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CBF inicia reestruturação do futebol brasileiro e anuncia novas regras

Entidade propõe adoção imediata de mudanças da IFAB e abre ciclo de discussões para novo regulamento a partir de 2027

Foto: Luciana Vermell / CBF

10 de agosto de 2026

6 minutos de Leitura

⚡ Jogo Rápido
  • A CBF iniciou nesta segunda-feira (10), em um hotel na Barra da Tijuca, uma nova etapa das discussões para a criação da Liga do futebol brasileiro
  • A entidade apresentou propostas para modernizar o regulamento das competições e definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem
  • As mudanças, inspiradas em procedimentos utilizados na Copa do Mundo, serão aplicadas às diferentes divisões do Campeonato Brasileiro, à Copa do Brasil e ao Brasileirão Feminino

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou nesta segunda-feira (10), em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma nova etapa das discussões para a criação da Liga do futebol brasileiro.

Na terceira reunião com representantes dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, a entidade apresentou propostas para modernizar o regulamento das competições e definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem.

As mudanças, inspiradas em procedimentos utilizados na Copa do Mundo de 2026, serão aplicadas às diferentes divisões do Campeonato Brasileiro, à Copa do Brasil e ao Campeonato Brasileiro Feminino A1.

A intenção é antecipar para a temporada atual medidas que, pelas regras da International Football Association Board (IFAB), poderiam ser adotadas pelo futebol brasileiro apenas a partir de 2028.

O encontro também marcou o início de um ciclo de cinco reuniões destinadas à elaboração de um novo regulamento para a temporada 2027.

Entre os temas previstos estão arbitragem, organização das competições e outras medidas voltadas à modernização do futebol nacional. Para a área de arbitragem, a CBF prevê investimentos de R$ 200 milhões ao longo de 2026 e 2027.

A busca por mudanças ocorre em um cenário no qual o futebol brasileiro apresenta receitas inferiores às principais ligas europeias. Na temporada 2024/2025, o Brasileirão obteve receita de € 1,8 bilhão, enquanto a Premier League alcançou € 7,5 bilhões. La Liga e Bundesliga registraram, respectivamente, € 5,7 bilhões e € 5,5 bilhões.

Dentro desse contexto, a CBF considera a modernização das regras um dos pontos de partida para elevar o valor esportivo e comercial do futebol brasileiro.

“Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.

Um dos principais objetivos apresentados na reunião é aumentar o tempo efetivo de bola rolando nas partidas. Em parceria com a CBF Academy, a entidade elaborou o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, baseado em dados fornecidos pela OPTA Stats Perform.

Segundo o levantamento, em 2026, até a paralisação para a Copa do Mundo, a Série A registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo por partida. O número está abaixo da referência de 60 minutos estabelecida pela FIFA.

Apesar da diferença, as principais ligas europeias também não atingem a marca de uma hora. Na temporada 2026, a Premier League apresentou média de 55 minutos e 23 segundos, enquanto a Ligue 1 e a Bundesliga registraram 56 minutos e 17 segundos. La Liga teve média de 55 minutos e 9 segundos, e a Serie A italiana, 54 minutos e 28 segundos.

“As mudanças na arbitragem são difíceis, requerem tempo e precisam de mecanismos para se chegar onde queremos. Estamos investindo valores milionários em equipamentos e treinamentos e não é de uma hora para outra que tudo vai mudar. Precisamos dos clubes e dos dirigentes neste processo”, comentou o vice-presidente da CBF, Gustavo Dias Henrique.

A análise conduzida pela CBF aponta a possibilidade de recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de tempo efetivo por partida no futebol brasileiro. Entre os fatores avaliados estão o tempo gasto na reposição da bola, a marcação de faltas, os atendimentos médicos e as revisões do VAR e do impedimento semiautomático.

Durante a reunião, a CBF propôs aos clubes que as alterações previstas nas novas regras da IFAB e utilizadas na Copa do Mundo de 2026 sejam incorporadas ao futebol brasileiro já nesta temporada.

Entre as medidas está a determinação de oito segundos para que o goleiro mantenha a bola nas mãos. Caso ultrapasse o limite, o adversário será beneficiado com um escanteio. Também estão previstas limitações de tempo para cobranças de laterais, tiros de meta e substituições.

Outra alteração estabelece que jogadores atendidos dentro do campo deverão permanecer fora da partida por um minuto antes de retornar.

A CBF também apresentou a adoção do princípio de que apenas o capitão poderá dialogar com o árbitro em determinadas situações, além da ampliação das possibilidades de intervenção do VAR.

De acordo com a estimativa apresentada pela entidade, a aplicação desse conjunto de regras pode acrescentar, em média, 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida.

A próxima reunião do conselho técnico está marcada para 14 de setembro. O encontro terá como foco a organização das competições e dará continuidade ao processo de construção do novo regulamento previsto para 2027.

Mudanças:

1. Oito segundos com a bola nas mãos

Goleiro que exceder o limite entrega escanteio ao adversário.

2. Cinco segundos para arremesso lateral

Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.

3. Cinco segundos para cobrar tiro de meta

Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.

4. Dez segundos para deixar o campo em substituições

Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.

5. Um minuto fora após atendimento

Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.

6. Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por um minuto

Treinador ou capitão indica quem cumpre o minuto fora.

7. Somente o capitão fala com o árbitro

Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.

8. Cobrir a boca em discussão: vermelho (Protocolo Vini Jr)

Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.

9. Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo

Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.

10. Checagem de VAR para escanteio concedido por engano (aprovada para 2027)

Revisável quando levar diretamente a gol ou pênalti.

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