- As pausas para hidratação no 22º minuto de cada tempo seguem gerando discussões durante a Copa do Mundo de 2026.
- Gianni Infantino defendeu a medida e afirmou que o objetivo é preservar a condição física dos atletas e padronizar as condições de jogo.
- Críticos apontam que as interrupções também abriram espaço para novas receitas publicitárias nas transmissões do torneio.
As paradas para hidratação implementadas em todas as partidas da Copa do Mundo de 2026 continuam entre os temas mais debatidos do torneio. Diante das críticas recebidas nas últimas semanas, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, voltou a defender a medida e negou que a decisão tenha sido motivada por interesses financeiros da entidade.
Diferentemente de edições anteriores do Mundial, as partidas deste ano contam com interrupções programadas no 22º minuto de cada tempo. A iniciativa tem provocado reações divididas entre torcedores, atletas e profissionais do futebol. Enquanto parte do público considera a medida necessária diante das condições climáticas enfrentadas em algumas cidades-sede, outros questionam o impacto das pausas no ritmo dos jogos.
Segundo Infantino, o principal fator levado em consideração pela FIFA foi o desgaste físico dos jogadores ao longo de uma competição que dura 39 dias e pode exigir até oito partidas de uma mesma seleção.
Além da questão climática, o dirigente argumenta que as interrupções ajudam a criar um ambiente competitivo mais equilibrado. Na avaliação da entidade, permitir momentos de orientação técnica apenas em determinadas partidas, por causa de temperaturas mais elevadas, poderia gerar vantagens circunstanciais para algumas equipes.
Mesmo com essa justificativa, as pausas têm encontrado resistência nos estádios. Em diversos jogos do torneio, torcedores reagiram com vaias quando o cronômetro foi interrompido para a hidratação dos atletas.
O debate ganhou ainda mais força por causa dos impactos comerciais gerados pela mudança. Com a criação de uma janela fixa durante cada etapa dos jogos, emissoras passaram a contar com espaços adicionais para inserções publicitárias de maior duração.
Nos Estados Unidos, por exemplo, estimativas publicadas pelo Sport Business Journal indicam que a Fox Sports poderá arrecadar entre US$ 250 milhões e US$ 600 milhões com a venda de publicidade vinculada a esses intervalos ao longo da competição.
Apesar dos números expressivos projetados para o mercado de mídia, Infantino insiste que a FIFA não obteve receitas extras com a medida. De acordo com o dirigente, os contratos comerciais relacionados à Copa do Mundo já haviam sido fechados anteriormente, sem qualquer relação com a criação das pausas para hidratação.
A discussão evidencia como decisões tomadas sob argumentos esportivos podem produzir reflexos relevantes no ecossistema comercial do futebol. Enquanto a FIFA sustenta que o objetivo é proteger os atletas e garantir igualdade de condições entre as seleções, o debate sobre os benefícios econômicos gerados pelas interrupções segue acompanhando a competição.





