- Xbox anuncia reestruturação com foco em IA e prevê a demissão de mais de 4 mil colaboradores
- Mudanças fazem parte da estratégia da Microsoft para simplificar a operação da divisão de game
- Microsoft Frontier Company receberá investimento inicial de US$ 2,5 bilhões para projetos de inteligência artificial
O direcionamento de investimentos da Microsoft para a inteligência artificial (IA) levará a uma ampla reorganização da divisão Xbox. A companhia anunciou mudanças na estrutura da área de jogos, incluindo redução do quadro de funcionários, reorganização de estúdios e alterações na operação para os próximos anos.
Como parte desse processo, 1.600 postos de trabalho da Microsoft Gaming serão encerrados ainda neste ano. Para o ano fiscal de 2027, o plano prevê a demissão de outros 3.200 colaboradores. A reestruturação também contempla o desmembramento de quatro estúdios, que passarão a operar sob novas estruturas de administração.
As medidas fazem parte de um pacote de cortes divulgado pela big tech no último dia 6, quando informou a redução de cerca de 2% de sua força de trabalho. A iniciativa está inserida na estratégia da empresa de ampliar os investimentos em inteligência artificial e simplificar a organização da divisão de games.
Asha Sharma, que assumiu o comando da Microsoft Gaming em fevereiro, classificou as mudanças como a “reestruturação mais significativa da história do Xbox”. A declaração foi feita em comunicado encaminhado aos funcionários e posteriormente publicado na rede social X, em um momento em que a indústria de hardware enfrenta desafios relacionados à rentabilidade e aos custos operacionais.
No comunicado, a executiva afirmou que a operação trabalha com margens de lucro entre três e dez vezes inferiores às de concorrentes, ao mesmo tempo em que mantém uma estrutura de custos mais elevada.
“Desde 2018, expandimos agressivamente nosso portfólio de estúdios, enquanto o número de jogos criados mensalmente em toda a indústria agora supera o dos últimos dez anos combinados. Agora, competimos não apenas com as maiores editoras, mas também com estúdios independentes menores. Não é possível nem desejável possuir todos os grandes estúdios independentes”, escreveu Asha.
De acordo com o The New York Times, a Double Fine e a Compulsion Games passarão a atuar como empresas independentes, mas deverão manter franquias desenvolvidas durante o período em que integraram a Microsoft. Já a Ninja Theory e a Undead Labs serão negociadas e passarão a ter novos controladores, mantendo financiamento para a conclusão e expansão dos projetos Senua e State of Decay 3.
A reorganização também atingirá outras empresas da divisão de games. Activision Blizzard, adquirida em 2023 por US$ 69 bilhões, além de King e Mojang, passarão a responder diretamente à CEO, refletindo a relevância dessas operações em indicadores como jogadores ativos mensais e participação estratégica dentro da companhia.
As mudanças incluem ainda uma revisão da estrutura interna da Microsoft Gaming, com redução dos níveis hierárquicos e reorganização da operação. A empresa também criará o cargo de diretor de operações (COO), responsável pelos resultados financeiros das áreas de conteúdo, hardware, plataforma e serviços. A função será exercida por Helen Chiang.
“Quero que o Xbox seja uma das poucas empresas que entretém mais de um bilhão de pessoas todos os dias e oferece a todos a oportunidade de criar e se conectar. Sei que podemos alcançar esse objetivo. O Xbox possui muitas das franquias mais amadas da história do entretenimento, estúdios talentosos ao redor do mundo e voltaremos a crescer em 2027”, afirmou Asha.
Apesar da reestruturação, a empresa informou que os jogos e projetos já anunciados anteriormente não terão alterações em seus cronogramas em razão das mudanças organizacionais.
Entre as iniciativas recentes voltadas à ampliação do uso de inteligência artificial está a criação da Microsoft Frontier Company. Segundo a empresa, a unidade foi desenvolvida para apoiar organizações na incorporação da tecnologia em suas operações e processos de negócios.
O projeto conta com investimento inicial de US$ 2,5 bilhões e prevê a atuação de cerca de 6 mil especialistas das áreas de engenharia e indústria.






