Copa do Mundo 2026

Copa de 2026 pode gerar até US$ 500 milhões com pausas para hidratação

FIFA justifica as interrupções pelo bem-estar dos atletas, mas as emissoras aproveitam os intervalos para exibir anúncios, ampliando as receitas geradas pela própria entidade

Foto: Dylan Martinez/Reuters

17 de junho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Copa de 2026 pode gerar até US$ 500 milhões extras com pausas para hidratação
  • FIFA justifica as interrupções pelo bem-estar dos atletas, mas as emissoras aproveitam os intervalos para exibir anúncios, ampliando as receitas geradas pela própria entidade
  • Reinício de partidas chegou a aguardar o término de blocos publicitários

A Copa do Mundo de 2026 marca a primeira edição do torneio com a adoção oficial dos cooling breaks (pausas para hidratação). A FIFA passou a prever interrupções de aproximadamente três minutos em cada tempo das partidas, normalmente por volta dos 22 minutos, com a justificativa de permitir a hidratação e recuperação dos jogadores durante os jogos.

Embora a explicação da entidade esteja ligada às condições dos atletas, as pausas também abriram espaço para uma nova oportunidade comercial nas transmissões. Na prática, os intervalos passaram a funcionar como janelas para a exibição de anúncios pelas emissoras detentoras dos direitos do Mundial, criando um debate sobre os reais impactos da medida dentro e fora de campo.

Entre os críticos do modelo está Jürgen Klopp, ex-treinador e atual diretor global de futebol do grupo Red Bull. O alemão questionou a utilização das paralisações e associou a iniciativa ao aumento da exposição publicitária durante a competição.

“O futebol está sendo mantido refém por executivos em escritórios com ar-condicionado. Essas chamadas ‘pausas para hidratar’ foram vendidas como uma proteção para o bem-estar dos jogadores. Não passam de uma gaiola dourada construída para os patrocinadores”, declarou Klopp.

“Quem a Copa do Mundo realmente serve? A torcida? Os jogadores? Ou os anunciantes?. Uma partida da Copa do Mundo deveria fluir como um rio. Em vez disso, construímos barragens no meio para que os anúncios passem por elas”, completou.

Segundo o portal DROPS, a ampliação da Copa para 104 partidas criou um volume adicional de 624 minutos disponíveis para publicidade ao longo do torneio. O estudo aponta que cada inserção comercial de 30 segundos estaria sendo comercializada por cerca de US$ 400 mil, o que poderia representar um potencial de monetização próximo de US$ 500 milhões em receitas extras com os anúncios.

O portal também destacou que os valores seguem abaixo dos praticados no Super Bowl, principal evento esportivo dos Estados Unidos. Na decisão da NFL, um espaço publicitário de 30 segundos pode alcançar cerca de US$ 8 milhões.

Ainda assim, a audiência global da Copa do Mundo continua sendo um atrativo relevante para o mercado. Como comparação, o DROPS citou que a partida entre Brasil e Marrocos foi acompanhada por aproximadamente 200 milhões a 250 milhões de espectadores, enquanto a final mais recente da NFL reuniu cerca de 130 milhões de pessoas.

A discussão ganhou força porque as pausas passaram a exercer uma função que vai além da hidratação dos atletas. Nas primeiras partidas da Copa, os intervalos de aproximadamente três minutos foram utilizados pelas emissoras para a exibição de blocos comerciais durante o andamento do jogo.

Na prática, o reinício das partidas nem sempre ocorreu imediatamente após jogadores e árbitros estarem prontos para a retomada. Em alguns confrontos do Mundial, o retorno da bola foi sincronizado com o encerramento dos intervalos publicitários exibidos pela televisão.

Capitão da Holanda, Virgil van Dijk também se manifestou sobre o tema. O defensor afirmou que as pausas deveriam ser adotadas apenas quando as condições climáticas realmente justificassem a interrupção. Na avaliação do zagueiro, a utilização automática do recurso tem impacto no ritmo das partidas e prejudica a experiência de quem acompanha os jogos nos estádios e pelas transmissões.

Enquanto a FIFA sustenta que a medida busca oferecer melhores condições físicas aos atletas, o debate sobre o uso dos cooling breaks segue aberto. De um lado, a entidade defende a iniciativa como uma questão operacional e de bem-estar. Do outro, jogadores e profissionais do futebol questionam o efeito das interrupções no espetáculo e o crescimento dos espaços comerciais dentro dos confrontos.

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