Indústria

Originals impulsiona consumo e adidas transforma camisas de seleções em plataforma global de lifestyle

Em entrevista ao “O Business da Copa”, Lucas Barillari detalha como a marca construiu uma estratégia de longo prazo para ampliar o alcance cultural das camisas de futebol e gerar desejo além dos estádios

Foto: Divulgação

07 de maio de 2026

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⚡ Jogo Rápido
  • As camisas de futebol passaram a ocupar espaço além das arquibancadas e hoje fazem parte dos mercados de moda, entretenimento e lifestyle.
  • A Adidas utiliza seleções, influenciadores e grandes torneios para ampliar o alcance cultural dos uniformes e fortalecer a conexão com diferentes públicos.
  • O lançamento simultâneo de 26 camisas reforçou a estratégia da marca de transformar produtos esportivos em ativos globais de branding e consumo.

As camisas de futebol deixaram há muito tempo de ocupar apenas o espaço tradicional da arquibancada. Nos últimos anos, os uniformes passaram a integrar o universo da moda, do entretenimento e da cultura pop, ampliando significativamente o alcance comercial das marcas esportivas e transformando produtos originalmente ligados ao desempenho esportivo em itens de lifestyle.

Nesse cenário, a Adidas tem utilizado grandes torneios internacionais e sua relação com seleções nacionais para consolidar uma estratégia que mistura futebol, moda, influência digital e posicionamento cultural. O objetivo vai além da venda direta de uniformes: passa pela construção de desejo, pertencimento e identificação em diferentes públicos consumidores.

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A ação da companhia envolvendo o lançamento simultâneo de 26 camisas de seleções nacionais carregando o Trefoil da Originals reforça justamente essa lógica. A iniciativa gerou forte repercussão nas redes sociais, movimentou o varejo esportivo e ampliou o debate sobre o papel das camisas de futebol dentro da cultura contemporânea.

Em entrevista ao especial “O Business da Copa”, do MKTEsportivo, Lucas Barillari, gerente sênior de futebol da Adidas Brasil, explicou que o movimento foi desenhado de maneira estratégica ao longo de mais de dois anos e teve como objetivo ampliar o impacto cultural da campanha.

“Foi um golaço de fato, mas extremamente planejado. Foram mais de dois anos de preparação, especialmente para essas camisas, que fizeram parte desse segundo lançamento. Desde o início, a gente queria lançar tudo ao mesmo tempo. Colocamos 26 camisas juntas justamente para criar esse impacto que acabou acontecendo, porque ali mostramos o nosso poder de marca, a força de ter diversas federações e, ao mesmo tempo, produtos muito fortes para cada uma delas”, disse.

Segundo o executivo, um dos pilares centrais da estratégia foi justamente explorar a diversidade estética e cultural das diferentes seleções patrocinadas pela companhia. Em vez de apostar em uma comunicação única ou padronizada, a Adidas buscou trabalhar múltiplas identidades visuais para atingir públicos distintos.

A lógica acompanha uma transformação importante do mercado esportivo, já que o consumidor atual compra um uniforme também por afinidade estética, identificação cultural e conexão com tendências de moda e comportamento. Isso amplia significativamente o alcance potencial do produto e faz com que as camisas passem a dialogar com públicos que nem necessariamente acompanham futebol de maneira cotidiana.

“São camisas muito diferentes entre si, e isso faz com que a gente alcance uma camada gigantesca de consumidores. No fim, você cria uma comunidade muito favorável, porque junta diferentes gostos e preferências. E isso gerou muitos elogios para a campanha”, comentou.

Distribuição no mercado brasileiro

Outro ponto importante da operação foi a distribuição dos produtos no mercado brasileiro. Além da campanha de comunicação, a Adidas também priorizou a presença física das camisas no varejo nacional, ampliando a disponibilidade de modelos internacionais para consumidores locais.

A estratégia acompanha um movimento cada vez mais comum entre grandes marcas esportivas: o de reduzir barreiras de acesso a produtos globais e transformar determinados lançamentos em eventos comerciais de alcance internacional.

Para a companhia, disponibilizar as 26 seleções no mercado brasileiro ajudou a fortalecer a percepção de amplitude do portfólio e consolidou a campanha como uma plataforma efetivamente global.

“Ficamos muito felizes não apenas com o lançamento, mas também por conseguir colocar todos os produtos disponíveis no ponto de venda para o consumidor. Trouxemos as 26 federações que temos para serem comercializadas aqui no Brasil”, afirmou.

Camisas de futebol como lifestyle

A expansão das camisas de futebol para além do ambiente esportivo também é resultado de um trabalho contínuo de construção cultural realizado pelas marcas ao longo dos últimos anos. No caso da Adidas, essa estratégia envolve presença em desfiles, utilização de artistas, campanhas com influenciadores e inserção dos produtos em contextos ligados ao entretenimento e à moda urbana. O objetivo é fazer com que a camisa passe a ocupar espaço dentro do cotidiano dos consumidores.

Segundo Barillari, esse processo foi construído gradualmente e faz parte de uma visão estratégica da companhia sobre o potencial do futebol no Brasil.

“Existe todo esse hype por trás da camisa de futebol. É um trabalho que a gente vem construindo há alguns anos, inclusive com os nossos influenciadores. Sempre falamos muito sobre isso e posicionamos os produtos em momentos específicos, fazendo desfiles, colocando em artistas”, explicou.

Vendas

Para a Adidas, o crescimento das vendas está ligado também à ampliação das ocasiões de uso das camisas. O uniforme passou a ocupar novos ambientes de consumo, sendo utilizado como peça casual, elemento fashion e símbolo de identidade cultural.

Essa mudança de comportamento ajudou a transformar o futebol em um dos segmentos mais relevantes dentro do mercado global de sportswear e lifestyle.

“A gente sempre acreditou no potencial que o futebol tem no Brasil e em como isso poderia extrapolar o campo. Então, foi toda uma construção até chegar ao momento que estamos vivendo agora e, de fato, surfar essa onda por meio dos produtos. Os próprios clubes locais que temos mostram isso. O volume aumenta ano após ano não porque os clubes necessariamente tenham mais torcedores, mas porque o produto passou a ser utilizado em outras alavancas, e não apenas no momento de torcida”, disse.

O crescimento desse mercado também ampliou o peso comercial das camisas dentro da estratégia das marcas esportivas. Hoje, os uniformes vão além das vendas e passaram a ocupar papel relevante em branding, conexão cultural e aproximação com as novas gerações.

“Existe um planejamento proposital para capitalizar mais negócios, vender mais e também fazer com que clubes e federações ampliem suas vendas. É um plano estratégico que traçamos justamente para criar esse desejo que vemos hoje”, concluiu Barillari.

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