Coluna

Conexão Umbilical: Por que o esporte é um poderoso veículo de mídia orgânico

O que acontece em Nova York com o New York Knicks e durante a Copa do Mundo de 2026 evidencia uma característica única do esporte: a capacidade de criar pertencimento

29 de junho de 2026

3 minutos de Leitura

Eduardo Musa
Eduardo Musa
Eduardo Musa é especialista em marketing e gestão esportiva. Com mais de 14 anos de experiência no mercado, já trabalhou em três Olimpíadas e uma Copa do Mundo.

Nova York está vivendo um fenômeno que nenhuma campanha de marketing bilionária conseguiria replicar artificialmente. No dia 13 de junho passado, o fim de um jejum de 53 anos do New York Knicks na NBA parou a cidade, coincidindo com a atmosfera elétrica da Copa do Mundo de 2026.

O que vemos nas ruas vai muito além do consumo de entretenimento; é a manifestação máxima de pertencimento. Muitos dirão que essa comoção é exclusiva dos “megaeventos” como NBA ou Copa do Mundo. No entanto, o esporte é uma plataforma que entrega o que as marcas mais buscam e raramente encontram: contexto emocional e relevância cultural.

Se descermos a régua para o nível nacional, estadual e municipal, a ligação umbilical entre o fã e o esporte permanece intacta. Senão vejamos um torcedor do América de Natal, para fugirmos do eixo Rio-SP: tenho certeza que ele está curtindo a Copa, alguns podem até ter viajado para ver a final da NBA, mas sem dúvida nenhuma a maior alegria, e talvez o maior desafio do ano, seria ver o “Mecão” subir para a série C em 2026. Essa conexão ignora algoritmos e métricas frias. É a paixão pura.

E a Copa de 2026 nos apresentou um fenômeno social sem precedentes: o goleiro Vozinha, de Cabo Verde. Ele desembarcou no torneio com menos de 40 mil seguidores. Após uma atuação heróica contra a Espanha, em menos de 15 dias, ele já soma mais de 16 milhões de seguidores. O esporte é o único palco capaz de transformar um desconhecido em um ícone global da noite para o dia, movido por uma corrente de empatia que atropela qualquer estratégia de tráfego pago. Como venho defendendo, os clubes e atletas passaram a ser veículos de mídia independentes.

Enquanto grandes marcas globais de consumo (CPG) lutam para manter taxas de engajamento próximas de 0,1% a 0,5% em posts orgânicos, o ecossistema esportivo opera rotineiramente com taxas entre 2% e 5% — um desempenho até 10 vezes superior.

No Brasil, pesquisas indicam que 53% dos torcedores já realizaram compras influenciadas diretamente pelo vínculo emocional com seu clube. Essa diferença abissal ocorre porque o esporte detém a custódia da atenção. Enquanto uma marca precisa “pagar pelo aluguel” da atenção através de anúncios interrompidos, o esporte é a própria atenção.

O torcedor abre a rede social em um estado de recepção ativa. Quando uma marca entra nesse contexto de forma orgânica, demonstrando suporte genuíno ao time ou à modalidade, ela deixa de ser um ruído e passa a ser parte da comunidade. O esporte não é um lugar para apenas estampar logos; é um palco para conquistar as pessoas de forma verdadeira. Em um mundo fragmentado, o esporte é um reduto onde a audiência não apenas assiste, mas sente.

Quem entende que a eficiência de um patrocínio nasce dessa base emocional para de apenas “aparecer” e passa a, de fato, pertencer à vida do seu consumidor.

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