- Marrocos: o que esperar do primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo 2026
- Quarto colocado no Mundial de 2022, a seleção africana acumula três títulos recentes e sequência de 29 jogos sem derrota
- Brahim Díaz e Achraf Hakimi lideram uma geração que colocou o futebol marroquino em evidência no cenário internacional
A Seleção Brasileira fará sua estreia na Copa do Mundo 2026 neste sábado (13) em Nova Jersey, nos Estados Unidos, diante de um adversário que chega cercado de expectativas. Quarto colocado no Mundial de 2022, o Marrocos protagonizou a melhor campanha de uma seleção africana na história da competição e desembarca para mais uma Copa em um momento de confiança, acumulando 29 partidas sem derrota.
Pensando nisso, o MKTEsportivo preparou um guia especial para apresentar o primeiro rival do Brasil na competição (Escócia e Haiti completam o Grupo C). Se o torcedor ainda não acompanhou de perto a evolução da seleção marroquina nos últimos anos, a estreia do Mundial será uma boa oportunidade para conhecer uma equipe que se consolidou entre as mais competitivas fora do eixo tradicional do futebol mundial.
Evolução recente da seleção

A ascensão de Marrocos não começou nesta Copa. Logo após a histórica campanha no Catar, a equipe mostrou que o desempenho não havia sido fruto de uma geração isolada. Curiosamente, o primeiro amistoso disputado pelo Brasil depois da eliminação no Mundial de 2022 foi justamente contra os marroquinos, que venceram por 2 a 1.
Desde então, os caminhos das seleções seguiram trajetórias distintas. Enquanto o Brasil passou por muitas mudanças no comando técnico, com passagens de Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior antes da chegada de Carlo Ancelotti em maio de 2025, Marrocos manteve boa parte da estrutura construída nos últimos anos.
Ainda assim, mudanças aconteceram recentemente. Após um período de desgaste interno e pressão da torcida, Walid Regragui deixou o comando da seleção em março, levando a federação marroquina a promover uma importante mudança a apenas três meses da Copa. A federação optou por promover Mohamed Ouahbi, treinador que vinha conduzindo a equipe sub-20. Mesmo com a troca no banco de reservas, os resultados seguiram aparecendo.
A seleção não perde desde agosto do ano passado e conquistou três títulos neste período: o Campeonato Africano de Nações, a Copa Árabe e a Copa das Nações Africanas. Esta última teve uma decisão cercada por controvérsias. Nos acréscimos da prorrogação, com o placar ainda zerado, o árbitro assinalou um pênalti para Marrocos após revisão do VAR.
Revoltada com a marcação, a comissão técnica de Senegal orientou os jogadores a deixarem o gramado. Cerca de 15 minutos depois, a equipe retornou. Na sequência, Brahim Díaz desperdiçou a cobrança, e Senegal venceu por 1 a 0. Posteriormente, porém, a Confederação Africana de Futebol (CAF) revisou o caso, puniu os senegaleses pelo abandono de campo e homologou o título para Marrocos por W.O.
Apesar da polêmica na Copa das Nações, os números ajudam a explicar o momento vivido pelos marroquinos. Desde o início de 2023, a equipe disputou 58 partidas, a quarta maior quantidade entre os participantes da Copa do Mundo. No mesmo período, registrou aproveitamento de 82,2%, o segundo melhor do torneio, além do melhor saldo de gols, com 98 tentos de diferença. Defensivamente, também se destaca ao sofrer apenas 0,43 gol por jogo e passar sem ser vazada em quase dois terços das partidas.
A consistência voltou a aparecer no último compromisso antes da estreia no Mundial. Diante da Noruega, liderada por Haaland, Marrocos empatou por 1 a 1. A equipe africana dominou os primeiros minutos, abriu o placar com Brahim Díaz e criou oportunidades para ampliar a vantagem. Com o passar do jogo, perdeu intensidade e permitiu a reação adversária, mas saiu com mais uma atuação que reforçou sua competitividade.
O desempenho agradou ao técnico Mohamed Ouahbi, que assumiu o comando há menos de três meses e soma três vitórias (sobre Paraguai, Burundi e Madagascar) e dois empates (contra Equador e Noruega) em cinco jogos.
“Nem tem tanto o que evoluir. O principal é fazer o que fizemos por períodos mais longos (no jogo). Aí vem o ritmo dos jogos, o calor nos Estados Unidos e os treinos intensos que tivemos. Os jogadores não conseguiram manter a intensidade por 90 minutos hoje, mas mostramos muito. Se conseguirmos reproduzir isso com consistência, estaremos prontos”, projetou o treinador.
Principais jogadores e presença em ligas europeias

A força coletiva ajuda a explicar os resultados recentes, mas Marrocos também conta com atletas de destaque em algumas das principais ligas do planeta. O principal nome é Achraf Hakimi, lateral do PSG e um dos líderes da geração que alcançou a semifinal da Copa de 2022. Além da capacidade defensiva, tornou-se peça importante na construção ofensiva da equipe.
No setor de criação, Brahim Díaz chega como uma das referências técnicas do elenco após temporadas de destaque pelo Real Madrid. Outro jogador experiente é o goleiro Yassine Bounou, conhecido mundialmente como Bono, que ganhou projeção internacional principalmente pelas atuações decisivas na campanha histórica do Catar.
O grupo ainda conta com Sofyan Amrabat, responsável por dar equilíbrio ao meio-campo com sua intensidade física e capacidade de marcação. Já Noussair Mazraoui, que acumulou passagens por Ajax, Bayern de Munique e Manchester United, integra a lista de convocados, embora exista a possibilidade de ser ausência por conta de uma lesão no ombro. Ao redor desses nomes, a seleção reúne uma base consolidada que atua regularmente em centros relevantes do futebol europeu.
Impacto da boa fase no mercado africano
O crescimento esportivo de Marrocos também produziu reflexos fora das quatro linhas. A campanha de 2022 ampliou a visibilidade da seleção no continente africano e fortaleceu o interesse de marcas em associar suas imagens ao futebol da região. O desempenho consistente nos últimos anos contribuiu para o aumento da audiência de jogos da equipe e ajudou a consolidar a federação marroquina como uma das mais influentes do continente.
O sucesso recente também reforçou a posição do país como uma das principais vitrines do futebol africano. O interesse internacional por atletas marroquinos cresceu, assim como a presença da seleção em campanhas publicitárias, acordos comerciais e ativações voltadas ao mercado esportivo. Em um continente que busca ampliar sua participação econômica no futebol global, Marrocos passou a ser frequentemente citado como exemplo de planejamento esportivo aliado ao fortalecimento de marca.
Quando a bola rolar para Brasil e Marrocos, estarão frente a frente duas seleções que chegam ao torneio por caminhos diferentes. Os africanos carregam uma longa sequência sem derrotas, uma base que atua junta há mais tempo, títulos recentes conquistados no continente e a confiança construída desde a última Copa. Do outro lado estará um Brasil comandado por Carlo Ancelotti, com jogadores de alto nível e a tradição de quem ostenta cinco estrelas no uniforme.
Em um Mundial que costuma ser decidido nos detalhes, a tendência é de um duelo equilibrado, estratégico e capaz de oferecer um dos confrontos mais interessantes da primeira rodada.






