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Acordo entre Fifa e associação abre caminho para expansão da Copa do Mundo de Clubes para 48 times

Ampliação do torneio é vista como alternativa para elevar receitas comerciais e de mídia

Foto: Justin Lane/EPA

27 de junho de 2026

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⚡ Jogo Rápido
  • Acordo entre Fifa e associação abre caminho para expansão da Copa do Mundo de Clubes para 48 times
  • Ampliação do torneio é vista como alternativa para elevar receitas comerciais e de mídia
  • Chelsea recebeu cerca de £ 84 milhões pelo título da edição inaugural do novo formato do Mundial

A Fifa chegou a um acordo de parceria com a European Football Clubs (EFC), entidade que representa times do futebol europeu, para atuar na organização da Copa do Mundo de Clubes.

A aproximação entre as partes abre caminho para mudanças no formato da competição. A expectativa é que as próximas edições contem com um número maior de participantes, com tendência de ampliação das vagas destinadas à Europa, especialmente para clubes da Premier League, que defendem uma representação mais ampla no torneio. As informações são do jornal britânico The Guardian.

A movimentação ocorre em meio ao crescente interesse dos clubes pelo novo formato do Mundial, visto que o Chelsea recebeu aproximadamente £ 84 milhões pela conquista da primeira edição do campeonato com 32 equipes. O retorno financeiro despertou o interesse de outras potências do futebol europeu, que passaram a defender uma ampliação da competição para aumentar suas possibilidades de classificação.

Nesse contexto, a entrada da EFC é vista como um fator que pode acelerar os estudos para expandir o Mundial para 48 participantes a partir da edição prevista para 2029. O tema também interessa a países que desejam receber a próxima edição do torneio, entre eles o Brasil, que já manifestou à Fifa o interesse em sediar a competição.

Na primeira edição do torneio em seu novo formato, disputada em 2025 nos Estados Unidos, a Europa contou com 12 representantes. A América do Sul teve seis vagas, incluindo os brasileiros Flamengo, Fluminense, Palmeiras e Botafogo. A distribuição também contemplou quatro equipes da Ásia (AFC), quatro da África (CAF), quatro da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), uma da Oceania (OFC) e uma vaga destinada ao país-sede, os Estados Unidos.

Critérios da Fifa deixaram campeões nacionais fora do Mundial

Apesar disso, alguns campeões nacionais de destaque ficaram de fora, como Liverpool, Barcelona e Napoli, vencedores dos campeonatos inglês, espanhol e italiano, respectivamente. Os três não garantiram vaga por conta dos critérios estabelecidos pela Fifa, que reservaram lugares aos quatro campeões mais recentes da Champions League e aos oito clubes com melhor posição no ranking de coeficientes da Uefa.

Além disso, a entidade limitou a participação a dois times por país, reduzindo ainda mais as possibilidades de classificação. A exceção foi o Brasil, que contou com quatro representantes – Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo – devido às conquistas da Copa Libertadores de 2021, 2022, 2023 e 2024 -, critério que garantia vaga automática aos campeões continentais.

Uma das pautas defendidas pela EFC envolve justamente a revisão desse limite nacional. A mudança poderia beneficiar especialmente clubes ingleses, já que Arsenal, Liverpool e Manchester City figuram entre os melhores colocados no ranking da Uefa.

O caminho para elevar valor comercial do Mundial

De acordo com o The Guardian, a entidade europeia entende que a ampliação da presença de equipes do continente teria potencial para aumentar o valor comercial do Mundial, especialmente após as dificuldades encontradas pela Fifa durante as negociações dos direitos internacionais de transmissão da competição.

Esse cenário começou a mudar após a assinatura de um acordo global de mídia avaliado em US$ 1 bilhão, valor equivalente a cerca de £ 760 milhões. O contrato foi fechado com a plataforma de streaming DAZN depois que a empresa recebeu um aporte financeiro de mesmo montante da Surj Sports Investments, grupo apoiado pelo governo da Arábia Saudita.

Paralelamente, a EFC já opera em conjunto com a Uefa por meio da UC3, empresa responsável pela gestão comercial das competições de clubes da entidade europeia. A expectativa é que a cooperação com a Fifa siga modelo semelhante ao longo dos próximos anos. A aproximação também representa uma mudança em relação ao cenário observado antes da primeira edição ampliada do Mundial, período em que existiam divergências entre as organizações sobre a condução do torneio.

Atualmente presidida por Nasser Al-Khelaifi, a EFC reúne mais de 700 equipes europeias. Entre elas está o Real Madrid, que retornou à associação neste ano após um período de afastamento motivado pela defesa do projeto da Superliga Europeia. Depois de abandonar formalmente a iniciativa em fevereiro do ano passado, os espanhóis foram readmitidos na entidade.

Nos bastidores, a Fifa avalia positivamente o desempenho comercial da EFC ao lado da Uefa, especialmente após o crescimento de aproximadamente 25% nas receitas de mídia e patrocínio da Champions League e de outras competições de clubes para o ciclo que terá início em 2027.

Enquanto as discussões sobre a próxima edição avançam, a prioridade da EFC é concluir um acordo sobre a distribuição dos £ 185 milhões reservados para pagamentos de solidariedade referentes ao Mundial realizado no ano passado. O montante deveria ser compartilhado com clubes de diferentes partes do mundo que não participaram da competição, mas segue pendente.

Caso fosse dividido igualmente entre os times das principais divisões nacionais, cada um receberia aproximadamente £ 50 mil. A demora na definição tem gerado insatisfação crescente entre as entidades beneficiárias.

Os recursos destinados à premiação esportiva, que totalizaram £ 740 milhões, já foram integralmente distribuídos. No entanto, as seis confederações filiadas à Fifa ainda não chegaram a um consenso sobre os critérios de repasse dos £ 185 milhões restantes.

Com essa questão resolvida, a tendência é que o foco das discussões passe a ser o futuro da Copa do Mundo de Clubes, incluindo a possibilidade de expansão para 48 equipes a partir de 2029, cenário que ganha força com a entrada da EFC na estrutura organizacional do torneio.

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