Indústria

Campanha troca “Vai, Brasa!” por alerta sobre violência contra a mulher

Debate sobre “Vai, Brasa!” inspira ação de conscientização

Fotos: Divulgação/ Instituto Maria da Penha

26 de junho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Instituto Maria da Penha ressignifica frase da camisa da Seleção em campanha de alerta sobre violência contra a mulher
  • Debate sobre “Vai, Brasa!” inspira ação de conscientização
  • Iniciativa leva informações sobre violência doméstica a influenciadores e criadores de conteúdo

Meses antes do início da Copa do Mundo de 2026, uma discussão envolvendo o uniforme da Seleção Brasileira ganhou repercussão nas redes sociais. O uso da expressão “Vai, Brasa!”, inserida pela Nike nas peças oficiais da equipe nacional, gerou críticas de boa parte do público (reprovação de 75% nas redes sociais), o que motivou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a substituir a frase por “Brasil”.

O episódio serviu de ponto de partida para uma iniciativa do Instituto Maria da Penha. Aproveitando a visibilidade gerada pelo debate, a entidade lançou uma campanha que utiliza a camisa da Seleção como ferramenta de conscientização, trocando a inscrição que esteve no centro das discussões por dados relacionados à violência contra a mulher durante o período do Mundial de seleções.

Desenvolvida pela agência Fbiz, a ação utiliza justamente um espaço que ganhou destaque nacional para ampliar o alcance de informações sobre violência doméstica, tema que apresenta crescimento em dias de partidas de futebol.

Como parte da iniciativa, um grupo restrito de camisas personalizadas foi enviado para artistas, influenciadores e criadores de conteúdo. Nas peças, a tradicional inscrição foi substituída por estatísticas reais ligadas ao problema. Segundo os organizadores, todos os participantes aderiram à campanha de forma voluntária.

“Se uma frase na camisa da Seleção virou assunto nacional, usamos esse mesmo espaço para chamar atenção para algo muito mais urgente: a violência contra a mulher. No lugar do “Vai, Brasa” levamos para as golas da amarelinha dados sobre feminicídio no Brasil, transformando um símbolo nacional em um alerta para uma causa que não pode ficar fora da conversa. Violência contra a mulher é crime. Denuncie: Ligue 180”, informou o Instituto no Instagram.

Além da distribuição das camisas, a campanha contará com ativações em mídia exterior espalhadas por 12 cidades brasileiras. Entre elas estão São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Fortaleza e Belo Horizonte. A estratégia também prevê divulgação por meio dos canais digitais do Instituto Maria da Penha, ampliando o alcance das mensagens em diferentes plataformas.

“Quando vimos o país inteiro debatendo um termo na gola de uma camisa, entendemos que podíamos hackear toda essa atenção para colocar ali algo que realmente precisa ser discutido. Se é necessário costurar essa realidade em uma camisa que o Brasil inteiro reconhece como sua – para, finalmente, o País olhar para esse problema -, que assim seja. “, comentou Filipe Matiazi, VP de Criação da Fbiz.

As mensagens nas camisas da Seleção criadas pelo Instituto Maria da Penha

• Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas no Brasil

• 66,3% dos feminicídios ocorrem na residência da vítima

• Quanto o time da cidade joga, os registros de ameaça contra mulheres aumentam 23%

• Em dias de jogo, os registros de lesão corporal contra mulheres aumentam 21%

• Quando um time favorito sofre uma derrota, os registros de violência doméstica aumentam cerca de 7,5%

• Em 80% dos feminicídios, o autor é parceiro ou ex-parceiro da vítima

• Mais de 60% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras.

A campanha busca aproveitar um dos símbolos mais reconhecidos do futebol brasileiro para ampliar a circulação de informações sobre violência contra a mulher. Ao transformar um elemento que esteve no centro das atenções recentemente em espaço para divulgação de dados, a iniciativa procura inserir o tema em conversas impulsionadas pela Copa do Mundo e pela mobilização que tradicionalmente acompanha o Mundial de seleções.

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