- FBI investiga AFA por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro durante a Copa do Mundo
- Caso envolve empresários, contratos comerciais e recursos movimentados pela Associação de Futebol Argentino em bancos americanos
- Investigadores apuram informações relacionadas à gestão de Claudio Tapia e Pablo Toviggino
O jornal argentino La Nación informou que a Associação de Futebol Argentino (AFA) está no centro de uma investigação conduzida pelo Departamento Federal de Investigação (FBI), nos Estados Unidos, durante a realização da Copa do Mundo. A apuração analisa possíveis irregularidades envolvendo fraude e lavagem de dinheiro relacionadas às operações financeiras da entidade em território americano.
De acordo com as informações divulgadas pela publicação argentina, os investigadores buscam compreender como a federação, com sede na Argentina, estruturava suas atividades nos Estados Unidos e quais foram os caminhos percorridos pelos recursos movimentados.
A suspeita inicial aponta para transações que alcançariam centenas de milhões de dólares pelo sistema financeiro norte-americano, com a análise voltada para identificar se parte dessas operações pode ter relação com crimes sob a legislação dos EUA.
O empresário Guillermo Tofoni é um dos nomes no centro da investigação. O caso procura esclarecer se determinadas movimentações associadas à AFA por meio de instituições bancárias americanas podem representar práticas como fraude financeira ou lavagem de dinheiro.
Tofoni prestou depoimento durante aproximadamente três horas em uma videoconferência com promotores federais e agentes do FBI das unidades de Washington e Miami. O objetivo dos investigadores é obter informações sobre a administração de contratos internacionais da entidade argentina e entender o fluxo de valores movimentados pela organização no mercado americano.
A gestão de Claudio Tapia e Pablo Toviggino à frente da Associação de Futebol Argentino também faz parte da linha de investigação, que busca ouvir pessoas com conhecimento direto sobre decisões tomadas durante esse período. A apuração inclui ainda a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni, responsável pela administração da cobrança de contratos comerciais da entidade no exterior.
Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, a TourProdEnter LLC teria movimentado pelo menos US$ 260 milhões em receitas da AFA por meio de contas mantidas em instituições financeiras como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Os investigadores analisam operações que envolveriam cerca de US$ 57 milhões distribuídos entre empresas e beneficiários sem uma justificativa econômica considerada suficiente nos documentos avaliados, levantando dúvidas sobre a natureza dessas transações.
O caso também envolve possíveis depoimentos de pessoas relacionadas ao governo do presidente Javier Milei. O FBI avalia chamar ex-integrantes da administração federal argentina que tiveram contato com informações sobre as atividades da AFA ou participaram de processos de acompanhamento e fiscalização ligados à entidade.
A força-tarefa responsável pela apuração reúne promotores especializados em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Até o momento, o procedimento permanece em estágio inicial e não houve apresentação de acusações formais contra dirigentes da AFA ou outros envolvidos.
Representantes da Associação de Futebol Argentino nos Estados Unidos pediram cautela na análise do caso. Tomás Regalado, apontado como representante da entidade na América do Norte, afirmou que as ações realizadas pelas autoridades não significam uma conclusão de culpa ou responsabilidade criminal.
Até agora, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI não divulgaram denúncias oficiais contra dirigentes da entidade sul-americana. A investigação segue em andamento para determinar se houve fraude bancária, lavagem de dinheiro ou outras possíveis irregularidades envolvendo as operações financeiras da entidade nos Estados Unidos.





