- A Motorola usará a Copa do Mundo 2026 como plataforma de reposicionamento premium no Brasil.
- A estratégia combina campanha global com creators, conteúdos e narrativas adaptadas ao consumo brasileiro de futebol.
- A marca também aposta no torneio para estimular troca de aparelhos e ampliar conexão com novos públicos.
A Copa do Mundo de 2026 ocupará um papel central dentro da estratégia de marketing da Motorola no Brasil. Reconhecida como uma forte plataforma de visibilidade, o torneio aparece também como peça importante no processo de reposicionamento da companhia no mercado nacional, especialmente em um momento em que a marca busca reforçar atributos ligados ao segmento premium, experiência de consumo e presença cultural.
Em participação no especial “O Business da Copa”, do MKTEsportivo, Stella Colucci, diretora de marketing da Motorola Brasil, explicou como a empresa vem adaptando globalmente sua comunicação para o comportamento do consumidor brasileiro, utilizando o futebol como principal ponto de conexão emocional e de audiência.
Segundo a executiva, embora exista uma estratégia internacional estruturada pela companhia, a adaptação local ganhou relevância dentro da operação brasileira justamente pela necessidade de aproximar linguagem, narrativa e formatos do jeito que o torcedor brasileiro consome futebol.
“A gente obviamente está localizando tudo o que fazemos, trazendo o que eu costumo chamar de ‘flavor brasileiro’ para a estratégia. Existe uma campanha global chamada ‘Football is Calling’ e, na adaptação para o Brasil, entendemos que a tradução literal funcionava muito bem. Por isso, estamos utilizando ‘O futebol te chama’ como nosso principal pilar de comunicação. Dentro dessa estratégia global, fazemos uma adaptação com olhar brasileiro, produzindo campanhas locais, trazendo influenciadores que conversem com o público daqui e criando conteúdos e narrativas do jeito que o brasileiro consome futebol”, disse Stella.
A estratégia evidencia uma movimentação cada vez mais comum entre patrocinadores globais ligados ao esporte: transformar campanhas internacionais em ecossistemas culturais regionalizados. Na prática, o desafio deixou de ser replicar ativos globais e passou a envolver contexto local, creators, linguagem social-first e conexão orgânica com hábitos de consumo específicos de cada mercado.
No caso da Motorola, esse processo também passa por uma atuação integrada entre diferentes plataformas digitais, creators e campanhas proprietárias voltadas ao período da Copa do Mundo.
“Queremos fazer parte dessa comunicação global, mas sempre trazendo esse olhar e esse gostinho brasileiro em toda a nossa atuação 360. Isso vai desde os conteúdos em tempo real nas redes sociais, como eu comentei, passando pelos influenciadores, até campanhas produzidas especificamente com essa perspectiva mais brasileira”, comentou.
Além do impacto institucional, a empresa também observa uma oportunidade comercial relevante ligada ao comportamento de troca de smartphones durante grandes eventos esportivos. Para a Motorola, a Copa surge como um possível acelerador de renovação de aparelhos em um cenário no qual o celular se consolidou como principal tela de consumo esportivo para boa parte dos usuários.
A executiva explicou que o consumidor brasileiro passou a buscar dispositivos com maior durabilidade, melhor desempenho e capacidade de acompanhar experiências multimídia mais exigentes, incluindo transmissões esportivas ao vivo.
“Hoje, o que a gente percebe é que o ciclo de troca dos aparelhos vem aumentando. O consumidor brasileiro busca produtos de maior qualidade para permanecer mais tempo com eles. Então, sem sombra de dúvida, ter um produto exclusivo ajuda nesse movimento de antecipação de troca, justamente por ser uma edição limitada e disponível apenas durante o período da Copa do Mundo. Além disso, como eu disse, o consumo pelo celular passou a ser prioritário. O consumidor também passa a considerar a necessidade de ter um aparelho melhor, com bom processador e uma tela de qualidade, para acompanhar os jogos da melhor forma possível”, detalhou.

Dentro dessa lógica, a Motorola aposta em produtos exclusivos relacionados ao torneio como ferramenta para estimular desejo, percepção de inovação e potencial antecipação de compra. Embora a companhia ainda não trabalhe com dados consolidados sobre esse comportamento, existe uma expectativa interna de que o ambiente emocional criado pela Copa ajude a impulsionar decisões de troca.
“Acredito que sim. Hoje ainda não temos dados suficientes para comprovar essa antecipação, mas é nisso que estamos apostando: que um produto exclusivo para a Copa do Mundo, em um momento tão importante para o consumidor, possa acelerar essa troca, seja para quem já pensava nisso ou até para quem ainda não tinha considerado. De repente, o consumidor percebe: ‘Nossa, eu preciso de um aparelho melhor para acompanhar os jogos quando estiver fora de casa’”, completou.
A presença oficial da Motorola na Copa também amplia possibilidades comerciais e institucionais ligadas ao uso de propriedades visuais, linguagem oficial do torneio e associação direta ao principal evento esportivo do planeta.
“Não apenas pelo produto exclusivo, mas também pelo fato de estarmos presentes nos jogos e participando das conversas sobre a Copa do Mundo, que já é um assunto em alta e que vai ganhar ainda mais força até o torneio começar. Ter essa propriedade, poder falar sobre a competição, utilizar expressões específicas dos patrocinadores oficiais, os logos e compartilhar conteúdos relacionados ao evento é algo muito importante”, afirmou.
Pilar de reposicionamento
Para a companhia, a Copa também funciona como ferramenta de reposicionamento diante de públicos que, segundo a própria executiva, estavam mais distantes da marca nos últimos anos. O objetivo passa por reforçar a nova percepção da Motorola dentro do segmento premium, utilizando o alcance massivo do futebol como plataforma de reconstrução de marca.
“Para a gente, a Copa funciona como um grande potencializador de alcance. É um evento massivo, sem dúvida. O futebol é um momento de falar com todo mundo, mas também de mostrar para esse público o novo momento da Motorola. É uma oportunidade de apresentar esse reposicionamento da marca, com produtos premium e uma presença que talvez o consumidor não enxergasse na Motorola há alguns anos. Estar presente na Copa do Mundo ajuda justamente a ampliar esse alcance e reconectar a marca com públicos que estavam mais distantes”, explicou Stella.
A executiva ainda reforçou que a operação construída pela Motorola para a Copa do Mundo de 2026 não está limitada a vendas ou performance de curto prazo. Segundo ela, existe um trabalho estrutural de fortalecimento institucional e percepção de marca associado ao torneio.
“É uma estratégia 360 e, sim, existe um objetivo muito forte de marca, ligado ao processo de reconstrução e reposicionamento que a Motorola vem desenvolvendo nos últimos anos. Estar presente em um campeonato desse tamanho, o maior torneio de futebol e um dos maiores eventos esportivos do mundo, é extremamente importante não apenas para vendas, mas também para fortalecer todo o posicionamento da marca”, concluiu.






