- Ceferin não será candidato à presidência da FIFA, mas promete apoiar nome contra Infantino
- Presidente da UEFA critica projeto comercial da entidade que comanda o futebol e afirma que presidente da FIFA foi longe demais
- Ceferin descarta entrar na disputa, mas garante que apoiará um outro nome para enfrentar Infantino na eleição de 2027
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, descartou disputar a presidência da FIFA na eleição prevista para março de 2027, mas deixou claro que vau se posicionar contra uma eventual candidatura de Gianni Infantino. O dirigente esloveno afirmou que o atual presidente da entidade que comanda o futebol pode perder espaço político e indicou que apoiará um nome para enfrentá-lo caso Infantino realmente decida buscar um novo mandato.
A relação entre os dois dirigentes foi afetada pelo projeto da Fifa Forward Enterprise, proposta para criar uma empresa voltada à administração dos direitos comerciais das principais competições da entidade, com possibilidade de participação de investidores privados.
A iniciativa foi descartada pela organização poucos dias depois de vir a público, após receber críticas de diferentes setores do futebol. O episódio também provocou questionamentos sobre a condução política de Infantino e fez de Ceferin um dos principais críticos da proposta.
Ao comentar o assunto, o presidente da UEFA comparou o projeto à Superliga Europeia, anunciada em 2021 por 12 clubes do continente e abandonada poucos dias depois diante da reação contrária. Para Ceferin, entretanto, a proposta apresentada pela FIFA representava um risco ainda maior.
O dirigente também afirmou que não voltou a conversar com Infantino desde que o projeto veio à tona e avaliou que o suíço ultrapassou determinados limites.
“Eu acho que é ainda pior que o plano da Superliga. No primeiro caso, clubes super importantes queriam fazer a própria liga, o que é errado e destruiria o futebol. Mas, nesse caso, o futebol seria literalmente vendido. Eu tenho absoluta certeza de que o plano está morto, mas as coisas foram longe demais”, criticou o presidente da UEFA em entrevista ao podcast The Rest Is Politics: Leading.
A disputa política em torno da presidência da FIFA ganhou novos contornos desde então. Infantino passou a enfrentar oposição conjunta de UEFA, AFC e Concacaf, três das seis confederações continentais, enquanto continua contando com o respaldo de outras entidades regionais. Eleito em 2016 para substituir Joseph Blatter, o suíço pretende disputar um quarto mandato no próximo ano, para o ciclo entre 2027 e 2031.
“Uma opção é que ele perceba que não tem apoio, e não é apenas o apoio político daqueles que votam, mas da comunidade do futebol, dos torcedores, dos jogadores, dos ex-jogadores, dos técnicos. A segunda opção é que isso vá para as eleições em março. Nesse caso, eu terei um candidato contra ele”, completou Ceferin.
Apesar de se colocar contra uma nova candidatura de Infantino, Ceferin será o nome da oposição na eleição. O esloveno também avalia permanecer no comando da UEFA por mais um mandato. As duas entidades estabeleceram que os mandatos iniciados em 2016 não serão considerados para o limite de três períodos, permitindo que o dirigente possa buscar uma nova eleição na confederação europeia.
“Não estou interessado por duas razões. A primeira é que eu amo a UEFA e amo o trabalho aqui. Em certo ponto, é tempo de aproveitar a vida um pouco. E a segunda é que a minha credibilidade é muito maior (para criticar Infantino e a atual gestão da Fifa), se não estou interessado na posição”, concluiu Ceferin.
Infantino busca ampliar apoio político
Enquanto enfrenta a movimentação de confederações contrárias à sua gestão, Infantino também busca ampliar sua sustentação política entre as federações filiadas. Nesse contexto, a FIFA anunciou que as 211 associações nacionais integrantes da entidade participarão do Mundial Sub-15, cuja primeira edição está prevista para outubro deste ano.
A iniciativa ocorre em um momento de pressão sobre a administração de Infantino e pode funcionar como uma tentativa de aproximar as federações e ampliar a base de apoio ao presidente antes da eleição de 2027.





