- Pausas para hidratação devem elevar o valor dos direitos de TV no Brasil para a Copa de 2030
- Interrupções são obrigatórias em todas as partidas da Copa de 2026 e ampliam o tempo disponível para inserções comerciais nas transmissões
- Globo e CazéTV foram comunicadas sobre a mudança próximo ao anúncio oficial da Fifa
Todos os jogos da Copa do Mundo de 2026 contam com as pausas para a hidratação de forma obrigatória. A Fifa informou que a decisão foi tomada por razões técnicas relacionadas às altas temperaturas previstas durante o Mundial de seleções e tem como objetivo preservar as condições físicas dos atletas, sendo aplicada a todas as seleções participantes.
Embora a justificativa da entidade esteja ligada ao bem-estar dos jogadores, as interrupções também criam novas oportunidades para as emissoras exibirem publicidade durante as transmissões. Com isso, o tempo disponível para inserções comerciais aumenta ao longo das partidas, fator que pode influenciar diretamente a exploração dos direitos de mídia.
Conforme noticiou Rodrigo Mattos, do UOL Esporte, esse modelo contribuirá para a valorização dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 no mercado brasileiro, especialmente após a utilização dessa estrutura em larga escala nos Estados Unidos, México e Canadá.
No Brasil, Globo e CazéTV foram informadas sobre a implementação da nova possibilidade pouco antes do anúncio oficial. A mudança irá interferir no planejamento comercial das transmissoras, já que o modelo de negociação de publicidade no país costuma ser estruturado por pacotes fechados, reduzindo a flexibilidade para comercializar espaços de forma avulsa durante os cooling breaks.
Nos Estados Unidos, o cenário foi diferente. A Fox comercializou todos os intervalos criados pela regra, em um mercado onde cada inserção de 30 segundos foi negociada por cerca de US$ 300 mil. A estimativa é que essa estratégia resulte em aproximadamente US$ 250 milhões em receitas adicionais durante a Copa, valor que representa uma parcela relevante do investimento realizado pela emissora na aquisição dos direitos de transmissão do torneio.
A experiência da Copa de 2026 servirá como referência para as próximas edições do Mundial de seleções. A expectativa é que o potencial de geração de receita durante os intervalos contribua para uma reavaliação dos valores dos direitos de transmissão da Copa de 2030.
Ao mesmo tempo, a Fifa ainda avaliará se manterá a obrigatoriedade das pausas nas futuras competições, já que não há uma definição definitiva sobre a continuidade da medida.
Críticas à pausa para hidratação na Copa do Mundo
Apesar do potencial financeiro, o modelo centralizado de paradas obrigatórias gerou contestações de atletas durante a Copa do Mundo de 2026. O zagueiro e capitão da seleção da Holanda, Virgil van Dijk, criticou publicamente a aplicação fixa da regra após a partida contra o Japão.
O defensor argumentou que as interrupções deveriam ocorrer exclusivamente em função das condições climáticas de cada confronto, e não como um padrão pré-determinado para o torneio. Ele também apontou que o excesso de publicidade inserido nesses intervalos prejudica tanto o ritmo de jogo dos atletas quanto a experiência dos torcedores que acompanham a transmissão.






