- Academias e clubes fitness já fecharam quase 50 acordos com propriedades esportivas na Espanha nos últimos anos.
- Os contratos combinam patrocínio, preparação de atletas, benefícios para torcedores, infraestrutura e expansão internacional.
- O movimento mostra como o setor fitness passou a utilizar o esporte como canal de relacionamento, aquisição de clientes e geração de novos negócios.
O setor fitness encontrou no esporte espanhol uma nova frente de expansão comercial. Academias e clubes esportivos fecharam quase 50 contratos de patrocínio nos últimos anos, segundo levantamento do 2Playbook, criando uma relação que vai muito além da exposição de marcas.
A aproximação acontece em diferentes níveis. Há redes que utilizam clubes para conquistar consumidores em determinadas regiões, equipes que incorporam academias à preparação de seus atletas e projetos que transformam centros esportivos em espaços compartilhados entre profissionais e público.
O resultado é uma mudança no papel do patrocínio. A academia passa a fazer parte da operação do clube, enquanto a equipe esportiva funciona como uma plataforma para gerar tráfego, relacionamento e novos negócios.
Um mercado com diferentes portas de entrada
O Leganés, por exemplo, colocou a Planet Fitness dentro da rotina de suas equipes. Jogadoras do time feminino e atletas das categorias de base utilizam as instalações da rede, enquanto os sócios do clube recebem benefícios para frequentar as academias.
A Planet Fitness concentra sua estratégia na Comunidade de Madri, utilizando a presença regional do futebol para ampliar o contato com potenciais clientes.
Em outro modelo, o Atlético de Madrid vinculou a GOfit ao projeto da nova Cidade Esportiva Metropolitana, empreendimento estimado em € 800 milhões. A rede também renovou seu contrato com o Oviedo até 2027.
A lógica é semelhante em diferentes escalas: utilizar propriedades esportivas para aproximar a marca de comunidades que já possuem hábitos relacionados à atividade física. No grupo Baskonia-Alavés, o Bakh funciona como uma estrutura que atende simultaneamente o esporte profissional e o consumidor comum.
Jogadores do Deportivo Alavés utilizam o complexo na preparação física, enquanto o espaço permanece aberto ao público. A área de fitness foi renovada e passou a contar com mais de 1.200 metros quadrados e equipamentos da BH Fitness.
A parceria cria uma via de mão dupla. A empresa fornece estrutura para atletas de alto rendimento e, ao mesmo tempo, utiliza a operação com profissionais e amadores para testar e desenvolver seus equipamentos.
O Alavés ainda ampliou a estratégia para fora da Espanha ao fechar uma parceria regional com a PureGym para os mercados do Oriente Médio e do Norte da África.
Infraestrutura vira parte do negócio
O movimento também aparece em clubes de menor porte. O Racing de Ferrol incorporou a BeOne ao Complexo Desportivo de Mandiá, com a intenção de transformar o local em um ativo estratégico de longo prazo.
No Racing Santander, a parceria com a beUp envolve modernização de equipamentos e utilização de áreas aquáticas em programas de recuperação dos jogadores. O Cádiz, por sua vez, trabalha com a Reset em instalações e serviços voltados ao público do clube.
Já o Betis utiliza a parceria com a Viding para realizar eventos corporativos e torneios de padel. O Alcorcón, que disputa a terceira divisão, mantém acordos com Inacua e Sky Gym.
Planet Fitness, Bakh, PureGym, Reset, beUp, BeOne, Viding, Inacua e GOfit estão entre as empresas que passaram a explorar esse mercado.






