- Copa 2026 leva FIFA a multiplicar em até 22 vezes os preços dos ingressos para arrecadar R$ 15,7 bilhões
- Entidade aposta em valores variáveis para ampliar a receita durante o Mundial de seleções
- Para os jogos do Brasil, na primeira fase, os preços iniciais da Fifa eram em torno do dobro ou do triplo do que se cobrava na Copa do Catar
A FIFA projeta arrecadar US$ 3,017 bilhões (R$ 15,7 bilhões) com a comercialização de ingressos e pacotes de hospitalidade durante a Copa do Mundo 2026. A estimativa representa uma mudança significativa em relação ao último Mundial de seleções e está diretamente ligada à estratégia adotada pela entidade para ampliar as receitas geradas pelo torneio.
Dentro desse cenário, os preços dos bilhetes registraram aumentos expressivos em comparação à Copa do Catar, disputada em 2022. Em alguns casos, os valores chegaram a ser multiplicados em até 22 vezes, segundo apuração do colunista Rodrigo Mattos, do UOL Esporte. A previsão financeira indica que a receita proveniente dessas áreas será seis vezes superior à registrada na edição anterior da competição.
A política de preços foi implementada sob a gestão do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que optou por ampliar os valores cobrados e adotar um sistema de precificação variável. Segundo o dirigente, a decisão considera as características do mercado de entretenimento dos Estados Unidos, um dos países-sede da Copa, além da possibilidade de revenda de ingressos autorizada pela legislação local.
“Nós temos que olhar para o mercado. Nós estamos no mercado em que o entretenimento é mais desenvolvido no mundo, então temos que aplicar taxas de mercado”, declarou o dirigente em maio.
Ingressos para os jogos do Brasil
Os reflexos dessa estratégia já eram percebidos nos preços iniciais das partidas da Seleção Brasileira na fase de grupos. Enquanto no Catar o ingresso mais barato da categoria 3 custava US$ 69, valor que corresponderia a cerca de US$ 79 após correção pela inflação, os bilhetes para os jogos do Brasil nos Estados Unidos passaram a variar entre US$ 155 e US$ 215, dependendo do estádio escolhido. Entre os locais da primeira fase, Nova Jersey apresenta os valores mais elevados.
A diferença tornou-se ainda maior após a aplicação do modelo de preços variáveis utilizado nos Estados Unidos, sistema que não é adotado nas partidas realizadas no México e no Canadá. De acordo com dados do site Ticketdata, especializado no monitoramento dos ingressos da Copa, o bilhete mais barato para Brasil x Marrocos passou a custar US$ 1.740. O valor representa um aumento de 22 vezes em relação ao preço equivalente praticado na Copa de 2022.
O mesmo movimento foi observado em outros confrontos da fase de grupos. Para Brasil x Escócia, o ingresso de menor valor aparece atualmente na faixa de US$ 1.690, enquanto a partida contra o Haiti registra entradas a partir de US$ 989. Os reajustes ocorreram ao longo do último ano e refletem a política de precificação dinâmica adotada pela organização do torneio.
O fenômeno não está restrito aos jogos da primeira fase. Levantamento do The Athletic apontou que 95 dos 108 confrontos da Copa registraram valorização no mercado de revenda entre outubro e abril. Além disso, a Fifa recebe taxas equivalentes a 30% sobre essas negociações, cobrando valores tanto de compradores quanto de vendedores.
Segundo análise de Rodrigo Mattos, o aumento também se repete nas etapas eliminatórias. Nas oitavas de final, os preços iniciais chegaram a triplicar em relação aos praticados no Catar. Os ingressos que partiam de uma faixa entre US$ 220 e US$ 330 passaram a ser negociados atualmente por cerca de US$ 1 mil no mercado.
A tendência segue nas quartas de final, etapa em que os valores de lançamento já eram de três a quatro vezes superiores aos registrados em 2022. Nas semifinais, os preços iniciais também partiram de patamares pelo menos três vezes maiores. Com a aplicação do sistema variável, alguns ingressos dessa fase alcançaram valores próximos a sete vezes os observados no Mundial anterior.
Na decisão do torneio, o crescimento é ainda mais evidente. Considerando as três categorias de ingressos, os preços de lançamento foram quadruplicados em comparação à última Copa. O bilhete mais caro foi fixado em US$ 6.370, enquanto no Catar o valor equivalente era de US$ 1.607.
Com a dinâmica de mercado aplicada pela Fifa, os valores atuais chegam a ser oito vezes superiores para os ingressos mais caros da categoria 1 e até 12 vezes maiores na categoria 3. Dados do Ticketdata apontam que o ingresso mais caro disponível para a final está cotado em US$ 13.383. Em entrevista recente à imprensa de Nova York, o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não compraria bilhetes para a decisão.
FIFA projeta arrecadação recorde
A projeção orçamentária da FIFA prevê aproximadamente US$ 3 bilhões em receitas provenientes de hospitalidade e venda de ingressos na Copa 2026. Pela primeira vez, essa fonte de arrecadação deve superar as receitas de marketing, estimadas em 20% do total, ficando atrás apenas dos direitos de transmissão, responsáveis por cerca de 44% do faturamento esperado do torneio. No Catar, a previsão para hospitalidade e ingressos era de US$ 500 milhões, valor equivalente a um sexto da projeção atual.
A entidade argumenta que os recursos arrecadados serão destinados ao financiamento de programas ligados ao desenvolvimento do futebol, incluindo competições femininas, torneios de categorias de base e iniciativas conduzidas em parceria com federações nacionais.
Além disso, a FIFA estima investir US$ 3,7 bilhões na organização da própria Copa de 2026, abrangendo despesas operacionais, premiações para as seleções participantes e compensações financeiras destinadas aos clubes que cederem atletas convocados.





