Indústria

Hungria transforma final da Champions League em símbolo de poder e influência política

Governo Orbán investiu pesado em estádios e eventos internacionais para aproximar Budapeste da UEFA e consolidar protagonismo europeu

Foto: MTI/Miniszterelnöki Sajtóiroda/Benko Vivien Cher

29 de maio de 2026

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⚡ Jogo Rápido
  • A decisão da UEFA de levar a final da Champions League deste sábado (30), entre Paris Saint-Germain e Arsenal, para Budapeste extrapola o universo do futebol
  • A escolha representa o ápice de uma estratégia política construída ao longo de mais de uma década pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán
  • O ex-jogador húngaro trata a realização da final da Champions em Budapeste como um dos legados deixados pelo seu governo

A decisão da UEFA de levar a final da Champions League deste sábado (30), entre Paris Saint-Germain e Arsenal, para Budapeste extrapola o universo do futebol.

A escolha representa o ápice de uma estratégia política construída ao longo de mais de uma década pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, que transformou o esporte em instrumento de projeção internacional e aproximação com entidades como a UEFA.

O político húngaro, que é ex-jogador de futebol e entusiasta da ampliação na presença do país na indústria esportiva, trata a realização da final da Champions na capital como um dos legados deixados pelo seu governo, que foi frequentemente criticado pela União Europeia por posições consideradas autoritárias e pelo alinhamento político com líderes de direita.

Nos últimos dez anos, sua gestão investiu cerca de 600 bilhões de florins, aproximadamente € 1,5 bilhão, na construção e reconstrução de 26 estádios nacionais e regionais. O pacote de investimentos consolidou Budapeste como um dos principais polos esportivos do continente e fortaleceu a relação do país com a UEFA.

Apenas a construção da arena de atletismo utilizada no Campeonato Mundial de 2023 consumiu 246 bilhões de florins, o equivalente a € 650 milhões, segundo dados divulgados pelo portal húngaro G7.

Apesar desses aportes, o país tem apresentado o pior crescimento regional da UE, registrando um longo período de estagnação econômica. A inflação também tem sido uma preocupação, superando a média do bloco.

Mesmo com o desequilíbrio no âmbito socioeconômico, nos bastidores, Budapeste vem consolidando uma relação cada vez mais próxima com a UEFA. Nos últimos anos, a Hungria recebeu partidas da Eurocopa 2020, finais continentais e jogos internacionais em campo neutro durante períodos de crise política em outros países.

A final acontece em um contexto de crescente desgaste político de Viktor Orbán dentro da Hungria. O avanço da oposição liderada por Péter Magyar intensificou críticas sobre os altos investimentos públicos destinados a megaeventos esportivos e projetos de infraestrutura durante os últimos anos.

O novo premiê sinaliza uma revisão da política esportiva húngara, criticando gastos públicos elevados em “projetos de prestígio” e defendendo mais aportes no esporte escolar e comunitário.

A mudança gera dúvidas sobre o futuro da relação entre o governo húngaro e as grandes entidades esportivas. Sob Orbán, o esporte funcionava também como ferramenta política, sediando eventos globais para demonstrar influência e legitimidade internacional.

Mesmo com a transição política, a UEFA manteve o planejamento da decisão europeia sem alterações. A entidade acompanha de perto o cenário em Budapeste, mas entende que o país segue oferecendo infraestrutura de alto nível e capacidade organizacional para grandes eventos.

Além da final da Champions, a Hungria continuará recebendo competições importantes nos próximos anos, incluindo eventos mundiais de atletismo e natação. A capital húngara também trabalha para viabilizar uma futura candidatura olímpica, projeto incentivado durante a era Orbán.

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