- O Corinthians encerrou uma semana marcada pela saída de três ex-presidentes de seu quadro associativo.
- Augusto Melo foi expulso pelo Conselho Deliberativo após processo conduzido pelo Conselho de Ética.
- Andrés Sanchez teve sua exclusão aprovada, enquanto Duilio Monteiro Alves renunciou ao título de sócio antes de ser julgado.
O Corinthians viveu uma sequência incomum em sua história política. Em um intervalo de apenas sete dias, três ex-presidentes deixaram de integrar o quadro associativo do clube por motivos distintos, ampliando o cenário de tensão institucional que marca os bastidores alvinegros nos últimos meses.
O caso mais recente envolve Augusto Melo. O ex-presidente teve sua expulsão aprovada pelo Conselho Deliberativo em reunião realizada nesta segunda-feira (1º), na sede social do Parque São Jorge. Segundo informações divulgadas pelo portal Meu Timão, 156 conselheiros participaram da votação, com 147 votos favoráveis à exclusão, cinco contrários e quatro abstenções.
Embora o nome de Augusto Melo esteja associado às investigações envolvendo o contrato de patrocínio máster firmado com a VaideBet, a decisão não teve relação direta com o caso. O processo analisado pelos conselheiros teve origem nos acontecimentos registrados em 31 de maio de 2025, quando um grupo ligado ao então mandatário tentou invalidar o processo de impeachment conduzido pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.
A apuração realizada pelo Conselho de Ética concluiu que o ex-dirigente cometeu infração considerada gravíssima pelos regulamentos internos da entidade. Diante do parecer, o órgão recomendou a expulsão do associado, decisão posteriormente ratificada pelo Conselho Deliberativo.
A sessão também previa a análise da situação de outros envolvidos nos episódios ocorridos durante a tentativa de contestação do impeachment. Entre eles estava Maria Ângela de Souza Ocampos, então primeira-secretária do Conselho Deliberativo e uma das principais aliadas de Augusto Melo. O julgamento, porém, acabou sendo adiado após solicitação da própria dirigente por motivos de saúde.
Antes da votação, a defesa de Augusto Melo tentou suspender o processo. O pedido, conduzido pelo advogado Ricardo Jorge, não prosperou, e a reunião seguiu sob comando de Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.
Saídas em sequência
A exclusão de Augusto Melo ocorreu poucos dias depois de outra decisão relevante nos bastidores do Corinthians. Na semana passada, o Conselho Deliberativo aprovou a expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez em razão de denúncias relacionadas ao uso irregular do cartão corporativo do clube para despesas pessoais.
Poucos dias mais tarde, outro ex-mandatário passou a figurar no centro das discussões políticas da agremiação. Duilio Monteiro Alves, que também era alvo de um processo interno envolvendo supostas irregularidades na utilização do cartão corporativo, optou por renunciar ao título de sócio remido antes que seu caso fosse levado à votação.
Com a renúncia, Duilio deixou de integrar o quadro associativo do Corinthians e não será submetido ao julgamento que poderia resultar em sua expulsão.
Fim de um ciclo político
As saídas de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves também simbolizam o enfraquecimento da Renovação e Transparência, grupo político que comandou o Corinthians entre 2007 e 2023. A hegemonia da corrente foi encerrada após a vitória de Augusto Melo nas eleições presidenciais realizadas em 2023.
Agora, mesmo pertencendo a grupos políticos distintos, os três últimos presidentes do Corinthians deixaram de fazer parte do quadro social do clube em um dos períodos mais conturbados da história recente da instituição.





