A Copa do Mundo de 2026 reúne 48 seleções e também apresenta uma disputa paralela longe dos gramados: a batalha entre as marcas de material esportivo. Embora Adidas, Nike e Puma mantenham amplo domínio sobre o mercado e sejam responsáveis pelos uniformes da maioria das equipes participantes, a atual edição do torneio registra uma presença maior de fabricantes regionais e empresas de menor alcance internacional.
As três gigantes do setor vestem juntas 37 seleções, o equivalente a cerca de três quartos dos participantes do Mundial. A Adidas lidera a distribuição de contratos, seguida por Nike e Puma. Ainda assim, a ampliação da Copa abriu espaço para que outras empresas conquistassem visibilidade em um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Entre as fornecedoras fora do chamado “Big 3”, a Kelme é a única presente em mais de uma seleção. A empresa espanhola fornece os uniformes da Jordânia e da Bósnia e Herzegovina, ampliando sua exposição internacional em um torneio que tradicionalmente concentra espaço nas mãos de poucas marcas.
Outras fabricantes chegam ao Mundial por meio de acordos individuais. É o caso da Umbro, que aparece vinculada à República Democrática do Congo. A tradicional marca inglesa mantém presença em grandes competições mesmo distante do protagonismo comercial que exerceu em décadas anteriores.
A italiana Kappa também preserva sua relação com a Tunísia. A parceria entre as partes atravessou mais um ciclo de Copa do Mundo após ter sido iniciada em 2019, garantindo continuidade à estratégia da seleção africana.
Outro retorno de destaque é o da Reebok. A empresa norte-americana volta a figurar em um Mundial após quase três décadas de ausência. A marca passou a vestir o Panamá em 2023, assumindo o espaço anteriormente ocupado pela New Balance. Sua última participação havia ocorrido na Copa de 1998, quando estampava seu logotipo nos uniformes de Chile, Paraguai e Colômbia.
O Iraque chega à competição equipado pela alemã Jako, fornecedora que retomou sua relação com a federação local após uma passagem anterior entre 2017 e 2020. A empresa fortaleceu sua presença no Oriente Médio, embora tenha perdido recentemente outro parceiro importante da região.
Classificado pela primeira vez para uma Copa do Mundo, o Uzbequistão optou por seguir um caminho diferente. Em vez de buscar um acordo com gigantes internacionais, a federação local fechou parceria com a 7Saber, marca nacional que ganhou projeção após a inédita vaga no torneio. A decisão chamou atenção no mercado, já que havia expectativa de uma aproximação com Adidas, Nike ou Puma.
A valorização de fornecedores locais também aparece na América do Sul. O Equador continua sua longa relação com a Marathon, iniciada ainda na década de 1990. Trata-se de um dos vínculos comerciais mais duradouros entre uma seleção participante da Copa e sua fornecedora de material esportivo.
Situação semelhante ocorre com o Irã, que utiliza uniformes produzidos pela Majid, empresa fundada pelo ex-jogador Majid Saedifar. A companhia representa um raro exemplo de marca nacional que consegue manter presença em uma competição dominada por multinacionais do setor.
Entre os estreantes, a Capelli Sport aproveita a histórica classificação de Cabo Verde para fazer sua primeira aparição em uma Copa do Mundo. Fundada em Nova York, a empresa acompanhará a seleção africana em sua estreia absoluta no torneio.
Outra novata é a colombiana Saeta, responsável pelos uniformes do Haiti. O retorno haitiano à Copa acontece após mais de meio século de ausência e já trouxe visibilidade à fornecedora, que enfrentou um episódio de repercussão internacional antes mesmo do início da competição.
A Fifa solicitou alterações em um dos modelos desenvolvidos pela marca após considerar que elementos gráficos presentes na camisa poderiam ser interpretados como manifestação política. O uniforme fazia referência a Toussaint Louverture, figura central da Revolução Haitiana, retratada em uma obra do artista Edouard Duval-Carrié.





