Copa do Mundo 2026

YouTube usa Copa do Mundo 2026 para acelerar integração entre esporte, IA e marcas

Estratégia une streaming, tecnologia e personalização para transformar experiência de marcas e torcedores

Fotos: Divulgação/ Youtube

25 de maio de 2026

9 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • YouTube aposta em inteligência artificial e transmissão completa da Copa para liderar consumo esportivo
  • Estratégia une streaming, tecnologia e personalização para transformar experiência de marcas e torcedores
  • Google apresenta projeto de mensuração para patrocinadores e estudo sobre comportamento do público brasileiro

O YouTube caminha para assumir um papel central no consumo esportivo dos brasileiros durante a Copa do Mundo 2026. Por meio da CazéTV, a plataforma será a única no Brasil a transmitir gratuitamente os 104 jogos do Mundial, em um movimento que consolida uma mudança de comportamento do público e reforça a evolução do streaming esportivo como principal ponto de encontro entre audiência, marcas e tecnologia.

Pela primeira vez, os brasileiros terão acesso gratuito a 100% das partidas de uma Copa do Mundo dentro do YouTube. Mais do que uma transmissão integral, o cenário posiciona a plataforma como o principal anfitrião digital do torneio no país em uma edição que também promete marcar uma nova etapa da relação entre esporte, inteligência artificial e publicidade.

Foi neste contexto que o MKTEsportivo acompanhou, no escritório do Google, a apresentação de iniciativas que ajudam a explicar como o YouTube pretende potencializar a experiência da Copa do Mundo 2026. Entre as novidades estão um projeto de mensuração para patrocinadores ligados às transmissões da CazéTV e um estudo aprofundado sobre hábitos de consumo e comportamento do torcedor brasileiro. O objetivo é conectar emoção e tecnologia em uma Copa que tende a ser lembrada como a Copa do streaming e da inteligência artificial.

Projeto de mensuração nas transmissões da Copa na CazéTV

Durante o evento, o YouTube apresentou o YouTube Brand VAR, ferramenta que reúne inteligência artificial e análise de dados voltada ao ambiente esportivo. A iniciativa foi criada para atender os cotistas comerciais envolvidos nas transmissões da Copa na CazéTV e oferecer um acompanhamento mais preciso sobre resultados de exposição de marca, comportamento do consumidor e efetividade das campanhas.

O trabalho ganha relevância em um cenário no qual as transmissões esportivas digitais deixaram de entregar apenas alcance para também oferecer inteligência de dados. Em uma Copa com potencial de audiência massiva e fragmentada ao mesmo tempo, a possibilidade de mensurar impacto se torna diferencial competitivo para patrocinadores.

Gustavo Souza, Diretor de Produtos e Soluções Publicitárias do Google Brasil, detalhou como funcionará a operação. A proposta surge em um momento em que patrocinadores buscam cada vez mais indicadores concretos de retorno e efetividade em projetos ligados ao esporte.

“Este é o maior projeto que a gente já fez aqui com mensuração. São mais de 190 entregas, mais de 20 por anunciante. E ele combina mensuração, primeira coisa é o controle de impacto. Um jogo pode ter mais de 150 marcas inseridas, só a geometria disso é um desafio. A gente vai conseguir medir volume de impactos e aí medir associação de impacto com efetividade”, declarou Souza.

Gustavo Souza explicou como a IA terá papel central no projeto do YouTube

Segundo o executivo, o sistema acompanhará diferentes atributos relacionados às marcas, com a proposta de entender melhor a jornada do consumidor.

“Desde atributos de marca, se a pessoa lembra dela depois de ter o impacto, se ela aumenta a consideração em comprar aquele produto no futuro. A preferência da marca. As marcas podem trabalhar atributos, por exemplo, tem marcas que querem criar associação esportiva. A gente vai medir isso versus os concorrentes. E por fim, uma coisa que só o Google consegue fazer é entender a intenção de compra no aumento das buscas. Então, a gente vai cruzar os momentos que essas peças diferentes forem servidas com o volume de buscas para entender se isso teve um aumento ou não”, acrescentou.

A inteligência artificial aparece como peça central do projeto. Gustavo explicou que o sistema também atuará oferecendo recomendações para otimização das campanhas durante o torneio.

“E uma coisa bem interessante, a gente vai usar a inteligência artificial para cruzar as peças com o guia que a gente tem, chamado ADC Criativo do YouTube. Ele tem 70 atributos de melhores práticas de campanha. E a IA vai avaliar se aquele check-list foi feito e dar recomendações de melhoria para maximizar o impacto na próxima campanha. A gente vai rodar isso ao longo das oito semanas da Copa e tem entregas, desde entregas diárias até relatórios semanais, para cada um dos anunciantes poder melhorar o resultado para as marcas e para as vendas deles”, disse.

Partidas além dos jogos do Brasil

O salto tecnológico apresentado pelo YouTube acompanha uma mudança também no entendimento sobre o torcedor. No mesmo evento, a plataforma revelou um estudo baseado em dados do Google Trends e em pesquisa encomendada à Offerwise para identificar hábitos de consumo, interesses e comportamento do público brasileiro para a Copa do Mundo 2026.

O levantamento foi estruturado sobre quatro pilares estratégicos: audiência, mensagem, marca e intenção. Mais do que entender tamanho de público, a proposta busca aprofundar a compreensão sobre perfis de torcedores e diferentes formas de conexão emocional com o esporte.

“Mas o principal é conseguir entender o torcedor como grupos específicos de preferências mais do que como uma grande entidade que tem preferências generalistas. Então, o esporte vai permitir a gente ter grupos mais claros para cada uma das marcas para entender como aquele segmento se conecta com a Copa e isso ajuda ela a pensar no melhor jeito de impactar aquele segmento. Então, mais do que uma Copa da massa, a grande mudança é a gente conseguir desmistificar essa massa e entender as segmentações mais importantes, os diferentes perfis de torcedores”, pontuou Gustavo Souza.

Os resultados mostram que o interesse dos brasileiros não estará concentrado apenas nos jogos da Seleção Brasileira. Segundo o estudo, 71% dos entrevistados pretendem acompanhar também partidas entre outras seleções. Argentina e França aparecem empatadas entre os times estrangeiros que mais despertam atenção, ambas com 36%.

Parte desse interesse também passa pela internacionalização do futebol brasileiro. Na Copa de 2022, sete jogadores atuando em clubes nacionais estiveram presentes no Mundial, sendo três brasileiros. Para 2026, a expectativa é próxima de 40 atletas ligados ao futebol brasileiro representando diferentes países.

Na prática, o cenário ajuda a explicar por que o torcedor brasileiro tende a ampliar seu consumo para além dos jogos da Seleção Brasileira.

“Esse é mais um elemento para fortalecer o interesse dos brasileiros por jogos além dos da Seleção. Será possível ver ídolos de times brasileiros entrando em campo para defender seus países ao longo da competição. E parte dessas partidas só estarão disponíveis de graça na CazéTV, no YouTube”, avaliou Gabriela Arthur, Líder de Insights Estratégicos do Google e responsável pelo estudo.

Gabriela Arthur contou como a Copa no Prime Time brasileiro ajudará torcedores e marcas

A executiva também destacou o potencial de audiência da Copa do Mundo de 2026 no Brasil impulsionado pelos horários das partidas, que, em grande parte, não acontecerão durante o expediente comercial. Na prática, o cenário cria um ambiente próximo ao Prime Time para o torcedor brasileiro, ampliando as possibilidades de consumo dos jogos, o alcance entre os fãs e, consequentemente, as oportunidades de exposição para as marcas envolvidas nas transmissões.

O momento atual também representa um marco importante dentro da estratégia esportiva construída pelo YouTube nos últimos anos. Em 2025, o MKTEsportivo conversou com Aline Moda, diretora de agências, parceiros e branding solutions do Google, sobre os planos da plataforma para ampliar sua presença no esporte e fortalecer o ambiente de transmissões ao vivo.

Oito meses depois, voltamos a falar com a executiva durante o evento realizado no escritório do Google, agora em um cenário que materializa parte daquela visão. O movimento ganha uma nova dimensão com a consolidação do YouTube como principal anfitrião digital da Copa de 2026.

“Acho que quando a gente olha essa jornada, onde a gente colocou mais intenção nessa estratégia de esportes desde 2019, então você olha, o primeiro torneio que foi transmitido ao vivo, depois os estaduais e o Brasileiro, e chegar nesse momento emblemático, que é ser a única plataforma que transmite 100% dos jogos, é um momento realmente importante para marcas, para quem está assistindo e para a gente. E eu acho que a gente não para por aí, essa é uma estratégia de longo prazo. A plataforma se tornou um destino de esportes realmente”, comentou Aline.

Aline Moda explicou o papel da IA no projeto e como a tecnologia será um diferencial da Copa do streaming

A Copa do streaming e da inteligência artificial

Além da transmissão, o foco está na evolução da experiência do consumidor. Personalização, inteligência artificial e novas formas de integração entre marcas e audiência aparecem como pilares para os próximos ciclos.

“A cada ano que passa, a gente traz um novo investimento em experiência. Agora que a gente trouxe em relação à tecnologia para a Copa do Mundo já é um grande avanço versus a Copa anterior. O Google é uma empresa AI first, então tudo que a gente faz inclui inteligência artificial. Podemos esperar grandes transformações em inteligência artificial em torno de tudo que a gente viu. É uma Copa do streaming, mas o AI está indo junto e a gente está cada vez mais melhorando as experiências, a interatividade e a forma como a gente trabalha a exposição das marcas nesse contexto, cada vez mais contextualizadas ao momento que o consumidor está assistindo. A IA vai ajudar muito nisso”, acrescentou a diretora.

Impulsionado especialmente pela Geração Z, que exige formatos mais rápidos, interativos e conectados às redes sociais, o esporte digital acelera uma transformação que amplia alcance, personalização e capacidade de entrega para patrocinadores.

O foco imediato do YouTube está na Copa do Mundo masculina de 2026. Mas os próximos movimentos já aparecem no horizonte. O streaming observa oportunidades ligadas à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, e aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Passo a passo, a estratégia avança combinando tecnologia, inteligência artificial, experiência do consumidor e um torcedor que exige cada vez mais personalização e interatividade.

Ao mesmo tempo, a plataforma amplia sua capacidade de oferecer mensuração mais detalhada aos cotistas comerciais das transmissões, conectando audiência, comportamento de consumo e resultados para as marcas presentes nas competições.

YouTube projeta uma nova fase do esporte digital, unindo futebol, comunidade e marcas
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