- A Índia corre o risco de ficar sem transmissão oficial da Copa do Mundo pela primeira vez na história.
- Faltando menos de 44 dias para o Mundial, os direitos seguem sem comprador, mesmo após a FIFA reduzir a pedida de US$ 100 milhões para US$ 35 milhões.
- Apenas 13 dos 104 jogos cairiam em horário nobre na Índia, enquanto o fuso e a força do críquete reduzem o apelo comercial do torneio para emissoras e plataformas locais.
A Índia pode viver um cenário inédito na história da Copa do Mundo. Faltando menos de 44 dias para o início do torneio, o país segue sem comprador para os direitos de mídia e corre o risco de ficar sem transmissão oficial pela primeira vez. Mesmo após a FIFA reduzir a pedida de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) para US$ 35 milhões (cerca de R$ 175 milhões), emissoras e plataformas de streaming seguem sem demonstrar interesse em adquirir o pacote.
O impasse expõe um choque entre o valor global da Copa e as particularidades do mercado indiano. Segundo o Economic Times, apenas 13 dos 104 jogos do torneio cairiam em horário nobre na Índia, enquanto a maioria das partidas seria exibida de madrugada devido ao fuso com Estados Unidos, Canadá e México. O cenário reduz o potencial de audiência e enfraquece as perspectivas de retorno publicitário para emissoras e plataformas, tornando o pacote menos atrativo comercialmente.
Outro obstáculo é estrutural. Embora o futebol tenha ampliado sua base de fãs no país, o críquete continua dominando a indústria esportiva indiana, concentrando audiência, investimentos e patrocínios. Nesse ambiente, grupos de mídia locais têm demonstrado resistência em assumir um investimento elevado em direitos cuja monetização é vista como incerta. Relatos da imprensa internacional também apontam que o modelo de comercialização da FIFA e o custo agregado do pacote ampliaram a cautela dos potenciais compradores.
A situação acende um alerta para além do mercado indiano. Se o cenário persistir, será a primeira vez que a Índia ficará sem uma transmissão oficial de Copa do Mundo, um episódio simbólico para um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes e crescente interesse pelo futebol internacional. Mais do que um impasse regional, o caso expõe como preço de direitos, hábitos de consumo e dinâmica de mercado passaram a desafiar até a distribuição do principal evento do futebol global.





