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Premier League arrecada R$ 17,8 bilhões com patrocínios em meio a debate sobre sportswashing

Fim das bets nas camisas reacende debate sobre critérios éticos dos patrocínios na Premier League

Foto: Getty Images

17 de julho de 2026

4 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A Premier League retirou as casas de apostas do espaço máster das camisas em 2026/27.
  • A liga faturou R$ 17,8 bilhões com patrocínios, publicidade e licenciamento em 2024/25.
  • Aston Villa, Arsenal e Everton estão no centro das discussões sobre os critérios comerciais da competição.

A temporada 2026/27 marca uma mudança histórica na Premier League. Pela primeira vez, nenhum dos 20 clubes da competição tem uma casa de apostas como patrocinadora máster na parte frontal da camisa. Antes da entrada em vigor da proibição voluntária adotada pela liga, 11 equipes exibiam empresas do setor no principal espaço comercial do uniforme.

A medida foi criada para reduzir a exposição da publicidade de apostas, mas acabou abrindo um novo debate sobre os critérios éticos adotados pela Premier League. Isso porque alguns clubes substituíram esses contratos por patrocinadores que também enfrentam questionamentos internacionais.

O caso mais recente envolve o Aston Villa, que anunciou a Visit Rwanda, campanha oficial de turismo do governo de Ruanda, como nova patrocinadora máster. Organizações como a Amnesty International UK afirmam que a parceria contribui para o chamado sportswashing, estratégia em que governos utilizam o esporte para fortalecer sua imagem internacional diante de acusações de violações de direitos humanos. O governo de Ruanda nega as acusações e afirma que o objetivo da iniciativa é promover o turismo e atrair investimentos.

O debate, porém, não é novo na Premier League. O Arsenal, atual campeão inglês, também manteve uma parceria de longo prazo com a Visit Rwanda, que estampou a manga da camisa do clube entre 2018 e 2026. O acordo foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que acusavam o governo ruandês de utilizar o futebol como ferramenta de sportswashing. Ruanda sempre rejeitou as acusações e afirmou que a parceria buscava promover o turismo e atrair investimentos.

Outro exemplo é o Everton. Embora a Stake tenha deixado de ocupar o espaço principal da camisa em razão da nova regra da Premier League, a empresa segue patrocinando o clube em outros ativos comerciais, como a manga do uniforme. O caso mostra que, apesar da proibição dos patrocínios máster, as casas de apostas continuam presentes na competição por meio de outras propriedades comerciais.

As críticas levantam questionamentos sobre uma possível incoerência da Premier League. Enquanto a liga restringiu as casas de apostas na parte frontal das camisas por preocupações com os impactos sociais da publicidade do setor, continua permitindo contratos com governos e entidades que também são alvo de controvérsias por motivos diferentes.

O debate ganha ainda mais importância pelo tamanho do mercado comercial da Premier League. Segundo a Deloitte, a liga arrecadou £ 6,8 bilhões (cerca de R$ 50,3 bilhões) na temporada 2024/25, dos quais £ 2,4 bilhões (aproximadamente R$ 17,8 bilhões) vieram apenas de receitas comerciais, como patrocínios, publicidade e licenciamento. O valor representa cerca de 35% de todo o faturamento da competição e ajuda a explicar por que governos, fundos soberanos e grandes empresas disputam espaço na liga.

Nesse contexto, o debate também envolve a origem dos investimentos. O controle do Newcastle pelo fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), a ligação do Manchester City com Abu Dhabi e os acordos da Visit Rwanda com Arsenal e Aston Villa são frequentemente citados por organizações de direitos humanos como exemplos de possíveis estratégias de sportswashing. Os governos envolvidos e os clubes negam as acusações e defendem que os investimentos impulsionam o desenvolvimento econômico e esportivo.

Enquanto amplia sua força comercial, a Premier League também segue batendo recordes de público. Na temporada 2025/26, a competição recebeu 15,82 milhões de torcedores nos estádios ao longo das 380 partidas, reforçando seu status como a liga nacional de futebol mais valiosa e influente do mundo. O crescimento das receitas comerciais e da audiência torna a disputa por espaço na Premier League cada vez mais intensa e explica por que os critérios éticos para a escolha de patrocinadores passaram a ocupar o centro das discussões.

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