- FIFA projeta que a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, seja a primeira edição lucrativa da história da competição.
- Mercado interno, fuso favorável à audiência internacional e interesse crescente das marcas fortalecem o potencial comercial do torneio.
- Com 62% dos brasileiros interessados no futebol feminino, a Copa chega em um momento de expansão de audiência, patrocínios e formação de novas gerações de consumidores.
Quando uma grande competição esportiva escolhe sua sede, fatores como infraestrutura, mercado consumidor e capacidade de receber torcedores costumam ocupar o centro das discussões. É nesse contexto que o Brasil entra na estratégia comercial da Copa Feminina de 2027.
Além de sediar a competição em um dos maiores mercados de futebol do mundo, o país oferece uma configuração de horários considerada favorável para uma parcela importante da audiência internacional.
A realização do Mundial no território nacional reúne, portanto, dois mercados em uma mesma oportunidade: o público doméstico, que apresenta interesse crescente pelo futebol feminino, e espectadores estrangeiros que poderão acompanhar os jogos em horários mais adequados do que nas últimas edições.
Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Gal Barradas, Diretora executiva de receitas, marketing e inteligência de negócios para a Copa do Mundo Feminina 2027, destaca justamente essa combinação como um dos diferenciais comerciais da competição.
“O Brasil é um país gigante, com um enorme mercado interno, maior que o dos países (Austrália e Nova Zelândia) que sediaram a Copa em 2023. Além disso, o fuso horário no Brasil é mais adequado para o mundo ocidental onde se concentra uma enorme audiência do futebol. Assim, o interesse das marcas locais também tem sido enorme, bem como das marcas internacionais”, afirmou Barradas.
Em grandes eventos esportivos, portanto, o relógio também faz parte do produto. Quanto mais favorável for a janela de transmissão para mercados relevantes, maior pode ser o potencial de audiência e de exposição comercial.
O cenário atual já é diferente daquele observado em ciclos anteriores. Para Gal Barradas, o futebol feminino já ocupa uma posição consolidada como plataforma comercial, superando o período em que ainda era tratado como uma aposta.
“Cada vez mais as marcas buscam territórios e plataformas consistentes e de longo prazo para se engajarem. Não resta a menor dúvida de que o futebol feminino é a plataforma do momento. A audiência crescente e também o sucesso comercial da última Copa do Mundo Feminina, em 2023, que, pela primeira vez, atingiu o ponto de equilíbrio financeiro, mostram como o futebol feminino deixou de ser uma aposta e já vive como uma realidade”, enfatizou.
O desempenho financeiro de 2023 também elevou o patamar comercial projetado para o próximo ciclo. Após alcançar pela primeira vez o equilíbrio entre receitas e despesas, a FIFA espera que a edição de 2027, no Brasil, inaugure uma nova fase, com a geração de lucro pela competição.
“A projeção da FIFA é que seja um torneio lucrativo, pois, como citei anteriormente, a Copa passada já igualou receitas e despesas. O próximo passo é assegurar lucro e é isso que a entidade máxima do futebol acredita para esse novo ciclo”, completou.
Interesse do mercado brasileiro
O interesse doméstico também dá sustentação a essa tese. Segundo estudo da Offerwise em julho de 2026, 62% dos brasileiros têm interesse pelo futebol feminino. Entre homens, o índice chega a 66%, enquanto entre mulheres é de 59%.
O movimento também aparece no mercado de patrocínio. Barradas destaca que os clubes brasileiros que disputaram o Campeonato Brasileiro Feminino A1 reuniram, em 2025, 92 patrocinadores diferentes em seus uniformes, incluindo empresas que anunciam exclusivamente no futebol feminino.
“Para as marcas, nada pode ser mais interessante que se engajar nessa curva de evolução que vem apresentando a modalidade”, pontuou.
Barradas chama atenção especialmente para a geração Alfa, público em que o interesse pela modalidade já aparece de forma relevante.
Segundo pesquisa do Lab Humanidades, do BBDO Group, a Copa do Mundo Feminina ocupa o 2º lugar entre os ativos de entretenimento de maior interesse dessa geração. O movimento acompanha um cenário mais amplo: levantamento da Offerwise realizado em julho de 2026 mostra que 62% dos brasileiros se interessam pelo futebol feminino, índice que chega a 66% entre os homens e 59% entre as mulheres.
Para a executiva, esses dados ajudam a mostrar uma relação diferente das novas gerações com a modalidade e ampliam também seu potencial como plataforma comercial. Um público que cresce acompanhando atletas, clubes e seleções femininas naturalmente amplia o mercado potencial da modalidade para mídia, patrocínios, produtos licenciados, experiências e outras propriedades comerciais.
“Temos muitos motivos para acreditar que não será um evento pontual, porque mexe com muitas camadas, como o mercado de trabalho. E não podemos deixar de lembrar que a Copa do Mundo é a maior marca de entretenimento do mundo, porque ela vai além dos gramados. Existe todo um conjunto de ações e ativações nas cidades e nos estádios que envolvem a todos”, finalizou Barradas.





