Indústria

Avaí avança para virar SAF e inicia transição após aval dos sócios

Processo terá período de diligências antes da conclusão do negócio, enquanto empresa já realiza aporte emergencial para ajudar o clube

Foto: Reprodução/ Avaí

15 de julho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • O Avaí deu mais um passo para a transformação do modelo de gestão do clube
  • Após o Conselho Deliberativo aprovar a venda de 90% da SAF para a Kactus Capital, os sócios também votaram a favor da continuidade do processo
  • A aprovação abre caminho para uma nova etapa, mas a conclusão da operação ainda dependerá de uma série de procedimentos

O Avaí deu mais um passo para a transformação do modelo de gestão do clube. Após o Conselho Deliberativo aprovar a venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Kactus Capital, os sócios também votaram a favor da continuidade do processo, considerado um dos momentos mais importantes da história recente do clube.

A aprovação abre caminho para uma nova etapa, mas a conclusão da operação ainda dependerá de uma série de procedimentos.

De acordo com reportagem do ge, o processo envolverá cerca de 60 dias de diligências, incluindo análises contratuais, documentos e toda a estrutura burocrática necessária para a conclusão do negócio. Paralelamente, o clube já trabalha na liberação da segunda parte do aporte emergencial previsto pela Kactus Capital, no valor de R$ 2,5 milhões.

O investimento faz parte de uma ação inicial da empresa para auxiliar o Avaí em um momento financeiro delicado. A primeira parcela foi liberada após a aprovação do Conselho Deliberativo, no fim de junho, com o objetivo de colocar compromissos em dia e melhorar as condições internas do clube.

Segundo Rafael Matheus, sócio e cofundador da Kactus Capital, a prioridade neste momento é ajudar o Avaí na luta pela permanência na Série B do Campeonato Brasileiro.

“Estamos preocupados com a permanência do Avaí na Série B. Nossos esforços estão muito voltados nesse sentido, por isso houve uma antecipação de crédito de caráter emergencial para melhorar a situação dos atletas, da comissão técnica e de todos os envolvidos”, declarou Matheus.

Apesar da chegada de uma nova gestão, a Kactus Capital não pretende promover uma grande reformulação imediata no quadro de funcionários. A ideia inicial é avaliar os profissionais que já fazem parte do Avaí e fortalecer áreas consideradas estratégicas.

Entre os setores que devem receber maior atenção estão o departamento de scout e a área de saúde e performance. Rafael Matheus explicou que a manutenção das pessoas que já conhecem o funcionamento do clube pode ser importante neste primeiro momento.

Mudanças em cargos de liderança, como CEO ou diretor-executivo, poderão acontecer após avaliações, mas não são tratadas como prioridade inicial pela empresa.

O ex-jogador Rodriguinho, com passagens por clubes como Corinthians e Cruzeiro, aparece como um dos nomes ligados ao projeto da Kactus Capital. Entretanto, ele participa como sócio-investidor e ainda não está definido se terá uma função direta no departamento de futebol do Avaí.

A proposta apresentada pela Kactus Capital prevê um investimento de R$ 400 milhões pela aquisição de 90% da SAF do Avaí. O acordo também estabelece que a empresa assumirá as dívidas do clube, que atualmente ultrapassam R$ 290 milhões.

O presidente do Avaí, Bernardo Pessi, afirmou que o acordo com a Kactus Capital prevê garantias para preservar a identidade e o patrimônio do clube durante a transição para o modelo de SAF.

Entre os mecanismos previstos no contrato está a garantia de participação do clube associativo no conselho de administração da SAF, com direito a ocupar um terço das cadeiras.

O Avaí também terá poder de veto em decisões consideradas fundamentais para a história da instituição, como possíveis alterações no nome do clube, nas cores oficiais, no hino, no estádio e na cidade que representa.

O acordo ainda estabelece que qualquer negociação futura envolvendo novos investidores, entrada ou saída de parceiros e mudanças na estrutura societária da SAF dependerá de aprovação do Avaí. Além disso, o patrimônio do clube ficará integralmente protegido, incluindo a Ressacada e o centro de treinamento.

Outra garantia destacada no processo é a participação da torcida no novo modelo de gestão. Segundo Rafael Matheus, sócio e cofundador da Kactus Capital, a empresa solicitou que 10% das cotas da SAF sejam destinadas aos torcedores avaianos, permitindo que a comunidade do clube também faça parte da nova fase administrativa e financeira.

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