Entre os anos 90 e meados dos anos 2000, os filmes de surf ocuparam um papel fundamental na cultura do esporte, influenciando o comportamento, as tendências e o consumo da época. Clipes de viagens, documentários e vídeos gravados dentro e fora d’água deixaram de ser apenas recordações para se tornarem formas de expressão, ajudando a moldar a percepção do que reconhecemos como “a cultura surfista” atualmente.
Filmes cheios de energia, trilhas sonoras aceleradas, manobras radicais e praias paradisíacas transmitiam ao público a emoção de surfar ondas gigantes, ir à praia antes do sol nascer e vivenciar novas experiências com seus amigos. A linguagem audiovisual criada pelos filmes de surf impactou a comunidade em sua forma de agir, falar, vestir, surfar e até pensar. As produções também foram importantes para consagrar lendas do surf mundial, como Kelly Slater e Mason Ho, que, dentro ou fora das competições, continuaram inspirando e transmitindo a essência do esporte através de filmes.
Da mesma forma, as marcas encontraram uma maneira de comunicar, posicionar e construir valor por meio dessas produções; além da exposição de logos e produtos, os filmes permitiam associá-las a atletas e estilos de vida conectados a atributos como liberdade, autenticidade e conexão com a natureza.
No final dos anos 2000, com a popularização do Youtube e das redes sociais, os filmes também se adaptaram aos novos formatos: clipes diários, melhores momentos e Vlogs passaram a fazer parte dos conteúdos. Ainda assim, continuaram entregando autenticidade, posicionamento e aproximação com o público, porém, para se destacar, tornou-se necessário criar produções diferenciadas, com novas narrativas e formatos para captar a disputada atenção do público.
Na linguagem atual, os filmes passaram por novas transformações, como a verticalização da produção. Para se adaptar aos formatos das redes sociais e da tela dos celulares, muitos passaram a ser filmados e editados na vertical, com cortes e edições rápidas. O foco, praticamente completo no surfista, reduziu o visual que sempre foi tão característico de um filme de surf. Com todas essas mudanças, o mais interessante é notar a busca por equilíbrio entre os formatos tradicionais e atuais.
Atletas como Italo Ferreira e Filipe Toledo, e marcas como Red Bull e WSL, utilizam diferentes formatos e linguagens para se conectar com diferentes públicos: nas redes sociais, conteúdos performáticos e rápidos; no Youtube, vídeos longos e bastidores; nos filmes, takes paradisíacos,muitas ondas surfadas e produções audiovisuais artísticas. Se, por um lado, consistência digital é valorizada e o conteúdo é um ativo comercial, por outro, há a necessidade de fomentar a construção de narrativas e conexões emocionais que sustentam a cultura do surf.
Neste cenário, diferentes formatos podem coexistir e se complementar para aprofundar a conexão entre diferentes públicos e o esporte.







