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Eliminação na Copa 2026 expõe crise estrutural do futebol alemão, diz CEO do Bayer Leverkusen

Sequência de campanhas abaixo das expectativas nas últimas Copas do Mundo e Jogos Olímpicos leva o país a discutir mudanças estruturais para recuperar competitividade

Foto: REUTERS/Peter Cziborra

08 de julho de 2026

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⚡ Jogo Rápido
  • Esporte alemão busca caminhos para voltar ao protagonismo
  • Sequência de campanhas abaixo das expectativas nas últimas Copas do Mundo e Jogos Olímpicos leva o país a discutir mudanças estruturais para recuperar competitividade
  • Fernando Carro, CEO do Bayer Leverkusen, explica ao MKTEsportivo por que infraestrutura e apoio político são fundamentais para o futuro do esporte alemão

A eliminação da Alemanha para o Paraguai nos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026 ampliou a frustração da torcida e encerrou de forma precoce mais uma campanha da tetracampeã mundial.

A derrota reforça um período de queda no rendimento do futebol masculino alemão, que, desde o título conquistado no Brasil em 2014, marcado pelo histórico 7 a 1 sobre a Seleção Brasileira na semifinal e pela vitória sobre a Argentina na decisão, deixou de ocupar o protagonismo que caracterizou uma das seleções mais vencedoras do futebol mundial.

Depois da conquista no Maracanã, a Alemanha foi eliminada ainda na fase de grupos das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Em 2026, voltou a avançar ao mata-mata, mas caiu logo em sua primeira partida eliminatória diante do Paraguai.

O cenário também pode ser observado em outras competições. No futebol masculino olímpico, a equipe conquistou a medalha de prata no Rio 2016, foi eliminada na fase de grupos em Tóquio 2020 e sequer conseguiu vaga para Paris 2024. Paralelamente, o país caiu do 5º lugar no quadro geral de medalhas dos Jogos Olímpicos de 2016 para o 9º em Tóquio e o 10º em Paris, evidenciando uma perda de competitividade em diferentes modalidades.

Para entender os fatores por trás desse momento, o MKTEsportivo conversou com Fernando Carro, CEO do Bayer Leverkusen e integrante de órgãos ligados à governança do futebol europeu e da Bundesliga. Na avaliação do executivo, a queda de rendimento da seleção alemã está ligada a mudanças estruturais nos esportes do país.

Os entraves para a queda de competitividade da Alemanha

Para Carro, a explicação para esse cenário vai além das quatro linhas. Segundo o executivo, a perda de competitividade do futebol alemão está relacionada a questões estruturais que envolvem desde investimentos em infraestrutura esportiva até entraves políticos e burocráticos.

Na avaliação do CEO do Bayer Leverkusen, esses desafios refletem problemas enfrentados pela própria sociedade alemã e acabam limitando o desenvolvimento do esporte no país.

“A Alemanha precisa voltar a olhar para o futebol de base e investir em infraestrutura. As mudanças de que o futebol precisa também são necessárias na sociedade e na política. Ainda existe muita burocracia e diversos clubes enfrentam dificuldades para ampliar suas instalações por falta de apoio do poder público”, declarou Carro ao MKTEsportivo.

“Se a Alemanha não enfrentar esses problemas com seriedade, corre o risco de perder a última relevância que ainda tem no futebol mundial”, completou o executivo.

Carro citou a própria realidade vivida pelo Bayer Leverkusen para exemplificar os obstáculos enfrentados pelos clubes alemães.

“No nosso caso, teremos que deixar o atual centro de treinamento por causa da ampliação de uma rodovia. Há 10 anos buscamos uma nova área e encontramos alternativas, mas não recebemos o apoio necessário das autoridades locais. Se a Alemanha não enfrentar esses problemas, corre o risco de perder cada vez mais relevância no futebol mundial”, acrescentou.

O caminho para recuperar o protagonismo

Carro apontou quais mudanças considera fundamentais para que o futebol alemão volte a competir em alto nível. Na visão do executivo, ampliar a infraestrutura esportiva é o primeiro passo para aumentar a participação de crianças e jovens na modalidade.

O dirigente também criticou a dificuldade de tirar projetos do papel na Alemanha e afirmou que esse cenário contrasta com a intenção do país de voltar a receber os Jogos Olímpicos. A última edição organizada pelos alemães foi em 1972, e atualmente há estudos para candidaturas em 2036, 2040 ou 2044.

“A infraestrutura é uma das chaves para formar novos atletas. Queríamos construir 15 campos, reduzimos o projeto para 10 e, mesmo assim, encontramos dificuldades. Sem campos, não podemos ter meninos jogando futebol. Essa é a base do esporte e um problema que não afeta apenas o Bayer Leverkusen, mas diversos clubes na Alemanha”, explicou.

Para o CEO, a burocracia e a falta de apoio político dificultam a execução de projetos esportivos e precisam ser enfrentadas antes que o país volte a pensar em sediar grandes eventos. Além disso, o executivo destaca que o desafio não está apenas nos políticos, mas também no mindset (mentalidade coletiva) da sociedade alemã como um todo.

“Hoje é muito difícil construir qualquer instalação esportiva na Alemanha. Existe um excesso de burocracia e falta uma visão de longo prazo por parte da política. Antes de pensar em receber novamente os Jogos Olímpicos, o país precisa resolver esses problemas estruturais e criar condições para desenvolver o esporte”, concluiu Carro.

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