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Casos de racismo disparam na Copa do Mundo de 2026 e preocupam a FIFA

Dados da FIFA mostram crescimento expressivo dos abusos nas redes sociais, apesar do sucesso de público e audiência da competição

Foto: Getty Images

08 de julho de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A FIFA registrou 89 mil publicações abusivas durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026
  • O total é 13 vezes maior que o da Copa de 2022, com 11% das mensagens contendo conteúdo racista.
  • A entidade abriu investigações, promete punições e reforçou o uso de inteligência artificial para combater novos ataques.

A Copa do Mundo de 2026 vem sendo um sucesso dentro e fora de campo. Com recordes de audiência, grande presença de público nos estádios e partidas de alto nível técnico, o torneio tem consolidado sua força global. No entanto, a competição também registra uma marca preocupante: o crescimento dos casos de abuso e discriminação, principalmente nas redes sociais.

Segundo a FIFA, os órgãos de monitoramento digital identificaram 89 mil publicações abusivas apenas durante a fase de grupos do Mundial, número 13 vezes superior ao registrado na Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar.

O levantamento foi realizado pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais (SMPS), que monitorou mais de seis milhões de publicações e comentários, um volume 33% maior em relação à edição anterior. Entre todas as mensagens ofensivas identificadas, 11% continham conteúdo racista, evidenciando que a discriminação racial segue como uma das principais formas de violência enfrentadas por atletas, torcedores e personalidades ligadas ao futebol. A entidade também informou que mais de 100 ocorrências atenderam aos critérios legais para abertura de processos judiciais contra os responsáveis.

Os números refletem uma sequência de incidentes de grande repercussão ao longo da competição. Um dos primeiros ocorreu durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, quando um torcedor fez uma ofensa racista ao influenciador IShowSpeed. A FIFA condenou a atitude e abriu uma investigação. Dias depois, uma nova ocorrência foi registrada no confronto entre Argentina e Egito, pelas oitavas de final, novamente envolvendo torcedores argentinos.

Outro ataque de grande repercussão teve como alvo o atacante francês Kylian Mbappé. Após a vitória da França sobre o Paraguai, o camisa 10 recebeu comentários considerados racistas e desumanizantes publicados por uma senadora paraguaia nas redes sociais. As declarações foram condenadas pela FIFA, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por outras entidades internacionais.

A discriminação também atingiu jogadores da Holanda. Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville passaram a ser alvo de ataques racistas nas redes sociais após desperdiçarem cobranças de pênalti na eliminação para o Marrocos, reforçando a preocupação da FIFA com o crescimento desse tipo de violência durante o Mundial.

Diante do aumento das ocorrências, a FIFA informou que seguirá utilizando ferramentas de inteligência artificial e sistemas de monitoramento em tempo real para identificar publicações ofensivas, reunir provas e colaborar com autoridades nacionais na responsabilização dos autores. A entidade também reafirmou sua política de tolerância zero à discriminação e destacou que continuará adotando medidas disciplinares dentro e fora dos estádios.

O contraste entre o espetáculo apresentado dentro de campo e o crescimento da violência nas redes sociais evidencia um dos maiores desafios enfrentados pelo futebol moderno. Enquanto a Copa do Mundo de 2026 bate recordes de audiência, público e engajamento digital, a escalada dos ataques racistas mostra que o combate à discriminação precisa evoluir no mesmo ritmo da expansão global do esporte.

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