que o futebol já compartilha espaço com outros temas de interesse popular. O consumo de séries aparece com 10,9% das menções, seguido de música, com 10,7%. Na sequência surgem religiões, com 9%, e a própria Copa do Mundo, citada isoladamente por 8,2% dos entrevistados. Viagem e gastronomia aparecem com 7,4%, enquanto futebol, sem associação à Copa ou à seleção, soma 7,3%, e a seleção brasileira registra 5,8%. Para a Ipsos, o resultado aponta uma diversificação maior das paixões culturais dos brasileiros.
“O entusiasmo e o calor humano ainda definem a nossa identidade, servindo como uma válvula de escape para equilibrar o trabalho duro com o lazer. É interessante notar, porém, que o futebol masculino não reina mais sozinho e a atenção do brasileiro, que está cada vez mais crítico, se pulverizou”, declarou Paula Soria, líder de marcas e mercado na Ipsos Brasil.
Os números ligados à Copa do Mundo 2026 também apontam um comportamento mais cauteloso por parte do público brasileiro. Segundo o levantamento, 46% afirmam estar desanimados com o Mundial de seleções, enquanto apenas 18% acreditam plenamente no hexacampeonato da seleção. O cenário difere da percepção registrada em 2014, quando a Copa realizada no Brasil era associada principalmente ao sentimento de “alegria”. Agora, a palavra mais citada pelos entrevistados é “esperança”.
A mudança também aparece na confiança em relação ao desempenho esportivo da seleção brasileira. Se em 2022 metade da população acreditava que o time tinha grandes chances de conquistar o torneio, atualmente 49% dizem enxergar poucas possibilidades de título. A pesquisa aponta uma visão mais racional e menos emocional sobre a competição, refletindo uma postura mais analítica dos torcedores diante do futebol.
“O ufanismo verde e amarelo de pintar a rua e achar que ‘já ganhamos’ acabou. O torcedor está pragmático, tático e desanimado com a seleção. Agora, ele interage com o evento mais como sinônimo de evento social, sendo o resultado em campo quase secundário”, destacou Paula.
O estudo da Ipsos também analisou a relação do público com marcas associadas à seleção brasileira e à Copa do Mundo. Entre os participantes, 46% disseram conhecer os patrocinadores da seleção e citaram espontaneamente marcas como Nike, Itaú, Vivo, Ambev, Cimed, Sadia, Guaraná, Volkswagen, iFood, Uber, Amazon, Azul e Google.
Por outro lado, 68% dos participantes disseram não conhecer as marcas patrocinadoras da Copa do Mundo em si. Entre os entrevistados que conseguiram identificar empresas ligadas ao torneio, apareceram nomes como Adidas, Coca-Cola, Nike, Visa, Lenovo, Hyundai, Aramco, Qatar, Budweiser e McDonald’s, mostrando um nível menor de associação comercial direta ao evento global.
No que diz respeito ao consumo de mídia, a televisão aberta segue como principal plataforma para acompanhar os jogos da Copa, mencionada por 65% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, 39% afirmam que pretendem consumir partidas por meio do YouTube ou redes sociais, reforçando um comportamento de audiência distribuída entre diferentes telas e plataformas digitais.
Dentro do ambiente online, a CazéTV lidera a preferência entre os consumidores digitais, com 54% das citações, seguida pelo Globoplay, com 42%. Também aparecem entre os serviços mais lembrados o Amazon Prime Video, com 36%, além do Instagram, com 27%, e GE TV, citado por 23% dos entrevistados.
Mesmo diante de um cenário mais crítico em relação à seleção, a final da Copa do Mundo continua sendo vista como um evento de grande interesse nacional. Segundo a pesquisa, 62% afirmam que pretendem assistir à decisão independentemente da presença do Brasil na partida.
Nas redes sociais, o estudo identificou um ambiente mais voltado à análise e à cobrança do que à euforia. Os assuntos mais discutidos envolvem jogadores, com 18% das menções, e seleções rivais, com 17%. A pesquisa também aponta predominância de percepções negativas, com 38% de viés desfavorável contra apenas 16% positivos.
Nesse contexto, a reputação digital de entidades e personagens ligados ao futebol também apresentou queda, incluindo Confederação Brasileira de Futebol, a comissão técnica e nomes como Neymar.
“A análise que fizemos mostra que, nas redes sociais, o torcedor está menos movido por euforia ingênua e mais por pragmatismo, cobrança e repertório. Ao mesmo tempo, a Copa continua mobilizando identidade, pertencimento e consumo, abrindo oportunidades importantes para marcas que souberem dialogar com esse novo torcedor, mais crítico, mais planejado e mais conectado”, concluiu Diego Pagura, CEO da Ipsos.
Para a construção do estudo, a Ipsos utilizou metodologias quantitativas, qualitativas e modelagem estatística. O levantamento reuniu pesquisas online e presenciais realizadas em diferentes regiões do Brasil, além de análises de comportamento digital e curadoria de dados secundários. O estudo também contou com entrevistas conduzidas com apoio de inteligência artificial para aprofundar as percepções dos participantes.





