- Inglaterra e Argentina duelam nesta quarta-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026.
- A rivalidade reúne mais de 60 anos de confrontos históricos e episódios marcantes em Mundiais.
- Maradona, a Guerra das Malvinas e grandes clássicos ajudaram a eternizar o confronto.
Inglaterra e Argentina se enfrentam nesta quarta-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026. O duelo coloca frente a frente duas das maiores potências do futebol mundial, mas a disputa vai muito além da busca pela classificação. A semifinal reacende uma das rivalidades mais marcantes da história do esporte, construída ao longo de décadas por confrontos memoráveis e acontecimentos que ultrapassaram as quatro linhas.
Embora o histórico entre as seleções tenha começado antes, a rivalidade ganhou uma dimensão ainda maior após a Guerra das Malvinas, travada em 1982 entre Argentina e Reino Unido pelo controle das ilhas conhecidas pelos britânicos como Falklands. O conflito durou 74 dias, terminou com a vitória britânica e deixou centenas de mortos dos dois lados. Desde então, cada encontro entre ingleses e argentinos passou a carregar um peso simbólico que vai além do futebol.
Mesmo mais de quatro décadas depois, o contexto histórico segue presente sempre que as duas seleções se enfrentam. Embora jogadores e treinadores das gerações atuais procurem tratar o duelo apenas pelo aspecto esportivo, a rivalidade continua sendo lembrada por torcedores, pela imprensa internacional e por ex-atletas, tornando o confronto um dos mais aguardados e emblemáticos do calendário do futebol.
As raízes desse clássico, porém, são ainda mais antigas. Nas quartas de final da Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra, os donos da casa venceram a Argentina por 1 a 0 em uma partida marcada pela controversa expulsão do capitão argentino Antonio Rattín. Após o apito final, declarações do técnico inglês Alf Ramsey aumentaram a tensão entre os dois países e ajudaram a transformar o confronto em um dos maiores clássicos do futebol internacional.
O capítulo mais famoso dessa rivalidade foi escrito quatro anos após a Guerra das Malvinas. Nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no México, Diego Maradona protagonizou uma das atuações mais memoráveis da história do esporte. Primeiro, marcou o polêmico gol da “Mão de Deus”, validado pela arbitragem apesar do toque com a mão. Poucos minutos depois, anotou o histórico “Gol do Século”, ao driblar cinco adversários antes de superar o goleiro Peter Shilton.
A vitória por 2 a 1 levou a Argentina às semifinais e abriu caminho para a conquista do bicampeonato mundial. Maradona terminou o torneio como o grande protagonista da Copa de 1986, sendo eleito o melhor jogador da competição. Anos mais tarde, o camisa 10 afirmou que aquele triunfo tinha um significado especial para os argentinos por ter acontecido apenas quatro anos após a Guerra das Malvinas, transformando a partida em um dos jogos mais simbólicos da história das Copas do Mundo.
A rivalidade continuou produzindo novos capítulos nas décadas seguintes. Em 1998, na França, a Argentina eliminou a Inglaterra nos pênaltis após empate por 2 a 2 em um jogo marcado pela expulsão de David Beckham. Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, os ingleses deram o troco ao vencer por 1 a 0 com um gol de pênalti convertido pelo próprio Beckham.
Agora, quase 60 anos após o primeiro grande duelo em Copas do Mundo e quatro décadas depois de Diego Maradona eternizar seu nome nesse confronto, Inglaterra e Argentina voltam a medir forças por uma vaga na final do Mundial de 2026. Dentro de campo, Lionel Messi, Harry Kane e Jude Bellingham despontam como os protagonistas de um duelo que promete escrever mais um capítulo de uma rivalidade construída ao longo de seis décadas, marcada por guerras, polêmicas e partidas inesquecíveis que transformaram este em um dos maiores clássicos da história do futebol.





