Copa do Mundo 2026

Pós-eliminação na Copa exige cautela de atletas e patrocinadores no mercado brasileiro

Comunicação nas redes sociais e uso da imagem dos jogadores passam por período de adaptação após a eliminação brasileira

Foto: Buda Mendes/ Getty Images Via AFP

08 de julho de 2026

3 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega, pelas oitavas de final da Copa, encerrou a campanha da seleção no torneio e abriu um período de reflexão também fora das quatro linhas
  • Após um resultado de grande repercussão, o gerenciamento da imagem dos atletas passa a ser um dos principais desafios no período pós-eliminação
  • Especialista em gestão esportiva destaca que o primeiro movimento costuma partir das empresas, que tendem a reavaliar o momento mais adequado para utilizar a imagem dos jogadores

A derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega, no último domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, encerrou a campanha da seleção no torneio e abriu um período de reflexão também fora das quatro linhas.

Após um resultado de grande repercussão, o gerenciamento da imagem dos atletas passa a ser um dos principais desafios no período pós-eliminação, tanto na relação com patrocinadores quanto na comunicação dos jogadores com os torcedores.

Em entrevista exclusiva para o MKTEsportivo, Eduardo Musa, especialista em marketing e gestão esportiva, destacou que o primeiro movimento costuma partir das empresas parceiras, que tendem a reavaliar o momento mais adequado para utilizar a imagem dos jogadores em campanhas publicitárias.

“É normal que, após uma derrota em uma Copa do Mundo, em que os atletas deixam de estar sob os holofotes de uma visibilidade positiva, as marcas adotem um processo de cautela quanto ao uso da imagem desses jogadores. A tendência é que haja uma diminuição natural desse uso de imagem”, disse Musa.

Apesar do revés, o especialista pondera que o episódio não deve ser encarado como um divisor de águas na carreira dos jogadores. Para ele, o momento pede sensibilidade na forma como cada profissional conduz sua comunicação pública nos próximos dias.

Esse processo pode contribuir para fortalecer a conexão com o público, desde que as manifestações ocorram de forma espontânea e coerente com a realidade de cada jogador.

“A palavra ‘reposição’ talvez seja forte para este momento. Afinal de contas, foi uma derrota esportiva, até certo ponto inesperada, e não uma catástrofe. Eu vejo como um caso de posicionamento, no sentido de que os atletas sentiram a derrota. O que o público quer ver é se o atleta sentiu aquilo que os torcedores sentiram. Então, mais do que questões comerciais, o posicionamento do atleta deveria mostrar o quanto ele sentiu essa derrota”, afirmou.

Outro ponto de atenção envolve o período seguinte ao encerramento da temporada europeia. Com boa parte do elenco entrando em férias, a exposição nas redes sociais pode ganhar ainda mais relevância na percepção dos torcedores.

Nesse contexto, o desafio passa por encontrar um tom adequado para as publicações, considerando que qualquer conteúdo pode ser interpretado à luz do resultado recente dentro de campo.

Para Musa, nem sempre é necessário reagir imediatamente. Em determinadas circunstâncias, a discrição pode transmitir uma mensagem mais autêntica do que uma tentativa apressada de demonstrar sentimentos.

“Embora grande parte dos jogadores esteja entrando de férias, por conta do calendário europeu, em destinos geralmente paradisíacos, é importante tomar esse cuidado para mostrar que sentiu a derrota, ao mesmo tempo em que mantém um equilíbrio para não passar a impressão de que não está nem aí para a situação e apenas aproveita suas merecidas férias. Além disso, muitas vezes o silêncio vale ouro nesse tipo de situação, em vez de acabar exibindo uma imagem que não é a verdadeira”, pontuou.

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