- Fifa apaga quase 400 mil mensagens abusivas desde o início da Copa 2026 e lança campanha de combate ao ódio
- Entidade exclui publicações agressivas e reforça posicionamento em campo
- Mundial com 48 seleções e predominância da língua inglesa alteram a dinâmica de moderação das contas públicas
A Copa do Mundo de 2026 começou com uma ofensiva direta contra o discurso de ódio na internet. Logo nas primeiras semanas do Mundial de seleções, a Fifa apagou aproximadamente 400 mil mensagens contendo teor abusivo direcionadas aos participantes do torneio. Os registros superam o volume completo de intervenções efetuadas ao longo de toda a Copa realizada no Catar, no ano de 2022.
Essa iniciativa decorre diretamente do serviço de proteção nas redes sociais, mecanismo desenvolvido pela própria federação internacional para blindar os perfis oficiais dos jogadores profissionais. O sistema opera rastreando as interações em tempo real e executando a ocultação ou a remoção definitiva de textos violentos antes mesmo que os destinatários ou o público em geral tomem conhecimento do conteúdo publicado.
A iniciativa ganhou visibilidade prática no gramado em 18 de junho, data que corresponde ao Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio. Na ocasião, as oito seleções que disputaram as partidas da rodada manifestaram apoio à causa por meio de seus capitães.
Os jogadores das seleções de República Tcheca, África do Sul, México, Coreia do Sul, Suíça, Bósnia e Herzegovina, Canadá e Catar realizaram o intercâmbio de flâmulas com a mensagem institucional contra a discriminação redigida em inglês e nas línguas nativas de cada federação com a seguinte mensagem: “Jogamos juntos. Lutamos contra o ódio”. Telões e sistemas de som dos complexos esportivos também reproduziram avisos coordenados para potencializar o impacto do protesto junto aos torcedores.
A Fifa informou que mais de 30 milhões de mensagens ofensivas já foram deletadas desde o início do projeto, instituído há quatro anos. A forte elevação das incidências verificada neste ano está ligada diretamente à reestruturação da própria Copa do Mundo.
Com a entrada de 48 delegações na disputa e o agendamento de 104 confrontos no calendário, o volume absoluto de interações nos canais oficiais de comunicação cresceu de maneira proporcional.
A pulverização dos horários das partidas contribui para esse cenário de vigilância permanente, uma vez que a distribuição das rodadas em diferentes faixas do dia distribui a audiência global em um regime ininterrupto de engajamento virtual. Dessa forma, as plataformas digitais enfrentam uma circulação de dados constante, sem picos isolados ou momentos de calmaria.
De acordo com a entidade, a centralização geográfica da competição exerce influência direta sobre o comportamento dos usuários na internet. O fato de o torneio ocorrer prioritariamente em territórios com forte presença da língua inglesa facilita a proliferação das menções nas plataformas digitais. Esse idioma concentra o maior tráfego de mensagens em escala global, o que acelera as métricas detectadas pelas ferramentas de inteligência da Fifa.





