- O Bahia reuniu 180 mulheres na Fonte Nova após a partida contra o Internacional para chamar atenção ao aumento da violência doméstica em dias de jogos.
- O número de participantes faz referência ao Ligue 180, e a ação utiliza dados que apontam alta de 27,4% nas ameaças e 28,8% nas ocorrências de lesão corporal contra mulheres nesses dias.
- Criado com UNFPA e Propeg, o projeto “Terceiro Tempo” continuará com filmes, mídia exterior e conteúdos digitais.
O Bahia utilizou o encerramento da partida contra o Internacional, neste domingo (30), para promover uma ação de conscientização sobre a violência doméstica contra mulheres. Depois da saída dos jogadores e do público da Casa de Apostas Arena Fonte Nova, 180 mulheres permaneceram nas arquibancadas do estádio.
Batizada de “Terceiro Tempo”, a campanha foi desenvolvida pelo Esporte Clube Bahia SAF em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a agência Propeg. A iniciativa integra as ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
O grupo, formado por torcedoras, influenciadoras, colaboradoras do clube e convidadas, permaneceu reunido no setor Leste da Fonte Nova. Enquanto as mulheres ocupavam as arquibancadas já vazias, o letreiro do estádio exibiu a mensagem “Hoje, ficar no estádio é mais seguro do que em casa”.
A escolha de reunir exatamente 180 participantes faz referência ao Ligue 180, canal nacional que recebe denúncias e oferece orientação para mulheres em situação de violência.
Dados orientam campanha
A criação da iniciativa teve como base a segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo o levantamento de 2026, os registros de ameaça contra mulheres aumentam 27,4% nos dias em que há partidas de futebol. As ocorrências de lesão corporal relacionadas à violência doméstica apresentam crescimento de 28,8%.
O impacto é ainda maior entre mulheres de 15 a 29 anos. Nessa faixa etária, os registros de ameaça e lesão corporal crescem 44% em dias de jogos.
O estudo não estabelece o futebol como causa das agressões. A análise aponta que os dias de partidas podem potencializar episódios em ambientes nos quais comportamentos violentos já fazem parte da dinâmica doméstica.
A campanha busca utilizar justamente a dimensão do futebol para ampliar a discussão. A estratégia também direciona a comunicação aos homens, levando o tema para um ambiente historicamente marcado pela presença masculina.
Segundo Sabrina Mesquita, diretora de Criação da Propeg, a proposta é colocar o assunto dentro desse território e utilizar o alcance do esporte para tornar os dados mais visíveis.
A permanência das 180 mulheres na Fonte Nova representa a primeira etapa de uma campanha mais ampla.
O projeto terá filmes, peças de mídia OOH e conteúdos para plataformas digitais. As ativações reforçarão o Ligue 180 e a importância da denúncia de casos de violência contra mulheres.
A iniciativa também acompanha uma das recomendações apresentadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo aponta a necessidade de participação de clubes, federações, torcidas e poder público na construção de ações permanentes de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres.





