- Japão: o que esperar do próximo adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026
- Organização tática, eficiência ofensiva e força coletiva colocam os Samurais Azuis como um desafio para a Seleção Brasileira na fase de 16 avos de final
- Japoneses chegam ao mata-mata embalados por campanha consistente e mantêm projeto de longo prazo para alcançar protagonismo no futebol mundial
O Brasil já conhece seu primeiro adversário no mata-mata da Copa do Mundo de 2026. Líder do Grupo C após empatar por 1 a 1 com Marrocos e vencer Haiti e Escócia por 3 a 0, a equipe comandada por Carlo Ancelotti enfrentará o Japão na próxima segunda-feira, às 14h (horário de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, pela fase de 16 avos de final, etapa criada com a ampliação do Mundial para 48 seleções.
Para ajudar o leitor a entender o que esperar do confronto, o MKTEsportivo preparou uma análise especial sobre a seleção japonesa, que chega embalada e promete exigir atenção da Amarelinha.
Os Samurais Azuis garantiram a classificação na vice-liderança do Grupo F depois de empatar por 2 a 2 com a Holanda, golear a Tunísia por 4 a 0 e ficar no 1 a 1 com a Suécia. Os resultados reforçam a evolução apresentada pela equipe nos últimos anos e indicam que o Brasil terá pela frente um rival competitivo. O alerta aumenta quando se lembra que, em um dos últimos amistosos antes da Copa do Mundo, os japoneses derrotaram a Seleção Brasileira por 3 a 2, de virada, resultado que evidenciou a capacidade da equipe de reagir mesmo diante de adversários tradicionais.
Os pontos fortes dos Samurais Azuis
A principal característica da seleção japonesa está longe de depender de um único jogador. Diferentemente de outras seleções que concentram seu desempenho em grandes estrelas, o Japão construiu sua identidade a partir da organização coletiva. A equipe mantém disciplina tática, intensidade durante toda a partida e um nível de comprometimento que permite competir em alto nível mesmo diante de adversários tecnicamente superiores. O funcionamento do conjunto costuma compensar a ausência de nomes com grande protagonismo internacional.
Essa evolução passa diretamente pelo trabalho de Hajime Moriyasu. No comando desde julho de 2018, o treinador de 57 anos tornou-se o primeiro técnico a dirigir o Japão em duas Copas do Mundo consecutivas. Ao longo desse período, conseguiu promover a renovação do elenco sem perder competitividade, incorporando jovens jogadores e mantendo uma estrutura tática consistente. Sua equipe demonstra capacidade para variar o comportamento durante as partidas, alternando momentos de pressão alta com linhas mais baixas e rápidas transições ofensivas.

A versatilidade também aparece na maneira como os japoneses administram a posse de bola. O esquema 3-4-2-1 tem sido utilizado como base, explorando os alas tanto na construção das jogadas quanto na recomposição defensiva. Mesmo quando permanece menos tempo com a bola, a seleção consegue ser competitiva. Em partidas recentes, incluindo vitórias sobre Brasil e Inglaterra, atuou com aproximadamente 30% de posse, mas mostrou eficiência ao aproveitar os espaços oferecidos pelos adversários.
Essa objetividade aparece também nos números. Segundo dados do Gato Mestre, do ge, o Japão apresenta uma das melhores eficiências ofensivas desta Copa do Mundo, marcando um gol a cada 3,71 finalizações. Apenas Noruega (3,43) e Portugal (3,67) registram desempenho superior nesse fundamento. A estatística reforça uma equipe que costuma criar menos oportunidades do que outras potências, mas converte boa parte das chances construídas, fator que exige concentração defensiva durante os 90 minutos.
Olho nos destaques individuais
Embora o coletivo seja a principal virtude, alguns jogadores merecem atenção especial. Ayase Ueda vive bom momento e aparece entre os atletas com maior expectativa de gols da competição, formando um setor ofensivo eficiente ao lado de Daizen Maeda. Outro nome importante é Daichi Kamada, que também apresenta índices elevados de participação nas finalizações e se tornou peça importante na criação das jogadas, assim como Keito Nakamura.

Junya Ito segue como referência nas bolas paradas e costuma ser importante em cobranças de escanteios e faltas laterais. No gol, Zion Suzuki ganhou destaque na fase de grupos após grandes defesas, especialmente no empate diante da Suécia, quando evitou a derrota em diferentes momentos da partida. Já Takefusa Kubo continua sendo considerado um dos jogadores mais talentosos de sua geração, embora sua presença contra o Brasil ainda seja cercada de dúvidas após a lesão sofrida na estreia diante da Holanda.
Outro personagem importante do elenco é Yuto Nagatomo. Aos 39 anos, o lateral tornou-se o primeiro atleta da história da seleção japonesa a disputar cinco edições de Copa do Mundo, acumulando participações nos torneios de 2010, 2014, 2018, 2022 e agora em 2026. Sua experiência contribui para equilibrar um grupo que reúne jogadores veteranos e jovens em ascensão.
Os pontos de atenção da seleção japonesa
Apesar da campanha consistente na fase de grupos, os Samurais Azuis também chegam ao mata-mata com desafios importantes. A preparação para a Copa do Mundo foi marcada por problemas físicos que reduziram as opções de Hajime Moriyasu. Três jogadores considerados titulares ficaram fora da competição por lesão: o volante Wataru Endo, do Liverpool, o atacante Takumi Minamino, do Monaco, e o ponta Kaoru Mitoma, do Brighton. Mesmo sem esse trio, a equipe conseguiu manter o nível de atuação, evidenciando a força do elenco e do trabalho coletivo.
Além dos desfalques confirmados, o departamento médico ainda monitora outros atletas. O zagueiro Ko Itakura deixou o empate contra a Suécia ainda no primeiro tempo após sentir dores e segue como dúvida para enfrentar o Brasil. A situação de Takefusa Kubo também inspira cuidados desde a lesão sofrida na estreia diante da Holanda. Caso ambos não tenham condições de atuar, a seleção japonesa perde qualidade tanto na saída de bola quanto na criatividade do setor ofensivo.
O possível time que deve começar o jogo contra o Brasil: Suzuki; Watanabe (Tomiyasu), Itakura (Taniguchi), Hiroki Ito; Doan, Sano, Tanaka, Nakamura; Kamada, Junya Ito (Maeda); Ueda.

Mesmo demonstrando organização em praticamente todos os setores, a equipe apresenta algumas vulnerabilidades que podem ser exploradas. A principal delas aparece nas jogadas aéreas. Parte dos gols sofridos durante a fase de grupos aconteceu em cruzamentos e bolas paradas, especialmente em finalizações de cabeça. Esse aspecto pode favorecer a Seleção Brasileira, que conta com jogadores fortes nesse fundamento e costuma levar perigo quando utiliza os lados do campo.
A evolução construída ao longo de duas décadas
A consistência apresentada pelo Japão nesta Copa não surgiu por acaso. Ano após ano, a seleção asiática vem demonstrando crescimento técnico, tático e estrutural, resultado de um planejamento iniciado há mais de duas décadas. Em 2005, a Federação Japonesa de Futebol lançou o projeto “JFA 2050 Dream”, estabelecendo como objetivo transformar o país em campeão mundial até 2050.
Para alcançar essa meta, o investimento foi direcionado à formação de atletas, ao fortalecimento das categorias de base, à qualificação de treinadores e ao desenvolvimento da J-League. O objetivo sempre foi criar um modelo sustentável de crescimento, reduzindo a dependência de talentos individuais e fortalecendo uma identidade de jogo baseada na organização coletiva, característica que hoje marca a seleção comandada por Moriyasu.

Esse planejamento ajuda a explicar por que o Japão consegue manter competitividade mesmo diante de ausências importantes. A renovação do elenco acontece de forma natural, com novos jogadores assumindo protagonismo sem que a equipe perca sua identidade. Trata-se de um processo construído ao longo dos anos, que vem aproximando os japoneses das principais seleções do cenário internacional.
O desafio que ainda precisa ser superado
Se a evolução técnica é evidente, o principal obstáculo agora está no aspecto mental. Embora tenha acumulado boas campanhas nas fases de grupos das últimas edições da Copa do Mundo, o Japão ainda busca quebrar uma barreira histórica: nunca venceu uma partida de mata-mata no torneio. Nas quatro oportunidades em que alcançou essa etapa, acabou eliminado antes de avançar às quartas de final.
O histórico reforça esse desafio. A seleção japonesa também detém a marca de maior número de partidas disputadas em Copas do Mundo sem jamais alcançar as quartas de final. São 25 jogos na competição e nenhuma presença entre as oito melhores seleções do planeta, um retrospecto que mostra o quanto o próximo compromisso representa uma oportunidade importante para o futebol japonês.
Brasil terá um adversário que exige atenção
Todos esses fatores indicam que o Brasil encontrará um rival ainda mais forte do que a Copa anterior, onde os asiáticos derrotaram a Alemanha e a Espanha. Organizado, disciplinado e eficiente quando cria oportunidades, o Japão reúne características capazes de dificultar a vida de qualquer seleção. A vitória sobre os brasileiros em um amistoso em outubro do ano passado serve como um lembrete de que a equipe sabe competir contra adversários de alto nível e não depende de dominar a posse de bola para ser perigosa.

Ao mesmo tempo, a Seleção Brasileira chega ao mata-mata apresentando evolução sob o comando de Carlo Ancelotti. Depois do empate diante de Marrocos, a equipe respondeu com atuações consistentes contra Haiti e Escócia, demonstrando crescimento coletivo, maior equilíbrio defensivo e um futebol mais dinâmico.
Diante dos Samurais Azuis, porém, somente a qualidade técnica não deverá ser suficiente. Será necessário manter intensidade, concentração e eficiência durante toda a partida para superar uma seleção que transformou organização e trabalho de longo prazo em suas principais virtudes.





