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Copa do Mundo de 2026 registra recorde histórico de jogadores nascidos no exterior

Expansão das regras de elegibilidade da FIFA e o fortalecimento da diáspora impulsionam recorde histórico de atletas nascidos no exterior no Mundial.

Foto: Mauro Pimentel/AFP

17 de junho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • 289 jogadores disputarão a Copa do Mundo de 2026 por uma seleção diferente do país onde nasceram.
  • Curaçao lidera o ranking, com 25 atletas nascidos no exterior, seguido por República Democrática do Congo (20) e Marrocos (19).
  • O fenômeno cresce em 2006, apenas 9% dos convocados defendiam uma seleção diferente do país de nascimento.

A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história antes mesmo da bola rolar. Pela primeira vez, o principal torneio de seleções do planeta reúne 48 países e 1.248 jogadores, tornando-se a maior edição já realizada pela FIFA. Além da expansão do número de participantes, outro fenômeno chama a atenção: o crescimento recorde de atletas que defendem uma seleção diferente do país onde nasceram.

Levantamento do Front Office Sports aponta que 289 dos 1.248 jogadores inscritos atuam por uma seleção diferente de seu país de nascimento. O número representa 23,2% dos atletas presentes no Mundial (praticamente um em cada quatro jogadores) e estabelece um novo recorde na história da competição. O contraste é evidente quando comparado à Copa do Mundo de 2006, quando apenas 9% dos convocados defendiam outra seleção.

O crescimento está diretamente ligado às mudanças nas regras de elegibilidade da FIFA e ao fortalecimento das comunidades da diáspora. Hoje, diversos países aproveitam jogadores que nasceram e foram formados em grandes centros do futebol europeu, mas possuem direito de representar outra nação por conta da nacionalidade de seus pais ou avós.

Marrocos se tornou o principal símbolo dessa transformação. Na partida contra o Brasil, a seleção marroquina escalou 11 titulares nascidos fora do país, tornando-se a primeira equipe da história das Copas do Mundo a iniciar um jogo com todos os jogadores nascidos no exterior.

A estratégia não é exclusiva dos marroquinos. Seleções como Senegal, Argélia, Tunísia, República Democrática do Congo e Turquia também ampliaram o investimento na identificação de atletas com dupla nacionalidade, muitos deles formados nas categorias de base de clubes da França, Espanha, Bélgica, Holanda e Inglaterra.

Essa tendência ganhou ainda mais força após a FIFA flexibilizar, em 2021, as regras para mudança de seleção. Desde então, jogadores que disputaram poucas partidas oficiais pela seleção principal de um país passaram a poder defender outra nação, desde que cumpram os critérios de elegibilidade estabelecidos pela entidade.

O impacto dessa política vai além das seleções consideradas emergentes e também afeta as grandes potências do futebol mundial. A Inglaterra, por exemplo, poderia contar com nomes como Erling Haaland, Michael Olise e Antoine Semenyo, todos elegíveis em algum momento para defender os ingleses, mas que optaram por representar Noruega, França e Gana, respectivamente.

O cenário mostra que a disputa entre as federações deixou de acontecer apenas dentro das quatro linhas. Cada vez mais, o trabalho de observação, convencimento e planejamento de longo prazo para atrair jogadores com dupla nacionalidade tornou-se uma estratégia fundamental para a montagem de elencos competitivos.

A edição de 2026 evidencia como a globalização do futebol vem transformando o perfil das seleções nacionais. Em muitos casos, os vínculos familiares e culturais passaram a ser tão importantes quanto o local de nascimento, tornando o Mundial mais diverso e competitivo do que nunca.

Além de ampliar a diversidade do torneio, esse movimento também contribui para aumentar o equilíbrio técnico entre as seleções. Países que historicamente tinham menor tradição em Copas do Mundo passaram a contar com atletas formados nas principais ligas europeias, reduzindo a diferença para as potências do futebol mundial e elevando o nível de competitividade da competição. O resultado é uma Copa do Mundo cada vez mais imprevisível, com seleções emergentes capazes de desafiar e até superar favoritas ao título.

Seleções com mais jogadores nascidos no exterior na Copa do Mundo de 2026:

  • Curaçao — 25 jogadores
  • República Democrática do Congo — 20 jogadores
  • Marrocos — 19 jogadores
  • Bósnia e Herzegovina — 17 jogadores
  • Argélia — 16 jogadores
  • Haiti — 16 jogadores
  • Tunísia — 15 jogadores
  • Catar — 14 jogadores
  • Canadá — 13 jogadores
  • Estados Unidos — 13 jogadores
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