Copa do Mundo 2026

Além de Haaland: Brasil enfrenta Noruega liderada por dirigente que desafia a FIFA

A presidente da federação norueguesa Lise Klaveness acumula posições firmes sobre direitos humanos e acompanha o bom momento vivido pelo futebol do país

Foto: Miguel A. Lopes - EPA

05 de julho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Primeira mulher a presidir a Federação Norueguesa de Futebol (NFF) em mais de um século de história da entidade, Lise Klaveness tornou-se uma das dirigentes mais influentes do futebol europeu
  • A ex-jogadora da Seleção da Noruega passou a ocupar espaço de destaque no cenário internacional por adotar uma postura incomum entre dirigentes de futebol
  • Klaveness tem defendido maior compromisso das entidades esportivas com princípios relacionados à democracia, igualdade e direitos humanos

Primeira mulher a presidir a Federação Norueguesa de Futebol (NFF) em mais de um século de história da entidade, Lise Klaveness tornou-se uma das dirigentes mais influentes do futebol europeu ao combinar uma gestão voltada ao desenvolvimento esportivo com posicionamentos públicos sobre direitos humanos.

Ex-jogadora da seleção da Noruega, advogada e ex-comentarista esportiva, Klaveness assumiu a presidência da entidade em 2022 e passou a ocupar espaço de destaque no cenário internacional por adotar uma postura incomum entre dirigentes de futebol.

Desde então, tem defendido maior compromisso das entidades esportivas com princípios relacionados à democracia, igualdade e direitos humanos.

Sua atuação ganhou repercussão durante o Congresso da FIFA realizado em Doha, meses antes da Copa do Mundo de 2022. Na ocasião, criticou a situação dos trabalhadores migrantes envolvidos nas obras do torneio e questionou a legislação do Catar em relação aos direitos da população LGBTQIA+.

Também manifestou discordância da escolha da Rússia como sede da Copa do Mundo de 2018, alegando que decisões desse tipo deveriam observar critérios ligados aos direitos humanos.

As declarações provocaram reações entre dirigentes da FIFA e integrantes do comitê organizador do Mundial do Catar. Um ano após o torneio, Klaveness voltou ao país para acompanhar os desdobramentos dos compromissos assumidos pela entidade máxima do futebol em relação às denúncias de violações de direitos trabalhistas.

A dirigente também levou posicionamentos políticos à atuação da Federação Norueguesa em outras ocasiões. Durante o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034, a NFF esteve entre as poucas associações nacionais que demonstraram preocupação com o modelo de decisão adotado pela FIFA, argumentando que aspectos relacionados aos valores do esporte deveriam receber maior atenção.

No contexto da guerra em Gaza, a entidade defendeu publicamente a interrupção dos ataques contra civis e a apuração de possíveis violações do direito internacional.

Embora não tenha promovido boicotes esportivos, a Federação Norueguesa foi uma das poucas confederações nacionais do futebol ocidental a se manifestar oficialmente sobre o conflito.

Antes de chegar à presidência da NFF, Klaveness construiu carreira dentro e fora dos gramados. Natural de Bergen, iniciou a trajetória no futebol ainda na infância e atuou como meio-campista em clubes da Noruega e da Suécia. Pela Seleção Norueguesa, disputou 73 partidas, marcou nove gols e participou das Copas do Mundo de 2003 e 2007, além de integrar a equipe vice-campeã da Eurocopa de 2005.

Após encerrar a carreira como atleta, formou-se em Direito, trabalhou como advogada, juíza em Oslo e assessora jurídica do Banco Central da Noruega. Posteriormente, tornou-se a primeira mulher a comentar partidas de futebol na televisão norueguesa, experiência que abriu caminho para funções administrativas no esporte.

Na estrutura da federação, voltou a quebrar barreiras ao assumir a direção técnica das seleções masculina e feminina antes de ser eleita presidente da entidade.

Em 2023, disputou uma vaga no Comitê Executivo da UEFA em uma eleição aberta, recusando-se a concorrer pela vaga reservada às mulheres. Não foi eleita naquela oportunidade, mas conquistou um assento no órgão em 2025, após a ampliação da representação feminina.

Sob sua gestão, a Noruega também registrou avanços esportivos. A seleção feminina alcançou as quartas de final da Eurocopa de 2025, enquanto a equipe masculina garantiu participação em uma Copa do Mundo pela primeira vez em 28 anos. Em março deste ano, Klaveness foi reconduzida à presidência da Federação Norueguesa de Futebol para um novo mandato.

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