- Irã confirma presença na Copa do Mundo 2026, mas apresenta 10 exigências à FIFA
- Cenário político envolvendo o país segue influenciando os bastidores do Mundial de seleções
- Copa será disputada entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos nos Estados Unidos, México e Canadá
No fim de abril, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, confirmou a presença do Irã na Copa do Mundo de 2026 mesmo diante das incertezas provocadas pelo cenário político e militar envolvendo o país, os Estados Unidos e Israel. No fim de semana passado, a Federação Iraniana de Futebol voltou a assegurar que a seleção estará no Mundial, mas condicionou sua participação ao atendimento de uma série de garantias por parte dos três anfitriões da competição: EUA, México e Canadá.
A entidade informou que apresentou 10 condições para disputar o torneio e afirmou buscar garantias relacionadas ao tratamento dado à delegação iraniana durante o evento. Em comunicado, a entidade iraniana reforçou que disputará a Copa desde que seus princípios culturais, políticos e institucionais sejam respeitados pelos países-sede.
Entre os pedidos feitos pela federação estão facilidades para emissão de vistos e garantias de tratamento adequado à comissão técnica e aos jogadores da seleção nacional. O órgão também solicitou respeito ao hino e à bandeira iraniana durante toda a competição. Além disso, Teerã pediu um esquema reforçado de segurança envolvendo aeroportos, hotéis e deslocamentos até os estádios em que a equipe atuará ao longo do torneio. As informações foram divulgadas pela rede de notícias Al Jazeera.
O posicionamento da entidade ocorre semanas após o governo canadense impedir a entrada do presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, no país antes do Congresso da Fifa, realizado em Vancouver. As autoridades locais apontaram supostas conexões do dirigente com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, organização ligada às Forças Armadas iranianas e considerada grupo terrorista pelo Canadá desde 2024.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que atletas iranianos serão recebidos no torneio, mas indicou que integrantes da delegação ligados ao IRGC ainda poderão enfrentar restrições de entrada no país.
“Todos os jogadores e equipe técnica, especialmente aqueles que cumpriram seu serviço militar no IRGC, como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi, devem receber vistos sem qualquer problema”, exigiu Taj.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol também afirmou que a entidade busca garantias da Fifa sobre o tratamento que membros ligados ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica poderão receber durante a Copa. Um dos principais pontos envolve justamente a entrada de atletas e integrantes da comissão técnica que passaram pelo serviço militar obrigatório ligado ao órgão.
“Precisamos de uma garantia de que, durante nossa viagem (à Copa), não teremos o direito de insultar os símbolos do nosso sistema, especialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, completou Taj.
As exigências apresentadas agora estão sob análise da Fifa, que já confirmou o caminho para a participação iraniana na competição. Ainda assim, o contexto político envolvendo os países deixa em aberto a possibilidade de novos desdobramentos antes do início do torneio.
Integrante do Grupo G, o Irã enfrentará Bélgica, Egito e Nova Zelândia na primeira fase da Copa do Mundo. Os jogos da seleção serão disputados na costa oeste dos Estados Unidos, com partidas programadas para Los Angeles e Seattle.





