Copa do Mundo 2026

Cardápios da Copa de 2026 ignoram recomendações de alimentação da OMS

Evento apresenta a predominância de produtos ultraprocessados e a falta de fiscalização do acordo firmado entre FIFA e OMS

Foto: Reprodução

10 de julho de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Os estádios da Copa do Mundo têm sido marcados pela ampla oferta de alimentos ultraprocessados, lanches rápidos, bebidas alcoólicas e preços elevados
  • Entre os produtos comercializados, uma cerveja pode custar cerca de R$ 80, enquanto sanduíches no estilo fast food chegam a R$ 160
  • O cenário é alvo de críticas por contrariar compromissos assumidos pela FIFA em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Os estádios da Copa do Mundo de 2026 têm sido marcados pela ampla oferta de alimentos ultraprocessados, lanches rápidos, bebidas alcoólicas e preços elevados.

Entre os produtos comercializados, uma cerveja pode custar cerca de R$ 80, enquanto sanduíches no estilo fast food chegam a R$ 160.

O cenário é alvo de críticas por contrariar compromissos assumidos pela FIFA em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante a edição de 2022, no Catar, a entidade esportiva firmou um acordo para monitorar os cardápios dos estádios e promover informações sobre alimentação saudável por meio de alertas, recomendações e materiais educativos.

Segundo especialistas, a iniciativa foi prorrogada e deveria permanecer em vigor durante o Copa do Mundo de 2026.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, o engenheiro agrônomo José Graziano, ex-ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, afirmou que a ausência de opções saudáveis leva parte dos torcedores a levar alimentos de casa e criticou o descumprimento do acordo.

“Ao comprarem as coisas nos estádios e nos arredores, as pessoas tinham sempre presentes um cartaz, um alerta, um vídeo, dizendo das possibilidades da sua escolha, do que comer e do que beber. Hoje nada disso está valendo. Embora o acordo tenha sido prorrogado e ele continue válido nessa Copa 2026, ele não está sendo respeitado. Não está sendo fiscalizado, não há nenhuma intervenção do governo dos Estados Unidos para fazer respeitar esse acordo. De modo que os torcedores estão à mercê das propagandas”, afirmou.

Graziano também associou a predominância de alimentos ultraprocessados nos estádios ao avanço da obesidade e destacou que o Brasil figura entre os países com maiores índices de excesso de peso entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos.

Segundo o ex-ministro, o governo brasileiro tem adotado medidas para estimular hábitos alimentares mais saudáveis, especialmente no ambiente escolar, por meio da oferta de alimentos frescos na merenda.

“O governo brasileiro tem se esforçado em criar todo um protocolo de ações de combate à obesidade e criar ambientes livres de produtos ultraprocessados. Nas escolas primárias, por exemplo, que é onde se forma o gosto, o paladar das crianças por meio da merenda escolar. Mais de 50 milhões de crianças recebem todo dia uma merenda gratuita na escola, e essa merenda tem que ter hoje pelo menos 45% de produtos comprados localmente da agricultura familiar, ou seja, produtos frescos, não processados. Isso é um passo muito importante para combater essa epidemia de obesidade que estamos vendo entre as nossas crianças”, avaliou.

O debate sobre a alimentação oferecida durante a Copa do Mundo de 2026 reforça a discussão sobre o papel de grandes eventos esportivos na promoção de hábitos saudáveis.

Para especialistas, além da oferta de alimentos, iniciativas de orientação ao consumidor e o cumprimento de acordos voltados à saúde pública são apontados como medidas importantes para incentivar escolhas alimentares mais conscientes entre os torcedores.

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