Copa do Mundo 2026

Por que Jude Bellingham não foi expulso ao cobrir a boca em Inglaterra x Gana?

Lei Vini Jr. prevê punição apenas quando o gesto ocorre em situações de confronto, discussão ou provocação

Foto: Ulrik Pedersen/NurPhoto via Getty Images

25 de junho de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Por que Jude Bellingham não foi expulso ao cobrir a boca em Inglaterra x Gana?
  • Lei Vini Jr. prevê punição apenas quando o gesto ocorre em situações de confronto, discussão ou provocação
  • Caso envolvendo Miguel Almirón contra a Turquia serviu como referência para aplicação da regra

A orientação adotada pela Fifa para a Copa do Mundo 2026 passou a prever punições para atletas que cubram a boca durante discussões, confrontos ou provocações em campo. A medida busca facilitar o trabalho da arbitragem e das câmeras na identificação de possíveis ofensas ou manifestações consideradas passíveis de punição disciplinar.

A diretriz voltou ao centro das atenções durante o empate entre Inglaterra e Gana, pela segunda rodada do Mundial. Em determinado momento da partida, Jude Bellingham apareceu conversando com Jordan Ayew enquanto cobria a boca, o que gerou questionamentos entre torcedores sobre uma possível aplicação da chamada “Lei Vini Jr.”. Apesar da repercussão, o lance não resultou em qualquer sanção ao jogador inglês.

Isso ocorre porque o gesto, por si só, não leva automaticamente à expulsão. A avaliação considera o contexto da ação e a situação em que ela acontece dentro de campo. No episódio envolvendo Bellingham, a conversa entre os atletas não foi interpretada pela arbitragem como um desentendimento ou uma troca de provocações. Dessa forma, não houve motivo para aplicação de cartão vermelho ou revisão disciplinar.

A diferença pode ser observada em um caso recente envolvendo Miguel Almirón. Durante a partida entre Paraguai e Turquia, o atacante paraguaio cobriu a boca enquanto se dirigia a um adversário em meio a uma discussão. A jogada foi analisada pelo VAR, que recomendou a revisão do lance. Após a avaliação, a arbitragem aplicou o cartão vermelho direto. Posteriormente, a Fifa também julgou o episódio e impôs uma suspensão de um jogo, deixando o atleta fora do terceiro compromisso da seleção paraguaia na fase de grupos.

Antes da abertura da Copa, o presidente do Comitê de Árbitros da Fifa, Pierluigi Collina, explicou como a entidade interpreta a nova orientação. Segundo o dirigente, a análise depende do contexto em que o gesto ocorrer durante as partidas.

“Se a conversa for amigável, podem continuar a fazê-lo sem qualquer problema”, declarou o ex-árbitro italiano.

Entenda o caso

A discussão sobre o tema ganhou força no início do ano, durante o duelo entre Real Madrid e Benfica pela Champions League. Na ocasião, Vini Jr. acusou Gianluca Prestianni de ter cometido injúria racial, visto que o atleta argentino cobriu a boca ao se dirigir a ele durante a partida. Após a investigação do caso, Prestianni recebeu seis jogos de suspensão e, por opção do técnico Lionel Scaloni, não foi convocado para a Copa do Mundo, já que perderia os três embates iniciais.

Diante da repercussão do episódio, a Fifa decidiu endurecer o tratamento dado a situações em que jogadores escondem a boca durante discussões em campo. O caso de Almirón diante da Turquia foi o primeiro exemplo prático da aplicação da nova interpretação, já que a punição ocorreu em um cenário de confronto direto entre atletas, circunstância diferente daquela observada na conversa entre Bellingham e Jordan Ayew.

Foto: Eddie Keogh – The FA/The FA via Getty Images
Compartilhe
ver modal

Assine a newsletter do MKT