
A mudança de CNPJ não transforma clube nenhum. O que transforma é o que vem depois. Na última quinta-feira (30/4), o jornalista Claudio Cathcart publicou no ND Mais uma coluna com um argumento que merece resposta.
No texto “SAF: solução ou ilusão?”, ele lista Santa Cruz, Portuguesa e América-RN como exemplos de clubes que viraram SAF e “não tiveram evolução ainda, nem estrutural e nem desportiva.” Concordo com a premissa. Discordo do exemplo.
O que a crítica acerta
Cathcart tem razão no ponto central. SAF não é fórmula mágica. Trocar o CNPJ sem mudar a cultura de gestão é apenas dar um nome novo ao mesmo problema antigo. O futebol brasileiro está cheio de casos onde o investidor chegou com promessa grande e saiu pela porta dos fundos, deixando dívida, desconfiança e torcedor refém de mais um ciclo de frustração. Esse debate precisa acontecer. Mas precisa ser honesto.
Onde o argumento falha: O problema é generalizar sem olhar os dados. Colocar a Portuguesa no mesmo grupo do Santa Cruz e do América, é ignorar trajetórias completamente diferentes.
Vamos aos fatos
Em 2026, a Lusa está na liderança do Grupo A13 da Série D, com onze pontos em cinco jogos. Disputamos o Paulistão e terminamos com a 3° melhor campanha, algo que não acontecia há mais de 14 anos. Mudamos a sede administrativa para o CT. Estamos em negociação direta com a Prefeitura para resolver, ainda esse ano a questão fundiária. Realizamos o primeiro SAF Day do futebol brasileiro com prestação de contas pública, ao vivo e com números abertos.
Isso é ausência de evolução? O que realmente define o sucesso
A Portuguesa não tem o investidor bilionário do Atlético-MG. Não tem o City Football Group do Bahia. Não tem o investimento do Cruzeiro que foi buscar Gerson por 27 milhões de euros. O que temos é planejamento, governança e a disposição de construir no ritmo que o projeto suporta. E é exatamente isso que separa uma SAF que funciona de uma que não funciona, não é o tamanho do aporte. É a qualidade da gestão.
Um clube bem gerido com pouco dinheiro se constrói. Um clube mal gerido com muito dinheiro se destrói, e o futebol brasileiro tem exemplos recentes e dolorosos.
A pergunta certa
O debate sobre SAF no Brasil ficou preso na dicotomia errada simplificada do: é bom ou é ruim? Funciona ou não funciona? Essa pergunta não leva a lugar nenhum. A pergunta certa é: quem está por trás? Qual o modelo de negócio? Existe planejamento de médio e longo prazo? Há transparência com os stakeholders?
A gestão tem autonomia real ou fica refém de pressão de curto prazo? Quando você olha por esse ângulo, o modelo jurídico vira detalhe. O que decide o destino de um clube é a resposta a essas perguntas, independentemente de ser SAF, associação ou qualquer outra estrutura.
O que a Lusa representa
Não estou aqui para dizer que fizemos tudo certo. Estamos construindo. Erramos e vamos errar de novo. Mas o que posso afirmar com dados é que a Lusa SAF é um projeto sério, com metas claras, com prestação de contas pública e com evolução mensurável, esportiva e estrutural.
Se isso não é evolução, preciso que me expliquem o que é. A crítica é bem-vinda. O erro de análise, não.





