- Copa do Mundo 2026 reforça expectativa de crescimento da adidas
- Estimativas de analistas apontam para aumento nas vendas e melhora da rentabilidade da fornecedora alemã
- Adidas apresentará novos produtos durante o Innovation Day, em setembro
A proximidade da divulgação dos resultados do segundo trimestre, prevista para 30 de julho, tem levado analistas do mercado a projetarem um desempenho positivo para a adidas. Entre os fatores apontados está o impacto comercial da Copa do Mundo, que, segundo avaliações de instituições financeiras, contribuiu para fortalecer as vendas da fornecedora alemã em diferentes mercados.
Em relatório, o analista Akshay Gupta, do HSBC, estima crescimento de 15% nas vendas em moeda constante no período, além de uma margem EBIT de 10,6%, alta de 470 pontos-base na comparação anual. Para ele, a combinação entre a demanda por produtos esportivos e casuais, o fortalecimento da marca e o atual cenário competitivo ajudam a explicar esse desempenho.
“Uma forte popularidade da marca, uma linha de produtos robusta em ambos os segmentos, de performance e lifestyle, e uma execução sólida em um momento em que sua principal concorrente, a Nike, enfrenta uma recuperação de marca mais lenta do que o previsto, estão ajudando a Adidas a apresentar um forte desempenho financeiro”, disse Gupta.
Além das projeções financeiras, a empresa prepara o Innovation Day, marcado para os dias 23 e 24 de setembro, quando apresentará novos produtos. Antes disso, em fevereiro, inaugurou sua primeira loja dedicada exclusivamente ao futebol nos Estados Unidos, em um movimento alinhado ao período da Copa do Mundo na América do Norte.
Outra iniciativa foi a instalação de espaços temporários em 35 lojas da Nordstrom. Nesses pontos, a companhia reuniu produtos ligados ao torneio, organizados por seleções, com coleções de vestuário e calçados voltadas ao público esportivo.
Segundo Gupta, a Copa do Mundo gerou aproximadamente € 250 milhões em vendas no primeiro trimestre, e a expectativa da direção da empresa é repetir uma contribuição semelhante entre abril e junho.
O relatório do HSBC também destaca que o tráfego online da adidas cresceu 33% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a Nike registrou retração de 2%. Nas lojas físicas dos Estados Unidos, dados da Placer.ai apontam aumento de 4,2% no fluxo de consumidores em maio, enquanto o setor apresentou queda de 4,8%.
Durante a primeira semana da Copa de 2026, o movimento nas lojas da marca alemã nos Estados Unidos aumentou 16% na comparação anual, de acordo com Gupta. O analista também destacou que a adidas patrocina 14 seleções, quatro delas posicionadas entre as 10 primeiras do ranking mundial. Já a Nike fornece material esportivo para 12 equipes, enquanto a Puma está presente em 11 seleções.
Para o segundo trimestre, o HSBC considera possível um crescimento de 15% nas vendas em moeda constante, o maior desde o quarto trimestre de 2024. A estimativa para a margem bruta é de 51,3%, pressionada principalmente pelos efeitos do câmbio e das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
“Acreditamos que a Adidas poderá revisar para cima suas projeções para 2026, pois esperamos um crescimento constante das vendas em moeda estrangeira de 11% e um EBIT de € 2,6 bilhões”, declarou Gupta.
O analista acrescentou que a recente redução dos preços do petróleo pode diminuir parte das preocupações relacionadas às margens da companhia no segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027.
No Deutsche Bank, Adam Cochrane também projeta um segundo trimestre favorável para a fabricante alemã. Segundo ele, o primeiro semestre deve representar o pico de crescimento das vendas em moeda constante, enquanto a segunda metade do ano tende a apresentar menor ritmo de expansão, compensado por ganhos de margem e controle de despesas.
O banco estima lucro por ação de € 9,8 em 2026 e de € 12,2 em 2027. Para o segundo trimestre, a previsão de crescimento nas vendas foi elevada de 14% para 16%. A projeção considera avanço de 15% na Europa, 18% na América do Norte, 15% na China, estabilidade nos mercados emergentes, crescimento de 35% na América Latina e de 20% no Japão e na Coreia, apesar da expectativa de pressão sobre as margens por fatores cambiais e tarifários.
“Em toda a nossa cobertura, a Adidas continua sendo um dos casos de investimento mais atraentes e, apesar do cenário geral difícil para artigos esportivos, acreditamos que o desempenho superior em vendas pode ser mantido”, disse o analista do Deutsche Bank.
Outro ponto destacado por instituições de pesquisa foi o desempenho da categoria de tênis de perfil baixo. Drake MacFarlane, da M Science, afirmou que modelos como o Samba e o Samba Jane seguem registrando boa demanda tanto nos canais próprios quanto no atacado, contribuindo para o crescimento das vendas entre abril e maio.
No segmento de corrida, atletas patrocinados pela empresa utilizaram o Adizero Adios Pro Evo 3 durante a Maratona de Londres. O modelo esteve presente nas vitórias de Sebastian Sawe e Tigist Assefa, além do segundo lugar de Yomif Kejelcha na prova masculina.
Ao divulgar os resultados do primeiro trimestre, em abril, o CEO Björn Gulden afirmou que a companhia está no último ano de seu plano de reestruturação de quatro anos. Na ocasião, também destacou aos analistas que a Europa continua sendo a principal oportunidade de crescimento da empresa no longo prazo, apesar do atual ritmo moderado do mercado na região.





