- Clubes brasileiros têm recorrido às cores da Seleção para criar produtos conectados ao clima da Copa do Mundo.
- Botafogo e Flamengo apresentaram recentemente uniformes em amarelo e verde desenvolvidos por Mizuno e Adidas, respectivamente.
- A estratégia permite explorar o engajamento gerado pelo torneio por meio de referências visuais amplamente reconhecidas pelos torcedores.
A proximidade da Copa do Mundo costuma movimentar diferentes setores da indústria esportiva, e os clubes de futebol encontraram uma maneira cada vez mais frequente de participar desse momento mesmo sem ligação direta com a competição. A utilização das cores tradicionalmente associadas à Seleção Brasileira tornou-se uma alternativa para marcas e equipes criarem produtos temáticos capazes de dialogar com o sentimento gerado pelo torneio.
Nos últimos anos, o ambiente de licenciamento esportivo passou por um endurecimento significativo. Federações, organizadores e patrocinadores oficiais ampliaram a proteção sobre símbolos, nomes, expressões e elementos visuais ligados às grandes competições. Ainda assim, determinadas referências culturais permanecem acessíveis, especialmente aquelas que fazem parte do imaginário coletivo e não pertencem exclusivamente a nenhuma entidade.
É nesse contexto que o amarelo e o verde ganham protagonismo. As cores carregam uma associação imediata com o futebol brasileiro e funcionam como um poderoso gatilho emocional em períodos de Copa do Mundo, permitindo que clubes e empresas desenvolvam campanhas, coleções e produtos sem utilizar propriedades protegidas do evento.
O movimento mais recente veio do Botafogo. Em parceria com a Mizuno, o clube lançou uma camisa predominantemente amarela, com detalhes em verde e a manutenção do tradicional escudo alvinegro. A escolha conversa diretamente com a relação histórica da equipe carioca com a Seleção Brasileira. Ao longo dos anos, o Botafogo foi o clube que mais forneceu atletas para o time nacional, somando 48 convocados e reunindo nomes que marcaram época, como Garrincha, Nilton Santos, Didi e Jairzinho.
Poucos dias antes, o Flamengo havia seguido caminho semelhante ao apresentar uma coleção especial desenvolvida pela Adidas. O uniforme utiliza uma combinação de verde e amarelo que remete a modelos clássicos vestindo a Seleção em Copas do Mundo passadas. O desenho faz referência visual a peças utilizadas no fim da década de 1970, período em que as tradicionais três listras da fabricante alemã estavam presentes nos uniformes do Brasil.
A tendência também demonstra como elementos culturais podem adquirir valor comercial relevante. Mesmo sem citar diretamente a Copa do Mundo ou utilizar símbolos oficiais, os lançamentos conseguem despertar identificação imediata junto ao público, transformando cores e referências históricas em ativos de marketing capazes de impulsionar vendas, fortalecer narrativas e ampliar a presença das marcas em um dos períodos de maior mobilização do calendário esportivo global.







