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Inglaterra busca voltar à final da Copa após 60 anos e reacende debate sobre racismo no futebol inglês

Campanha da Inglaterra na Copa do Mundo reforça a diversidade da equipe e expõe um problema histórico do futebol inglês

Foto: Getty Images

13 de julho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • Inglaterra enfrenta a Argentina nesta terça-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026, em busca da primeira decisão desde 1966.
  • Dos 26 convocados por Thomas Tuchel, 15 são negros ou de ascendência negra, tornando o elenco um retrato da diversidade da sociedade britânica.
  • Enquanto sonha com o bicampeonato mundial, a campanha inglesa também reacende o debate sobre o racismo enfrentado por jogadores negros da seleção.

A seleção da Inglaterra enfrenta a Argentina nesta quarta-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026. Caso avance, a equipe comandada por Thomas Tuchel voltará a disputar a decisão do Mundial pela primeira vez em 60 anos. A última final inglesa aconteceu em 1966, quando conquistou o único título de sua história ao derrotar a Alemanha Ocidental por 4 a 2, em Wembley.

Além da busca pelo bicampeonato, a campanha inglesa também evidencia a transformação pela qual passou a seleção nas últimas décadas. Dos 26 jogadores convocados por Thomas Tuchel para a Copa do Mundo de 2026, 15 são negros ou de ascendência negra, o equivalente a 57,7% do elenco. O dado reforça a diversidade da equipe nacional, que reflete cada vez mais a pluralidade étnica da sociedade britânica.

A boa campanha no Mundial de 2026 consolidou a Inglaterra como uma das favoritas ao título e fortaleceu a identificação dos torcedores com a seleção. Ao mesmo tempo, o desempenho dentro de campo voltou a colocar em evidência um problema que acompanha o futebol inglês há anos: os episódios de racismo sofridos por jogadores negros da própria equipe nacional.

O caso mais emblemático ocorreu após a final da Eurocopa de 2020, disputada em 2021. Depois da derrota para a Itália nos pênaltis, Marcus Rashford, Jadon Sancho e Bukayo Saka, que desperdiçaram suas cobranças, foram alvo de uma onda de ataques racistas nas redes sociais. Os três atletas receberam milhares de insultos, ofensas e ameaças, provocando forte repercussão internacional.

Na ocasião, a Federação Inglesa (FA), o então técnico Gareth Southgate, integrantes da família real e o governo britânico condenaram publicamente os ataques. A polícia britânica também abriu investigações para identificar os responsáveis pelas mensagens de ódio.

Os episódios, porém, não ficaram restritos à Euro. Nos últimos anos, jogadores como Raheem Sterling, Jude Bellingham e o próprio Bukayo Saka denunciaram casos de racismo durante partidas, nas redes sociais e em outros ambientes ligados ao futebol.

A atual geração inglesa é considerada uma das mais talentosas e multiculturais da história da seleção. Com atletas de diferentes origens étnicas e familiares, o elenco comandado por Thomas Tuchel tornou-se um retrato da Inglaterra contemporânea. O sucesso dentro de campo reforça essa imagem de diversidade e inclusão, mas também evidencia que o combate ao racismo ainda precisa acompanhar a evolução vivida pela equipe nacional.

Apesar do aumento das campanhas de conscientização, do monitoramento das redes sociais e do endurecimento das punições contra crimes de ódio, o racismo continua sendo um dos principais desafios do futebol inglês.

Na avaliação de parte da imprensa britânica, a atual geração dos Three Lions representa uma Inglaterra moderna, diversa e multicultural. Jogadores como Jude Bellingham, Bukayo Saka, Marcus Rashford e Eberechi Eze passaram a representar uma identidade nacional mais inclusiva, aproximando diferentes comunidades em torno da seleção. O sucesso da equipe fortalece esse sentimento de pertencimento e contribui para enfraquecer discursos de exclusão e preconceito.

A classificação para a semifinal diante da Argentina reforça o excelente momento vivido pela Inglaterra dentro de campo. Mas, fora das quatro linhas, o país ainda convive com um problema histórico. Se a seleção representa hoje uma Inglaterra mais diversa, multicultural e inclusiva, o combate ao racismo continua sendo um desafio para que seus atletas sejam lembrados apenas pelo talento e pelas conquistas em campo, e nunca pela cor da pele.

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