- Emissoras têm aproveitado as pausas para hidratação para inserir blocos comerciais durante os jogos.
- A Fifa não definiu uma temperatura mínima para que os intervalos sejam obrigatórios.
- Em algumas partidas, o reinício foi adiado até o término dos anúncios exibidos na televisão.
As pausas para hidratação introduzidas pela Fifa na Copa do Mundo de 2026 ganharam uma função que vai além do cuidado com os atletas. Em diversas partidas, os intervalos de aproximadamente três minutos passaram a servir também como uma nova janela comercial para emissoras detentoras dos direitos de transmissão.
Na prática, a retomada do jogo nem sempre ocorre assim que jogadores e árbitros estão prontos. Em confrontos do Mundial, o reinício foi postergado para coincidir com o encerramento dos blocos publicitários exibidos pela televisão.
Um dos exemplos ocorreu na partida entre Catar e Suíça. O árbitro autorizou a pausa aos 21 minutos e 55 segundos da etapa final, mas a bola voltou a rolar apenas aos 25 minutos e 18 segundos, após o encerramento dos anúncios transmitidos para o público norte-americano.
Situação semelhante foi registrada na estreia do Brasil contra Marrocos. Mesmo com as duas equipes posicionadas para reiniciar a partida, o jogo permaneceu interrompido até o fim do intervalo comercial. A sequência reforçou a percepção de que, em alguns casos, a duração da pausa acompanha o cronograma das transmissões televisivas.
Outro ponto que chama atenção é a ausência de um parâmetro climático obrigatório. A Fifa não estabeleceu uma temperatura mínima para determinar quando as pausas devem ser aplicadas, permitindo que elas ocorram tanto em partidas disputadas sob forte calor quanto em jogos realizados à noite ou em condições mais amenas.
O novo espaço também abriu oportunidades adicionais de exposição para patrocinadores. Além das transmissões dos Estados Unidos, emissoras de outros mercados, como Brasil e Irlanda, utilizaram os minutos de paralisação para veicular campanhas publicitárias. Em uma das pausas do Mundial, por exemplo, houve ativação da Powerade, marca de bebidas esportivas da Coca-Cola.
A estratégia, no entanto, não foi adotada de forma uniforme. Em países como México e Reino Unido, as emissoras optaram por manter a cobertura esportiva durante os intervalos, sem inserir comerciais. Em alguns casos, o público continuou acompanhando imagens do gramado e das orientações das comissões técnicas.
Dentro dos estádios norte-americanos, o novo formato chegou a receber comparações com esportes tradicionais do país. Em algumas arenas, as interrupções foram apelidadas de “fim do quarto”, em referência às pausas características de modalidades como futebol americano e basquete.
Do ponto de vista esportivo, as paradas podem representar uma vantagem em partidas disputadas sob temperaturas elevadas, permitindo hidratação e recuperação física dos atletas. Por outro lado, quando aplicadas em condições climáticas mais favoráveis, elas podem interferir no ritmo do jogo e alterar o momento das equipes.





