- A classificação do Como 1907 para a Champions representa um dos maiores momentos da trajetória do clube, mas também expõe um obstáculo pouco visível no planejamento para a competição
- Segundo o técnico Cesc Fàbregas, a principal dificuldade da equipe está nas limitações impostas pelo regulamento da UEFA para a inscrição de jogadores
- O treinador espanhol alertou que a equipe pode ter problemas para formar uma lista ampla de atletas para a disputa continental
A classificação histórica do Como 1907 para a Champions League representa um dos maiores momentos da trajetória do clube italiano, mas também expõe um obstáculo pouco visível no planejamento para a competição.
Segundo o técnico Cesc Fàbregas, a principal dificuldade da equipe não está na capacidade de contratar reforços, mas nas limitações impostas pelo regulamento da UEFA para a inscrição de jogadores.
Durante a preparação para a “Copa Como”, torneio de pré-temporada organizado pelo clube, o treinador espanhol alertou que a equipe pode ter problemas para formar uma lista ampla de atletas para a disputa continental. O motivo é a falta de jogadores suficientes que atendam aos critérios de formação local exigidos pela entidade europeia.
“Temos limitações quanto às listas de jogadores da Uefa. Ainda não temos uma academia capaz de nos garantir um certo número de jogadores, e podemos nos ver jogando a Champions com um elenco de 16 ou 17 jogadores”, afirmou o técnico.
Pelas regras da Champions League, os clubes podem inscrever até 25 atletas na Lista A. Porém, para utilizar todas as vagas disponíveis, é necessário contar com jogadores considerados formados localmente.
O regulamento determina que oito dessas vagas sejam destinadas a atletas desenvolvidos dentro do sistema nacional, sendo que até quatro precisam ter sido formados pelo próprio clube.
Caso uma equipe não tenha jogadores suficientes dentro desses critérios, as vagas não podem ser substituídas por novos contratados. Dessa forma, o número máximo de inscritos é reduzido, criando uma dificuldade estratégica para clubes que passaram por um crescimento acelerado.
Esse é justamente o cenário vivido pelo Como. Após anos distante da elite do futebol italiano, o clube teve uma ascensão rápida, conquistou o acesso à Serie A, consolidou-se no cenário nacional e alcançou uma vaga inédita na Champions League. O avanço esportivo, porém, ocorreu em um ritmo mais veloz do que o desenvolvimento da estrutura de formação de atletas.
A academia do clube ainda não produziu uma quantidade suficiente de jogadores que cumpram o período exigido pela Uefa para serem considerados formados em casa.
Por isso, o Como pode entrar na competição europeia com um grupo mais enxuto do que o planejado, mesmo tendo condições financeiras para buscar reforços no mercado.
A situação também influencia a estratégia adotada pelo clube nesta janela de transferências. Fàbregas destacou a importância de reforços como Kaiki Bruno, ex-Cruzeiro, e Luis Milla, ex-Getafe, mas também ressaltou o papel dos jovens formados internamente.
O treinador citou Mattia Liberali, promessa do futebol italiano criada no Como, além de Riccardo Cassano e Fabio Rispoli, como jogadores que terão oportunidades durante a temporada. A utilização desses atletas representa não apenas uma alternativa técnica, mas também parte de um projeto para fortalecer a base e atender às exigências futuras da Uefa.
O problema enfrentado pelo Como mostra um dos desafios comuns a clubes em crescimento no futebol europeu. Enquanto equipes tradicionais possuem estruturas consolidadas de formação e conseguem preencher com facilidade as vagas destinadas aos jogadores locais, projetos emergentes precisam conciliar resultados imediatos com investimentos de longo prazo.
Para Fàbregas, a construção dessa estrutura exige tempo. O treinador destacou que o desenvolvimento de uma academia competitiva não pode ser concluído em poucos anos, já que a formação de jogadores depende de um processo contínuo desde as categorias de base.






