- A decisão da UEFA de levar a final da Champions League deste sábado (30), entre Paris Saint-Germain e Arsenal, para Budapeste extrapola o universo do futebol
- A escolha representa o ápice de uma estratégia política construída ao longo de mais de uma década pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán
- O ex-jogador húngaro trata a realização da final da Champions em Budapeste como um dos legados deixados pelo seu governo
A decisão da UEFA de levar a final da Champions League deste sábado (30), entre Paris Saint-Germain e Arsenal, para Budapeste extrapola o universo do futebol.
A escolha representa o ápice de uma estratégia política construída ao longo de mais de uma década pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, que transformou o esporte em instrumento de projeção internacional e aproximação com entidades como a UEFA.
O político húngaro, que é ex-jogador de futebol e entusiasta da ampliação na presença do país na indústria esportiva, trata a realização da final da Champions na capital como um dos legados deixados pelo seu governo, que foi frequentemente criticado pela União Europeia por posições consideradas autoritárias e pelo alinhamento político com líderes de direita.
Nos últimos dez anos, sua gestão investiu cerca de 600 bilhões de florins, aproximadamente € 1,5 bilhão, na construção e reconstrução de 26 estádios nacionais e regionais. O pacote de investimentos consolidou Budapeste como um dos principais polos esportivos do continente e fortaleceu a relação do país com a UEFA.
Apenas a construção da arena de atletismo utilizada no Campeonato Mundial de 2023 consumiu 246 bilhões de florins, o equivalente a € 650 milhões, segundo dados divulgados pelo portal húngaro G7.
Apesar desses aportes, o país tem apresentado o pior crescimento regional da UE, registrando um longo período de estagnação econômica. A inflação também tem sido uma preocupação, superando a média do bloco.
Mesmo com o desequilíbrio no âmbito socioeconômico, nos bastidores, Budapeste vem consolidando uma relação cada vez mais próxima com a UEFA. Nos últimos anos, a Hungria recebeu partidas da Eurocopa 2020, finais continentais e jogos internacionais em campo neutro durante períodos de crise política em outros países.
A final acontece em um contexto de crescente desgaste político de Viktor Orbán dentro da Hungria. O avanço da oposição liderada por Péter Magyar intensificou críticas sobre os altos investimentos públicos destinados a megaeventos esportivos e projetos de infraestrutura durante os últimos anos.
O novo premiê sinaliza uma revisão da política esportiva húngara, criticando gastos públicos elevados em “projetos de prestígio” e defendendo mais aportes no esporte escolar e comunitário.
A mudança gera dúvidas sobre o futuro da relação entre o governo húngaro e as grandes entidades esportivas. Sob Orbán, o esporte funcionava também como ferramenta política, sediando eventos globais para demonstrar influência e legitimidade internacional.
Mesmo com a transição política, a UEFA manteve o planejamento da decisão europeia sem alterações. A entidade acompanha de perto o cenário em Budapeste, mas entende que o país segue oferecendo infraestrutura de alto nível e capacidade organizacional para grandes eventos.
Além da final da Champions, a Hungria continuará recebendo competições importantes nos próximos anos, incluindo eventos mundiais de atletismo e natação. A capital húngara também trabalha para viabilizar uma futura candidatura olímpica, projeto incentivado durante a era Orbán.





